Comprar ou arrendar casa?

A instabilidade a nível profissional e o acesso ao crédito cada vez mais dificultado levam a que o arrendamento seja a opção mais procurada.

Comprar ou arrendar casa?
Quais as vantagens e desvantagens destas opções?

Tradicionalmente, os portugueses preferem comprar a arrendar, pois dessa forma sentem que estão a pagar por algo que um dia constituirá o seu património.
Com o arrendamento, fica aquela sensação de investirmos num imóvel que não é nosso. Dependendo do perfil do cliente e da conjuntura económica, uma ou outra opção poderão ser vantajosas.

Recorde-se que em 2007 a DECO concluiu que o arrendamento era a opção mais barata, tendo em conta a situação económica naquela altura.
Actualmente, o mercado imobiliário mudou, assim como as condições de acesso ao crédito e de facto, para quem tem algumas poupanças e boas relações com o banco comprar será a opção mais acertada.


Também as agências imobiliárias aconselham neste sentido, pois neste momento, uma renda é superior a uma prestação de uma prestação de crédito habitação, além disso, a crise também traz vantagens e neste caso do crédito habitação, pode se traduzir num bom negócio, uma vez que o preço das casas está mais baixo.
No entanto, se está numa situação profissional pouco estável e alguma incerteza será mais aconselhável arrendar.



Comprar ou arrendar: qual a melhor opção?



Comprar:

Há pessoas que preferem a compra por vários motivos:

  • No final do contrato de crédito está assegurado que a casa passa a ser efectivamente sua;
  • Tem liberdade para fazer ajustes e obras, uma vez que reside em casa própria;
  • Comprar casa pode ser um bom investimento: Se o mercado imobiliário oferecer taxas de rentabilidade atractivas, pode revender a casa e ainda ter algum lucro.

A desvantagem da compra é que, além das prestações do contrato de crédito, há despesas legais com contratos, registos, hipoteca, comissões bancárias, impostos e seguros, o que implica ter uma boa soma disponível no momento da compra. Ao longo dos anos, é preciso pagar as quotas do condomínio, obras obrigatórias, impostos e juros do crédito à habitação.



Arrendar:

Na escolha do arrendamento pesam os seguintes factores:
  • Situação vantajosa para quem está a iniciar carreira, quer sair de casa dos pais ou simplesmente não tem rendimentos para comprar.
  • Mobilidade: facilidade de mudar de casa devido à duração dos contratos e por não ter de esperar por um bom negócio para vender, como acontece com um proprietário. Factor decisivo para pessoas que por motivos profissionais ou pessoais têm que mudar de casa com frequência.
  • Única obrigação de pagar as rendas ou, eventualmente, parte ou a totalidade das obras, consoante o acordado com o senhorio.

Apesar de tudo, também tem desvantagens como seja: o inquilino pode, um dia, ser convidado a sair pelo senhorio; nunca será o proprietário do imóvel; está condicionado à autorização do senhorio para fazer obras.



Simulação

De acordo com a simulação da DECO para quem arrenda e para quem compra casa foi comprovado que o arrendamento é um negócio menos vantajoso. Ora vejamos:

Para arrendamento: A renda é actualizada anualmente ao ritmo da inflação. A DECO aponta para uma taxa anual de 2,5% nos próximos 30 anos. Com um valor inicial de renda de 1.000 mensais, o inquilino terá pago 526.832 euros, em 30 anos.

 

Para compra: Um proprietário tem gastos com o condomínio, seguro da casa e obras de conservação.

Com uma quota mensal de 40 euros, actualizada pela inflação estimada, pagará de condomínio 21.073 euros. 

 

Outras variáveis

O seguro de incêndio é obrigatório, mas optando pelo multirriscos-habitação que inclui coberturas mais abrangentes, chegamos à ‘escolha acertada', da Mapfre, que cobra um prémio anual de 170 euros, ou seja, de 5.100 euros, ao fim de 30 anos.


Outro seguro obrigatório na obtenção de crédito habitação é o seguro de vida. Este varia com a idade do consumidor e montante financiado. A Generali, uma das escolhas acertadas, cobra 460 euros anuais, para 168.000 euros, a duas cabeças, com 30 anos de idade. Ao longo dos anos é feito o ajuste, o que totaliza 16.460 euros. Como o valor da casa ultrapassa 157.000€, o casal só está isento de IMI nos primeiros quatro anos. Depois pagará imposto anualmente. Considerou-se ainda que, ao longo de três décadas, gastará cerca de 30.000 euros em obras.


Apesar das despesas elevadas no momento da compra e anos seguintes, os cálculos revelam que ter casa própria é mais barato do que arrendar: quase 107.000 euros no cenário de crédito com taxa variável e 70.000 euros no de taxa fixa.

 

Segundo declarações de algumas agências imobiliárias: "A procura pelo arrendamento está a crescer devido à dificuldade em obter crédito, pelo que as rendas são altas".

 

Conclusão:

Não existe uma resposta para a pergunta inicial do artigo. As opiniões dividem-se. Há quem ache que comprar casa é um erro, porque se surgirem oportunidades de emprego numa cidade ou país diferente, o ter uma casa é uma condicionante; ou porque actualmente só quem tem contrato de efectividade é que tem segurança para se envolver num negócio de compra de casa. Outros acreditam que arrendar, isso sim é um erro, pois trata-se de um “investimento perdido”.

 

A verdade é que tudo depende do seu estilo de vida pessoal, profissional, no entanto, para ter uma referência de como tomar uma decisão, aqui fica o conselho:


Invista na compra da casa quando conseguir pagar a prestação com 1/3 do orçamento familiar.


Assim estabelece um limite e tem uma noção mais aproximada do peso que a prestação terá no seu orçamento, assim como ao mesmo tempo não deixa de ter dinheiro para as outras despesas e até mesmo para produtos de poupança.



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