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Colite nervosa: causas, sintomas e tratamento

A colite nervosa pode ser passageira ou crónica. Apesar de não haver cura nem tratamento específico para esta doença, há formas de atenuar os seus sintomas.

Colite nervosa: causas, sintomas e tratamento
Esta patologia pode causar cancro no intestino em casos mais graves

A colite nervosa, também conhecida como cólon irritável, colite espástica ou doença funcional do intestino, é uma perturbação crónica e motora do intestino.

Esta patologia, que afeta cerca de 15% dos portugueses, é caracterizada pela inflamação do intestino grosso, também chamado cólon. A doença pode ser aguda, se for causada por infecções virais ou bacterianas e ocorrerem crises esporádicas, ou tornar-se crónica. A colite caracteriza-se por contrações musculares muito fortes e irregulares, pois trata-se de uma perturbação motora do tubo digestivo.

O tecido muscular do intestino torna-se mais sensível e irritável devido à colite nervosa, ficando assim muito indefeso perante os estímulos habituais, como o stress, a ansiedade e a ingestão de determinados alimentos, uma vez que reage mais intensamente aos mesmos.

Este problema muscular pode atrasar ou acelerar o movimento intestinal, o que altera a frequência, a forma ou a consistência das fezes.

Colite nervosa: causas e sintomas


Causas da colite nervosa

Esta doença funcional do intestino afeta, principalmente, jovens e adultos com menos de 50 anos, sendo a maioria dos doentes do sexo feminino.

Apesar de não haver causas orgânicas cientificamente comprovadas, acredita-se que a mesma pode resultar de uma combinação de problemas físicos e mentais. Estas são algumas das causas possíveis do aparecimento da colite nervosa:

  • Fatores genéticos;
  • Alterações a nível da sinalização entre o cérebro e o intestino, o que altera os hábitos intestinais;
  • Alterações nos níveis de neurotransmissores;
  • Hipersensibilidade intestinal;
  • Alterações da mobilidade gastrointestinal (obstipação, diarreia ou espasmos intestinais);
  • Distensão causada por gases ou fezes;
  • Gastroenterite bacteriana;
  • Proliferação bacteriana excessiva no intestino delgado, o que causa diarreia, gases e perda de peso;
  • Problemas mentais (depressão, ansiedade, stress pós-traumático, ataques de pânico, antecedentes de abuso sexual, entre outros);
  • Sensibilidade a alguns alimentos (entre eles os que são picantes ou ricos em hidratos de carbono, café e álcool).

sintomas colite nervosa

Sintomas da colite nervosa

Os sintomas mais comuns da colite nervosa são a dor ou o desconforto abdominal, relacionados com a diarreia ou a obstipação, ou por vezes ambas.

Geralmente, a dor ou o desconforto são acompanhados por outros três sintomas:

  • Começam com movimentos intestinais que ocorrem com uma frequência maior do que o habitual;
  • Surgem com o aparecimento de fezes menos consistentes e mais aquosas, ou então mais duras do que o habitual;
  • Melhoram com a evacuação.

Esta patologia causa ainda:

  • Ardor no estômago;
  • Náuseas;
  • Digestões difíceis;
  • Cólicas ou dores espasmódicas frequentes no baixo-abdómen;
  • Necessidade urgente de evacuar após as refeições;
  • Alívio da dor após a evacuação;
  • Sensação de esvaziamento intestinal incompleto após a evacuação;
  • Diarreia;
  • Gases;
  • Obstipação;
  • Menstruações dolorosas;
  • Barriga inchada;
  • Distensão intestinal;
  • Mucosidade nas fezes;
  • Dor ou desconforto abdominal.

Os sinais desta doença são também originados pelo funcionamento anormal do intestino, devido a fatores como:

  • Stress;
  • Ansiedade;
  • Ingestão de gorduras;
  • Ingestão de leite e derivados;
  • Ingestão de café;
  • Ingestão de álcool;
  • Ingestão de refrigerantes;
  • Ingestão de alimentos pesados ou muito condimentados;
  • Infeções agudas e crónicas, entre elas as infeções alimentares;
  • Intoxicações alimentares.

A diarreia causada pela colite nervosa pode ocorrer três ou mais vezes por dia. No caso da obstipação, esta pode fazer com que haja três ou menos evacuações de fezes duras por semana, e as mesmas podem conter muco.

Estes sinais podem surgir após uma refeição e tendem a ocorrer pelo menos três vezes por mês. Alguns dos sintomas duram longos períodos de tempo, e podem variar devido à alimentação, aos níveis de stress e ansiedade, e também consoante o período menstrual.

Diagnóstico e tratamento da colite nervosa


Diagnóstico da colite nervosa

O diagnóstico é clínico e baseado na presença de dor ou desconforto abdominal, que ocorre cerca de três vezes por mês nos últimos três meses, caso não haja outra doença ou lesão que possa explicar essa dor. Podem ser feitas análises ao sangue e às fezes, além de uma colonoscopia.

Tratamento da colite nervosa

Esta doença é crónica, o que significa que não tem um tratamento específico e que não existe uma cura. No entanto, deve consultar sempre o seu médico, para que lhe seja indicado o tratamento mais adequado ao seu caso.

A maioria dos doentes aprende a lidar com a patologia ao longo da vida, e acaba por evitar a ingestão de determinados alimentos, além de fazer os possíveis para não sofrer de ansiedade, que é a causadora das crises de contrações musculares do intestino.

Em alguns casos, o médico faz a prescrição de laxantes ou antidiarreicos. Se os pacientes sofrerem frequentemente de stress, podem ser-lhes administrados antidepressivos e ansiolíticos.

