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Depressão sazonal: verdade ou mito?

A depressão sazonal afeta pessoas que todos os anos apresentam um padrão regular de tristeza, tipicamente no outono e no inverno, e deve ser levada a sério.

Depressão sazonal: verdade ou mito?
10 a 20% dos casos de depressão seguem um padrão sazonal

Quando entra o horário de inverno, os dias ficam mais curtos e mais frios e, diante destas alterações, quase todos nós ficamos mais desanimados e frustrados. Mas esta situação torna-se verdadeiramente preocupante para quem sofre de depressão sazonal. Sim, não é mito: esta patologia existe mesmo.

Psicologicamente, o facto de as pessoas não estarem expostas ao sol o tempo suficiente pode ter um grande impacto ao nível da boa disposição, humor e bem-estar. Por exemplo: quanto mais a norte se vive, no caso da Europa, mais afastado um país se encontra da linha de Equador, logo, maior é o risco de desenvolver esta patologia.

Então, o humor pode ser sazonal? A sazonalidade está presente quando o humor e o comportamento variam em função da estação do ano. Há pessoas que apresentam, de facto, um padrão de sazonalidade patológico: a perturbação afetiva sazonal/depressão sazonal.

A perturbação ocorre tipicamente no outono e no inverno, com remissão completa (desaparecimento) na primavera ou verão, mas pode ocorrer noutras alturas do ano.

Assim sendo, os doentes apresentam uma depressão que começa e termina numa estação do ano específica e com remissão completa durante as outras estações do ano. Apesar de ser uma perturbação limitada no tempo, tal não quer dizer que os doentes não sofram repercussões significativas dos sintomas depressivos. Vamos descobrir mais sobre o assunto?

Depressão sazonal: principais características


depressão sazonalFonte: Pixabay/Rychvalsky

Para o diagnóstico de depressão sazonal ser decretado, devem estar presentes as seguintes características:

  • Haver uma relação temporal regular entre o início dos episódios depressivos e determinada estação do ano;
  • Haver remissões completas em épocas características do ano;
  • Terem ocorrido dois episódios depressivos nos últimos dois anos, que comprovam a relação temporal sazonal.

Sintomas de depressão sazonal

  • Humor depressivo;
  • Irritabilidade;
  • Ansiedade;
  • Sentimentos de culpa e desvalorização;
  • Fadiga;
  • Insónia ou hipersónia;
  • Mudanças no apetite;
  • Alterações no peso;
  • Desconcentração;
  • Ideias de morte ou de suicídio;
  • Diminuição da líbido.

Causas

As causas da depressão sazonal ainda são incertas, apesar de existirem várias teorias. Contudo, alguns fatores parecem estar envolvidos:

a) Predisposições genéticas;

b) Ritmo circadiano: reduzida quantidade de luz natural causa mudanças no ritmo circadiano, afetando o humor, os níveis de energia, o sono, o apetite e a atenção; a reduzida luz solar durante os meses de outono e inverno interfere com o ritmo circadiano e pode causar a descida dos níveis de serotonina, neurotransmissor que afeta o humor e o bem-estar;

c) Níveis de melatonina: as pessoas com depressão sazonal têm excesso de produção de melatonina; nos dias de inverno, mais escuros, a produção de melatonina aumenta e as pessoas com depressão sazonal sentem-se sonolentas e apáticas;

d) Sensibilidade retiniana à luz: ausência da adaptação sazonal da retina aos baixos níveis de luz do Inverno;

e) Disfunção de neurotransmissores: a combinação da descida dos valores de serotonina e do aumento dos de melatonina tem impacto no ritmo circadiano;

f) Carência de vitamina D: os níveis de vitamina D flutuam no organismo sazonalmente, relacionando-se com a disponibilidade de luz; ou seja, níveis baixos de vitamina D observam-se em pacientes deprimidos.

Tratamento

O tratamento pode incluir:

  • Medicamentos antidepressivos;
  • Psicoterapia (dar ferramentas aos doentes para pensarem de modo diferente perante os obstáculos e as situações negativas);
  • Fototerapia (tratamento não farmacológico que expõe os pacientes a luz artificial);
  • Dieta (ingestão de vitamina D; suplementação com ácidos gordos ómega 3);
  • Exercício físico;
  • O aumento da exposição solar pode melhorar os sintomas, por exemplo, através de caminhadas no exterior.
  • A prática de exercício físico regular e de técnicas de relaxamento também são recomendadas.

O tratamento pode melhorar estes sintomas e pode ser usado como profilaxia (como prevenção) antes dos meses de outono e inverno.

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Ana Graça Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Além da Psicologia. é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que traga mais felicidade!