Como a depressão atua no cérebro

Estudo comprova que a doença não é apenas uma questão emocional e desconstrói os argumentos de quem acredita que a depressão é um capricho ou uma fraqueza.

Como a depressão atua no cérebro
Em todo o mundo, uma em cada cinco pessoas sofre de depressão

Existe uma complexa combinação de fatores psicológicos e biológicos que desencadeia o estado depressivo. Isso quer dizer que podemos nascer com uma predisposição natural que, se associada a características emocionais específicas, pode representar um quadro clínico com necessidade de intervenção especializada. Saiba como a depressão atua no cérebro.

Dados oficiais mostram que até 20% da população de todo o mundo sofre de depressão, mas a verdade é que o diagnóstico de doenças psíquicas é sempre relativo, de acordo com o número de pessoas que, de facto, procura ajuda médica. Infelizmente, o estigma social ainda é motivo de vergonha e assumir um estado depressivo pode ser, muitas vezes, evitado pelos doentes. Isso confunde os números e atrasa o tratamento.

Depressão: uma doença pouco compreendida

Longe de ser apenas um estado de ânimo ou de humor, a depressão é uma doença real, o que alerta para a necessidade de mais esclarecimento e informação sobre o assunto. As suas causas, pouco a pouco, vão sendo descobertas pela ciência e, ainda que lentamente, os resultados das pesquisas têm sido surpreendentes. Uma complexa combinação de fatores psicológicos e biológicos está na origem do problema.

Uma equipa composta por diversos estudiosos, de várias universidades de todo o mundo, analisou o cérebro de 909 voluntários chineses, 421 deles já diagnosticados com depressão. Os resultados da observação, feita através de ressonância magnética, foram publicados no jornal científico Brain, de uma editora britânica de Oxford. Os investigadores procuraram pela região específica do cérebro que seria a responsável pela doença e encontram muito com o que trabalhar.

Estudo sobre a origem da depressão no cérebro

Os resultados mostram que existem alterações significativas na atividade de duas regiões cerebrais dos doentes depressivos, sendo elas o córtex órbito-frontal (OFC) medial e lateral.

Os cientistas afirmam que não se trata de uma coincidência, uma vez que o OFC medial é o grande responsável pelo sentimento de alegria, característico dos bons momentos. É aqui que se dá a atividade quando recebemos uma prenda, por exemplo. Por sua vez, o OFC lateral é responsável por organizar e processar as nossas emoções mais negativas, que são reações a momentos maus.

Estas duas regiões estão ligadas ao hipocampo, que é a sede da nossa memória. Isso faz com que seja lógico concluir que quando o OFC medial funciona corretamente, é normal recordar dos factos mais positivos do dia-a-dia. Os doentes que sofrem de depressão, por sua vez, têm uma maior atividade no OFC lateral, o que significa que as más experiências predominam na atividade cerebral.

O estudo analisou ainda o cérebro dos pacientes depressivos que estavam a usar uma medicação nova e descobriram que remédios nunca antes administrados ajudam a enfraquecer a conexão da memória com o OFC lateral. O resultado é que estes inibem os sentimentos negativos.

Melhores tratamentos

O referido estudo científico é importante para que a medicina consiga perceber a origem da depressão e um passo de gigante para desenvolver tratamentos mais eficazes.

Mapear a atividade cerebral dos doentes depressivos vai permitir que sejam prescritos os medicamentos corretos para cada caso, melhorando a vida dos pacientes. Hoje, todos os tratamentos são vistos como “um tiro no escuro” e metade das prescrições médicas não resolvem o problema numa primeira tentativa. Enviar um químico ajustado à região correta do cérebro dos doentes pode ser a solução mais rápida para aliviar os sintomas da doença.

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