Cash flow: o que deve saber sobre o movimento do dinheiro

Aquando da avaliação de uma empresa ou projeto, a determinação do cash flow é um elemento fundamental a ter em conta para perceber a sua viabilidade.

Cash flow: o que deve saber sobre o movimento do dinheiro
Noções acerca dos fluxos de liquidez nas empresas

O termo cash flow designa os movimentos de dinheiro associados a uma empresa ou projeto, separados entre entradas e as saídas de liquidez.

Cash flow: um conceito essencial para gestores e investidores


A análise dos cash flows numa empresa é essencial, uma vez que os fluxos de pagamentos e recebimentos podem não coincidir com os respetivos fluxos de gastos e rendimentos.

Por outras palavras, o facto de uma empresa apresentar lucros não significa que esteja livre de enfrentar dificuldades de liquidez que, dependendo da sua magnitude, podem colocar em causa a normal continuidade das suas operações.

Isto pode ocorrer nos casos em que uma empresa tenha tempos médios de recebimento largamente superiores aos tempos médios de pagamento. Ou seja, os clientes demoram muito tempo a pagar os serviços ou produtos que receberam da empresa, ao passo que esta paga muito mais rapidamente aos seus fornecedores.

Mesmo que o valor de vendas seja superior ao das compras, este desfasamento entre recebimentos e pagamentos reduz as disponibilidades de dinheiro da empresa.

Um dos exemplos de empresas que beneficiam com gestão que fazem dos seus cash flows é o do retalho alimentar. Estas empresas vendem a quase totalidade dos seus produtos a pronto pagamento, tendo tempos médios de recebimento praticamente nulos.

Por outro lado, na negociação que fazem com os seus fornecedores, podem alcançar acordos de pagamento a 3 ou a 6 meses, por exemplo. Isto é muito positivo para a sua gestão, uma vez que esta liquidez acumulada lhes permite gerir os seus investimentos de forma mais eficaz.

Em termos de reporte de informação contabilística, os fluxos de dinheiro são apresentados num mapa próprio, designado Demonstração dos Fluxos de Caixa. Esta demonstração inclui-se no conjunto de demonstrações financeiras que devem compor a apresentação de contas por parte das empresas. A sua informação deve ser analisada em conjunto com o Balanço, a Demonstração dos Resultados, a Demonstração de Alterações no Capital Próprio e o Anexo.

Os cash flows são, igualmente, utilizados para aferir a viabilidade de novos projetos de investimento. Explicando de forma simples, a viabilidade é medida por alguns indicadores como o Valor Atualizado Líquido (VAL), que não é mais do que a diferença entre as entradas e as saídas de cash flows de exploração descontados ao presente, subtraindo-se ainda os custos de investimento. Se o VAL for positivo, o investimento é viável, ao passo que se for negativo ocorre o oposto.

cash flows

Cash flow: classificação na Demonstração dos Fluxos de Caixa


Cash flow operacional

São os cash flows relacionados com a atividade propriamente dita da empresa, que vão desde os recebimentos de clientes aos pagamentos a fornecedores ou aos gastos com o pessoal.

Cash flow de investimento

Como o próprio nome indica, são os movimentos de dinheiro relacionados com os investimentos em bens de capital. São exemplos as aquisições de participações em outras empresas ou a compra de ativos corpóreos ou incorpóreos capitalizáveis.

Cash flow financeiro

Refere-se aos movimentos de liquidez relacionados com atividades de financiamento como o pagamento ou recebimento de empréstimos ou o pagamento de dividendos.

Cash flow: ótica da avaliação de projetos


Cash flow de exploração

São cash flows determinantes na avaliação da viabilidade de um projeto, por serem aqueles que estão ligados à atividade de exploração do mesmo. A sua obtenção pode ter como ponto de partida o Resultado Líquido ao qual se somam todas as rubricas da Demonstração de Resultados que não estão associadas a fluxos de moeda. São elas as amortizações, as variações de imparidades e provisões e os encargos financeiros.

Cash flow global

Engloba todos os movimentos de dinheiro não relacionados com financiamento de um projeto, sendo obtido através da diferença entre recebimentos e pagamentos. Para determinar o seu valor pode partir-se do cash flow de exploração, adicionando-se o valor residual e subtraindo-se os custos de investimento e a variação das necessidades de fundo de maneio.

Free cash flow

Consiste nos fluxos monetários que ficam disponíveis, após o investimento, para remunerar os acionistas e outras entidades financiadoras da empresa. Difere do cash llow global por se obter a partir do resultado antes de encargos financeiros, enquanto este considera o resultado depois destes encargos.

Cash flow global do acionista

Trata-se da parcela do cash flow global que pertence aos acionistas. Desta forma, a este valor devem somar-se os recebimentos de financiadores e subtrair-se os pagamentos aos mesmos.

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João Parreira João Parreira

João Parreira frequenta atualmente o Master in Economics na Faculdade de Economia do Porto, ao abrigo do QTEM Masters Programme. Licenciado em Economia na mesma faculdade, teve ainda um ano de experiência profissional em auditoria na Deloitte. Durante os anos académicos, participou em diversas organizações e associações, destacando-se o cargo de Diretor Geral de Sistemas da FEP Junior Consulting, a júnior empresa de consultoria da Faculdade de Economia do Porto.