Cancro colorretal: como prevenir e tratar, segundo um especialista

Aparece sem darmos por ele e, quando isso acontece, já pode ser tarde. Conheça melhor o cancro colorretal e os conselhos de um especialista para o prevenir.

Cancro colorretal: como prevenir e tratar, segundo um especialista
Saiba mais sobre esta doença que afeta o intestino grosso

O cancro colorretal, também conhecido como cancro dos intestinos, é uma doença silenciosa em que sintomas como uma obstrução intestinal ou a saída de sangue pelo ânus só aparecem numa fase avançada, quando o tumor já se desenvolveu e cresceu.

Esta patologia afeta, sobretudo, homens com idade superior a 60 anos e é o tumor que mais mata em Portugal. A palavra-chave é, por isso, prevenção.

Para dar voz ao que se pode fazer para evitar esta doença, o E-konomista entrevistou Mário Dinis-Ribeiro, investigador do CINTESIS (o segundo maior centro de investigação da Universidade do Porto) e diretor do Serviço de Gastroenterologia do Instituto Português de Oncologia do Porto.

Prevenção do cancro colorretal

Por se desenvolver maioritariamente numa fase mais avançada da nossa vida, devemos ao longo dos anos ter uma série de cuidados, também aconselhados para prevenção de outros tipos de cancro ou de outras doenças.

O especialista reforça que a população em geral, mesmo não tendo nenhum sintoma ou fator de risco associado à doença (como ter algum familiar que já tenha tido cancro), deve ter um estilo de vida saudável, “diminuir o consumo de carnes vermelhas e aumentar o consumo de vegetais, praticar exercício físico e sobretudo não fumar”.

No caso particular deste tipo de cancro, há mais duas formas possíveis de prevenção a levar a cabo com frequência, sobretudo a partir dos 50 anos, mesmo na ausência de qualquer sintoma:

  • Exame às fezes: conhecido como “sangue oculto”, este permite fazer um diagnóstico precoce da doença. Quem faz este exame deve comprometer-se a fazê-lo, em caso de resultado negativo, a cada 1 a 2 anos, para despiste;
  • Colonoscopia: o único exame que permite perceber se existem pólipos no intestino e portanto prevenir o aparecimento da doença, mais do que diagnosticá-la precocemente.

O cancro colorretal tem uma característica, em comparação com outros tipos de cancro, que permite cortar o mal pela raiz. “Ele apresenta lesões que conseguimos reconhecer facilmente no intestino”, explica. “Se essas lesões que ainda não são tumor forem retiradas, não só o doente não o desenvolve, como se pode fazer algum tipo de prevenção em relação a ele”, acrescenta Mário Dinis-Ribeiro.

Isso é o que consegue fazer através da colonoscopia. “Se for feita com qualidade e o exame for completamente normal, permite-nos dizer àquela pessoa que, nos 10 anos seguintes – pois o pólipo demora esse tempo em média para se tornar relevante – não vai ter de se preocupar”, assegura.

intestino

Sintomas do cancro colorretal

Os sintomas associados a esta doença podem não significar que estamos perante um tumor, no entanto, o especialista explica e salvaguarda que se deve sempre procurar um médico e ter especial atenção quando se verifica:

  • Uma mudança de hábitos intestinais que tinham um determinado ritmo e deixaram de funcionar ou passaram a funcionar em demasia;
  • Saída de sangue pelo ânus;
  • Perda de peso;
  • Dor difícil de explicar.

Tratamento desta doença

O tratamento vai depender da fase em que se encontra o tumor. Se for numa fase inicial, é possível ser tratado através de cirurgia e, em fases mais avançadas, pode passar pela radioterapia ou pela quimioterapia.

O cancro do cólon e reto é o 3º cancro mais comum, a seguir ao cancro da mama e da próstata, com uma taxa de incidência acima dos 30 casos por 100.000 habitantes em Portugal.

Veja também: