Acupuntura também é para os céticos

Expansão: é a palavra que melhor define o percurso da acupuntura e da medicina tradicional chinesa na Europa e, particularmente, em Portugal.

Acupuntura também é para os céticos
A acupuntura não trata apenas a dor, atua na raiz do problema

Nos últimos 25 anos testemunhou-se um crescimento fenomenal do interesse e procura desta medicina pelos relatos e registos que vieram à luz na década de 70 sobre o controle da dor após cirurgias e consequente recuperação mais rápida no hospital, através da acupuntura feita por médicos chineses.

Este fenómeno intrigou a comunidade de profissionais de saúde no ocidente, atraindo-os a visitar e a aprender as várias técnicas de forma a importá-las para os seus países.

A acupuntura cruzou séculos e civilizações e chegou até nós, nos dias de hoje! E veio para ficar, mesmo por entre os mais céticos!

E como resistiu a acupuntura durante milénios?

A introdução de finas agulhas em pontos estratégicos da superfície do corpo (acupuntura) ativa ações fisiológicas internas capazes de melhorar a saúde. Do ponto de vista do modelo tradicional chinês, contribui para a correta circulação de energia (Qi) no organismo, visando o equilíbrio capaz de restabelecer a saúde.

Ora, provavelmente aqui enguiça a jornada atraente da acupunctura para alguns, isto é, para mais céticos. Vejamos um exemplo: como podem umas agulhas colocadas nos pés melhorar a dor de cabeça? Ou uma outra colocada na mão melhorar uma dor de dente?

Não é crença! Não é magia! Não é psicológico!

Tal facto é sustentado pelos infinitos estudos cientificamente controlados desenvolvidos por todo o mundo. Excluída a tese do efeito placebo (sugestão psicológica de efeito terapêutico), pelo uso de acupuntura em medicina veterinária, uma vez que os animais não são passíveis à sugestão. Igualmente, as crianças pequenas também respondem à acupuntura.

Na dor e nos mais variados quadros de doença, a acupunctura funciona numa base fisiológica mensurável por mecanismos neuronais libertadores de substâncias (endorfinas) que bloqueiam mensagens de dor ao cérebro. Técnicas biomédicas modernas, como a biologia molecular e as técnicas de imagem, sustentam cada vez mais eventos fisiológicos detalhados da ação da acupuntura.

acupuntura

Na Europa, América do Norte e Ásia, tem sido elaborada uma variedade de protocolos para testar a eficácia da acupuntura segundo padrões aceites para testes controlados. A evidência do valor terapêutico da acupuntura é hoje inegável, tornando possível o seu uso no campo da medicina convencional, complementando outras técnicas médicas disponíveis por forma a disponibilizar ao paciente a melhor oferta terapêutica.

A acupuntura deixa de ser, nos tempos que correm, uma prática empírica e mais ainda, não se restringe apenas em picar pontos locais de dor ou os pontos gatilho nas áreas adjacentes de dor. Toda a teoria tradicional do sistema médico chinês deixa-nos uma profunda riqueza de conhecimento permitindo ao acupuntor elaborar um refinado processo de análise e diferenciação de quadros clínicos, capaz de definir o tratamento mais eficaz e adequado para cada caso.

Não se trata apenas os sintomas, pois os resultados seriam menos eficazes e mais temporários, o enfoque está concentrado na raiz do problema e nos desequilíbrios que cada pessoa apresenta. O objetivo da medicina chinesa é tratar o distúrbio em todos os seus níveis, oferecendo muito mais do que um alívio.

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Ana Luisa Santo Ana Luisa Santo

Enfermeira especializada em acupuntura e medicina tradicional chinesa. É uma apaixonada pela saúde natural e terapias alternativas, explorando ativamente formas seguras de cuidar a saúde e o bem-estar. Trabalhou no Serviço de Cuidados Intensivos do Hospital Geral Santo António, Porto. Atualmente trabalha na consulta de acupuntura do Hospital da Lapa. Docente no Instituto Jean Piaget. Enfermeira voluntária na AMI.