Criopreservação de células estaminais: a prevenção que pode valer vidas

Já ouviu falar na criopreservação de células estaminais? Saiba, neste artigo, porque são estas células tão importantes e como funciona este processo.

Criopreservação de células estaminais: a prevenção que pode valer vidas
As células estaminais para criopreservação são recolhidas no momento do parto

Porque mais vale prevenir do que remediar e porque com a saúde dos filhos não se brinca, a criopreservação de células estaminais é uma opção válida para servir de garantia em caso de doenças como a leucemia ou linfomas.

Criopreservação de células estaminais: o que há de tão especial nestas células?

Tratam-se de supercélulas indiferenciadas que têm a capacidade de se renovar e dividir de forma indefinida. Quer isto dizer que se podem diferenciar em diversos tipos de células, podendo substituir células lesadas ou destruídas e regenerar tecidos danificados.

Ao optar pela criopreservação de células estaminais estamos a fazer uma espécie de “reserva” celular em casos de lesão ou necessidade de regeneração de tecidos.

Existem dois tipos de células estaminais: as embrionárias e as não embrionárias. As embrionárias encontram-se, como o próprio nome indica, no embrião, enquanto que as não embrionárias são essencialmente células estaminais adultas, podendo encontrar-se, por exemplo, na medula óssea.

Quando falamos em criopreservação estamos a falar especificamente das células embrionárias. Dentro destes organismos, destacam-se as células do sangue do cordão umbilical – as chamadas células estaminais hematopoiéticas. Estas são muito importantes pois, por serem pluripotentes, podem dar origem a todo tipo de células.

Por essa razão, são usadas atualmente no tratamento de mais de 80 doenças como a leucemia ou anemia, podendo não só salvar a vida do seu dador, como também salvar a vida de um familiar, como um irmão, por exemplo. Já as células do tecido do cordão umbilical (células estaminais mesenquimais) têm também um grande potencial terapêutico.

Em que consiste então a criopreservação de células estaminais?

mae e filho

A colheita destas células, neste caso específico do sangue e tecido do cordão umbilical, é feita no momento do parto através de um kit específico que deve ser previamente comprado. Este processo ocorre imediatamente após o corte do cordão umbilical, fazendo com que não represente qualquer perigo ou dor quer para a mãe quer para o bebé.

A partir desse momento, o banco privado escolhido pelos pais é avisado pela equipa médica do hospital para efetuar a recolha das células em tempo útil para, em laboratório, proceder à criopreservação.

Tal como nome indica, através deste processo as células vão ser preservadas pelo frio (196ºC negativos), podendo ser facilmente descongeladas e utilizadas em caso de necessidade. As células ficam guardadas por longos períodos de tempo, geralmente por 20 anos, sem que tal comprometa a sua eficácia.

Quanto custa a criopreservação de células estaminais?

Hoje em dia existem vários bancos privados onde é possível recorrer a este tipo de serviço, começando pela aquisição de um kit de recolha, adquirido em separado (com  o custo aproximado de 90 euros).

De acordo com Manuel Abecassis, do Instituto Português de Oncologia de Lisboa, citado pela Revista Saber Viver, o processo de criopreservação de células estaminais pode custar, no mínimo, 1000 euros.

Recolha e armazenamento de células estaminais como um ato solidário

Para além dos bancos privados onde é possível proceder à criopreservação de células estaminais para o benefício próprio, existem bancos públicos, como o Lusocord, em que o objetivo é servir toda a população que possa precisar de um transplante de medula óssea, como nos casos de leucemia. Essa doação não tem qualquer custo ou, por outro lado, compensação económica, e é garantida confidencialidade à mãe e ao filho.

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