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Aperto no peito: ansiedade ou doença cardíaca?

Sentir dor ou aperto no peito nem sempre é indicador de doença cardíaca. Muitas vezes deve-se a alguma perturbação psiquiátrica, nomeadamente ansiedade.

Aperto no peito: ansiedade ou doença cardíaca?
Dor no peito é sintoma de transtorno psiquiátrico em 25% dos pacientes

Muitas pessoas recorrem aos serviços de urgência com queixas de aperto no peito ou dor no coração. Frequentemente, após a recolha da história clínica (quando apareceu a dor; características da dor; se a dor é localizada ou se desloca; se existem fatores que agravam ou aliviam a dor) e a realização do exame físico é descartada a hipótese de doença cardíaca e são apontadas causas psicológicas.

Aperto no peito e ansiedade: qual a relação?


A dor ou o aperto no peito pode ser assustadora para quem a sente, pois há o receio instantâneo de que se trate de uma doença cardíaca. Contudo, esta é apenas uma das possíveis causas, sendo inclusive a menos comum.

Nas perturbações de ansiedade, para além dos sintomas mais típicos (preocupação excessiva; medo constante; dificuldades de concentração; irritabilidade; alterações do sono), também podem estar presentes sintomas físicos que agravam a preocupação do doente.

Os sintomas físicos mais comuns nas perturbações de ansiedade são:

De facto, a dor e o aperto no peito podem ser causados pela ansiedade. Contudo, quando surgem problemas cardíacos tendemos também a ficar mais ansiosos. Confuso? Vamos aprender a diferenciar!

Quando a causa é a ansiedade, a dor e o aperto no peito agravam quando o stress aumenta. Quando estamos perante um problema cardíaco, é a dor que faz com que a ansiedade aumente.

aperto no peito pode ser sintoma de ansiedade

Ansiedade ou doença cardíaca?


De forma a ser mais simples distinguir as diferentes causas de dor/aperto no peito, deixamos alguns indicadores que caracterizam a dor de origem ansiosa:

1) A dor ansiosa é mais fácil de localizar: o doente tem mais facilidade em apontar para um sítio específico, usualmente próximo da zona cardíaca;

2) A dor ansiosa não costuma irradiar: a dor localiza-se apenas num local;

3) A dor ansiosa é diferente: dor tipo pontada, que agrava com a inspiração;

4) A duração da dor ansiosa é inferior: cerca de 10 minutos por episódio;

5) A dor é acompanhada por outros sintomas típicos da ansiedade: falta de ar; tonturas; formigueiros nas mãos e nos pés.

Porque é que a ansiedade pode causar aperto no peito?


Quando estamos perante uma situação de ansiedade intensa, nomeadamente no caso de um ataque de pânico, o nosso corpo passa por algumas transformações que podem contribuir para o aparecimento de dor ou aperto no peito.

Hiperventilação: a respiração com frequência aumentada pode levar a um desgaste dos músculos que ficam entre as costelas; a hiperventilação diminui o dióxido de carbono presente no sangue, o que origina uma contração dos vasos sanguíneos, levando a um menor afluxo de sangue para os músculos;

Ácido no estômago: durante um episódio de ansiedade intensa, existe maior produção de ácido no estômago; este excesso de produção de ácido pode provocar dor de estômago, que pode ser sentida na região torácica e confundida com dor cardíaca;

Distensão abdominal: as pessoas ansiosas tendem a hiperventilar e a engolir mais ar, o que provoca distensão abdominal; esta distensão pode pressionar a região torácica, provocando dor.

Em suma

Quando a dor/aperto no peito é de origem ansiosa, apesar de não existir qualquer problema em termos orgânicos, a dor está presente e pode ser muito incapacitante para quem a sente.

Se apresenta este sintoma, deve procurar o seu médico, mesmo que julgue que a causa possa ser apenas ansiedade. Ao consultar o seu médico vai poder confirmar qual a origem da dor e recorrer a ajuda especializada mais precocemente, diminuindo a preocupação e a hipótese de agravamento do problema que apresenta, seja este de origem física ou psicológica.

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Ana Graça Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Além da Psicologia. é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que traga mais felicidade!