Tipos de demência: causas, manifestações e tratamentos

Esquecimento e confusão são palavras comuns neste problema que não é uma doença, mas sim um conjunto delas. Conheça os vários tipos de demência.

Tipos de demência: causas, manifestações e tratamentos
O declínio progressivo de uma pessoa é um fator comum

Não saber em que dia do mês ou da semana está, fazer as mesmas perguntas vezes e vezes sem conta ou mostrar um comportamento agressivo fora do normal são exemplos de situações vividas, muitas vezes, por quem sofre de demência e acompanhadas pelos familiares, que se tornam, em pouco tempo, cuidadores de alguém que vai perdendo, aos poucos, a sua autonomia.

A demência não é, por si só, uma doença, mas um grupo alargado de patologias que se manifestam de diferentes formas. O fator comum é o declínio progressivo do funcionamento da pessoa.

Esta perturbação provoca perda de memória, capacidade intelectual e raciocínio. As alterações de competências sociais e de reações emocionais normais são também características deste conjunto de doenças.

Para a desenvolver não é preciso ser-se idoso, uma vez que ela pode surgir em qualquer pessoa. Este problema também não é algo natural que resulte do processo de envelhecimento. No entanto, é mais frequente a partir dos 65 anos, sendo que, em algumas situações, pode ocorrer em indivíduos com idades entre os 40 e os 60 anos.

Os vários tipos de demência

A forma mais comum é a doença de Alzheimer. Contudo, há muitos outros tipos de demência que podem, por vezes, surgir em conjunto e ser confundidos pela semelhança dos sintomas.

Demência Vascular

Está relacionada com os problemas de circulação do sangue e é o segundo tipo de demência mais comum. Dentro da demência vascular, existem dois tipos: multienfartes cerebrais e a doença de Binswanger.

A primeira está associada ao Acidente Vascular Cerebral, mais especificamente a pequenos enfartes cerebrais, também conhecidos como acidentes isquémicos transitórios. Menos comum, a segunda forma deste tipo de demência é causada, sobretudo, pela hipertensão arterial, estreitamento das artérias e por uma circulação sanguínea deficitária.

A demência vascular pode ter várias parecenças com a doença de Alzheimer e em algumas pessoas é possível mesmo surgir um quadro combinado destes dois tipos de demência.

Doença de Parkinson

Trata-se de uma perturbação progressiva do sistema nervoso central. Caracteriza-se por tremores, rigidez dos membros e articulações, problemas na fala, entre outros. Numa fase mais avançada da doença, algumas pessoas podem desenvolver demência.

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Demência de Corpos de Lewy

Esta forma de demência caracteriza-se pela degeneração e morte das células cerebrais. O nome está relacionado com a presença de estruturas esféricas anormais, denominadas por corpos de Lewy, que se desenvolvem dentro das células cerebrais e que se pensa poderem contribuir para a morte destas.

Quem tem este problema pode ter alucinações visuais, rigidez ou tremores e a sua condição física tende a oscilar rapidamente, de hora para hora ou de dia para dia.

Demência Frontotemporal (DFT)

Este é um conjunto de demências em que se dá a degeneração de um ou de ambos os lobos cerebrais frontal ou temporais. Neste grupo incluem-se a Demência Frontotemporal, Afasia Progressiva Não-fluente, Demência Semântica e Doença de Pick. Cerca de 50% das pessoas com DFT têm historial familiar da doença.

Doença de Huntington

Esta doença é degenerativa e hereditária, afetando o cérebro e o corpo e começa por surgir, habitualmente, entre os 30 e os 50 anos. Caracteriza-se pelo declínio intelectual e movimentos irregulares involuntários dos membros ou músculos faciais. Na maioria dos casos, a pessoa desenvolve demência.

Demência provocada pelo álcool (Síndrome de Korsakoff)

O consumo excessivo de álcool, sobretudo se estiver associado a uma dieta pobre em vitamina B1 (tiamina) pode levar a danos cerebrais irreversíveis. Esta síndrome afeta a memória, planeamento, organização e discernimento, competências sociais e equilíbrio. Tomar vitamina B1 (tiamina) parece ajudar a prevenir e a melhorar esta condição.

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Doença de Creutzfeldt-Jacob

É uma perturbação cerebral fatal, mas muito rara. A sua incidência por ano é de 1 caso por cada milhão de pessoas. Nos primeiros sintomas estão incluídos falhas de memória, alterações do comportamento e falta de coordenação.

Como tratar?

Num conjunto de patologias como este, em que em muitos casos há uma progressão rápida da doença e não existe cura, é muito importante um rápido diagnóstico para que seja possível iniciar a medicação e tentar melhorar a qualidade de vida do doente.

O apoio dos familiares é fundamental. Esta ajuda pode fazer a diferença na forma de lidar com a doença.

O papel dos cuidadores

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Um termo muito associado a este tipo de patologia é o de “cuidadores”, que geralmente são pessoas ligadas ao doente, como familiares. Nestes casos, é muito importante não só o apoio a quem sofre de demência, mas também ao cuidador que vive momentos de angústia e de stress.

Para dar apoio a estas pessoas, a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos dos doentes de Alzheimer desenvolveu o Manual do Cuidador, um documento que explica, com maior detalhe, o que é a demência e as diferentes fases pelas quais o doente vai passar e quais os principais cuidados a ter.

Como prevenir?

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Dependendo do tipo de demência, há algumas ações que se podem levar a cabo para evitar ou retardar o seu aparecimento.

Na Demência Vascular, é possível prevenir, por exemplo, através de uma combinação de medicamentos para evitar novos enfartes cerebrais. No caso da doença de Alzheimer, a prevenção passa pela adoção de um estilo de vida saudável, alimentação equilibrada, exercício físico regular, controlo adequado da hipertensão arterial, entre outros.

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