Alguns quadros de colite crónica podem trazer complicações mais graves. Nos casos em que a patologia afeta toda a região intestinal, existe um aumento no risco do aparecimento de cancro no intestino.

tratamento da colite nervosa

Como atenuar os sintomas da colite nervosa

Existem algumas recomendações que o médico pode dar ao paciente, para que este sofra menos com os sintomas:

  • Repousar;
  • Evitar o stress e a ansiedade;
  • Praticar exercício físico com frequência;
  • Beber muita água ao longo do dia;
  • Dormir pelo menos 8 horas por dia;
  • Não ingerir bebidas com gás;
  • Não beber café;
  • Não beber álcool;
  • Não fumar;
  • Evitar os chás;
  • Não consumir drogas;
  • Não ingerir leites e derivados;
  • Não ingerir alimentos ricos em gorduras e industrializados;
  • Evitar alimentos que provocam gases (como o feijão e as couves);
  • Evitar adoçantes artificiais;
  • Ter uma alimentação rica em fibras e alimentos frescos (carnes brancas, arroz, cereais, legumes, verduras e frutas);
  • Fazer refeições mais pequenas e mais frequentes.

Outra forma de evitar as crises de colite nervosa é ingerir diariamente entre quatro a oito colheres de farelo de trigo.

5 tratamentos naturais para a colite nervosa


Existem alguns remédios naturais eficazes que podem ajudar os pacientes no tratamento desta doença, que podem ser combinados com o tratamento receitado pelo médico.

1. Chá de camomila

Esta bebida alivia os sintomas da referida patologia e consegue atuar na mucosa intestinal, o que reduz a inflamação e o inchaço abdominal.

O chá de camomila é também útil para regular o intestino, e pode tratar a diarreia ou a obstipação. Como é uma erva natural com propriedades antiespasmódicas, também tem o benefício de atenuar os espasmos e dores abdominais.

Para fazer esta infusão, basta colocar algumas flores de camomila num copo com água a ferver, e deixá-la em repouso durante 15 minutos. Em seguida, coe e acrescente algumas gotas de limão ou, se preferir, adicione uma colher de mel.

2. Iogurte com probióticos

Este alimento é ótimo para tratar a colite nervosa. Os probióticos são bactérias saudáveis que formam uma camada de proteção nos intestinos, além de ajudarem a eliminar toxinas e as bactérias prejudiciais do intestino e do organismo.

Os iogurtes podem ser consumidos em forma pura, ou podem ser misturados com frutas e ser batidos no liquidificador.

prevenir colite nervosa

3. Sumo de cenoura

A cenoura é uma fonte rica em pectina, e ajuda na prevenção dos sintomas da colite nervosa, além de atenuar a diarreia e a obstipação. O recomendado é que a mesma seja ingerida em forma de sumo e não crua, o que poderia causar dores de estômago.

Para fazer o sumo, basta lavar e descascar duas cenouras, e colocá-las no liquidificador, onde deve ser acrescentado um copo de água. As mesmas devem ser trituradas até se obter uma textura homogénea.

Depois, pode adicionar algumas gotas de sumo de limão e mel para que a bebida fique adocicada de forma natural. Pode ingeri-la várias vezes ao dia até notar os resultados.

Se preferir puré de cenoura em vez de sumo, pode colocar cenouras cozidas no liquidificador e acrescentar um pouco de água. Basta adicionar um pouco de sal e fica pronto para consumir.

4. Linhaça

Esta semente do linho é rica em fibras e ajuda não só na movimentação e regulação do intestino, como também na passagem dos resíduos que devem ser eliminados.

A linhaça é igualmente rica em ómega 3, o que fortalece a imunidade e o sistema digestivo, o que é muito importante para quem sofre com a colite nervosa. A mesma pode também ajudar na diarreia e na obstipação, uma vez que regula a flora intestinal.

Uma das formas de ingerir este alimento é tomar uma colher de sementes de linhaça recém-moídas juntamente com água, uma vez por dia.

Também pode colocar uma colher de sementes de linhaça num copo de água e levar a mistura ao lume, num púcaro, onde irá deixá-lo a ferver entre 5 a 10 minutos. Basta beber o chá antes de ir dormir, para que o mesmo cause movimentos intestinais saudáveis.

5. Aveia

Este cereal, rico em fibras, pode reduzir de forma significativa os sintomas da colite nervosa. Se tiver esta doença, pode incluí-lo no seu dia a dia e irá assim sentir a movimentação intestinal e a evacuação mais facilitadas.

A aveia, que é também rica em antioxidantes, ferro, fósforo, cálcio, zinco e magnésio, pode ser acompanhada com mamão ou papaia durante a manhã, por exemplo.

A mesma pode ainda ser adicionada num iogurte, em batidos ou em sumos, além de saladas. As papas de aveia são ainda outra boa opção.

Como prevenir a colite nervosa


Para evitar esta doença, deve levar uma vida saudável, o que inclui ter uma alimentação equilibrada, praticar exercício físico, evitar o stress e não ter vícios como o do tabaco e o do álcool.

Conhecermos bem a doença e sabermos identificar os seus fatores é uma das melhores formas de a prevenirmos.

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Cátia Tocha Cátia Tocha

Formada em Ciências da Comunicação pela Universidade Autónoma de Lisboa, onde concluiu Licenciatura e Mestrado, começou o seu percurso como jornalista na Rádio. Hoje, escreve sobre diferentes áreas e tem já alguns anos de experiência na escrita para meios online.