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5 dicas para gastar melhor o reembolso do IRS

Para manter as suas finanças saudáveis pode usar o reembolso do IRS da forma mais racional possível. Conheça 5 sugestões.

5 dicas para gastar melhor o reembolso do IRS
A rubrica de Pedro Andersson (Contas Poupança) no E-Konomista

A resposta que tenho é aquela que provavelmente não quer ouvir. Muitos usam o reembolso do IRS para pagar o IMI, para pagar os seguros do carro, para pagar uma dívida que contraíram ou simplesmente para gastar em férias, numa televisão ou telemóveis novos ou noutro equipamento qualquer.

Nada disto merece qualquer crítica, porque cada um gasta o seu dinheiro como quer. Mas gostava de lhe mostrar que para manter as suas finanças saudáveis e deixar de ter muitas destas preocupações pode usar o reembolso do IRS da forma mais racional possível. Vou dar-lhe 5 sugestões. Depois avalia.

5 dicas para gastar melhor o reembolso do IRS

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1. Pague ou amortize os seus créditos com juros mais altos

Não há melhor estratégia de poupança do que acabar primeiro com as dívidas. Todas. Se não tiver dívidas pode concentrar-se totalmente em investir o que poupar. Caso não possa acabar com todas, comece com as que têm juros mais altos.

No topo da lista, estão os cartões de crédito. Têm juros dos 14% aos cerca de 30%. Enquanto estiver a pagar mensalidades de cartão de crédito esqueça qualquer intenção de poupança. Bem pode poupar – com todos os sacrifícios – que o cartão de crédito vai engolir todo esse esforço. Amortize o Crédito Automóvel e o Crédito Pessoal (veja as taxas de o fazer). O Crédito à habitação é a única exceção que vejo. Como o juro é tão baixo e é pago durante tanto tempo, uma pequena amortização não vai fazer grande diferença no seu orçamento familiar.

2. Fundo de emergência

Esta devia ser uma das maiores prioridades dos portugueses. Se não está endividado, deve ser mesmo a sua primeira opção. Os especialistas em Finanças Pessoais aconselham a ter entre 6 meses a 1 ano das suas despesas mensais guardados numa conta facilmente acessível a qualquer momento. E esse dinheiro é “sagrado”. Não se mexe nele. É como se não existisse. Se tem 500 euros de despesas mensais fixas, deve ter uma reserva de 1.500 euros a 3 mil euros numa conta bancária ou onde entender. Estes são valores por baixo. Obviamente, deveria ser maior, mas se tiver este valor já não é mau. Significa que teve um objetivo e que o atingiu.

3. Certificados do Tesouro Poupança Crescente

Se os juros que os bancos lhe oferecem lhe parecem quase ofensivos, tem algumas alternativas (poucas) fora dos bancos. O Estado tem alguns produtos financeiros que rendem um pouco mais. Os Certificados já tiveram bons rendimentos, mas à medida que o tempo passa e a economia vai voltando ao normal (e o acesso do Estado ao financiamento lá fora também) as taxas de juros têm vindo a baixar drasticamente. O Estado já não tem de nos pagar tão bem para ter acesso a dinheiro. Temos de viver com isso. Foi bom enquanto durou.

No caso dos Certificados do Tesouro Poupança Crescente (o produto do Estado mais apetecível para os pequenos aforradores), a taxa de juro é – numa média de 7 anos – de 1,38% brutos, mais um prémio de acordo com o crescimento do PIB português. É melhor de certeza do que ter o dinheiro na maior parte dos depósitos a prazo nos bancos e com a vantagem da sua poupança estar garantida pelo Estado. Só se Portugal falir é que perderá parte ou a totalidade do dinheiro. É improvável.

4.  Fundos de Investimento

Se está disposto a arriscar um pouco do seu dinheiro para ter um rendimento maior, pense em investir parte do seu reembolso de IRS ou dos subsídios em Fundos de Investimento. São conjuntos de ações que são geridos por empresas especializadas. Não somos nós que compramos ações. Nós entregamos o dinheiro e eles compram e vendem conforme as indicações do Fundo que subscrevemos: há fundos de ações, obrigações, mistos, flexíveis, agressivos, etc.

Nos Fundos, o capital não é de todo garantido. Pode perdê-lo em parte ou na totalidade, conforme as marés nas bolsas nacionais e mundiais, por isso convém que seja dinheiro que não lhe faça falta para outras coisas. Digo que pode perdê-lo, mas isso só acontece verdadeiramente se se assustar e decidir desfazer-se desses fundos, ou se precisar com urgência do dinheiro mesmo sabendo que no momento do resgate ele está em valor negativo.

A rentabilidade chega a ser de 5, 6 ou 7% ao ano ao fim de 5 anos ou até de 15 ou 20% se decidir investir em Fundos de risco muito elevado. Nestes últimos, tanto pode ganhar muito como perder muito. Historicamente, nunca ninguém perdeu indefinidamente com Fundos de Investimento, mas o que aconteceu no passado não é garantia de que aconteça no futuro. É mais uma opção. Leia o folheto de cada fundo para ver se não têm comissões de subscrição e de resgate.

5.  IMI e seguros

“Isso de poupar é muito bonito mas eu preciso desse dinheiro para pagar o IMI e os seguros dos carros”. Por um lado é bom, porque está a tentar gerir as suas despesas de forma a não deixar de os pagar. Mas por outro revela que há qualquer coisa que não está bem.

Repare: Está a fazer depender despesas certas (corrijo, mais do que certas) de uma receita incerta no valor e na data. Não imagina a quantidade de pessoas que conheço que entregam a Declaração de IRS logo nos primeiros dias (com pressa e com erros que as prejudicam) na expectativa de receberem o reembolso o mais depressa possível para terem dinheiro ainda a tempo de pagar o IMI (cuja prestação tem de ser paga em Abril). Isto não é boa gestão.

E se há um erro na Declaração? E se o Estado tem um bug qualquer que impede o reembolso rapidamente? É que o prazo para a devolução termina a 31 de Agosto.

Se quer ir por aí, não seria melhor, por exemplo, retirar o dinheiro do IMI do subsídio de Natal em Dezembro do ano anterior? E até pode ficar a render juros numa conta a prazo durante 4 meses. Não acha que evitava esse stress todo? É só uma questão de planearmos as despesas ao longo do ano. E o reembolso do IRS em vez de ir para o IMI, fica guardado para os seguros do carro mais à frente ou para as despesas do regresso às aulas.

Portanto, em resumo: Há opções muito racionais para usar ou investir o dinheiro do seu reembolso do IRS. Se quiser ter uma visão menos rigorosa destas sugestões, use metade do reembolso para melhorar as suas finanças e a outra metade para fazer o que lhe der mais gozo. Mas pelo menos, pense nestas opções. Há mais, mas estas já lhe dão que pensar. Pense sobretudo onde quer chegar no futuro e não apenas no que lhe apetece no presente.

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Pedro Andersson Pedro Andersson

Pedro Andersson é jornalista e responsável pela rubrica Contas-poupança, no Jornal da Noite da SIC. Trata semanalmente de temas ligados às finanças pessoais, poupança e direitos dos consumidores. Trabalhou na Rádio TSF, até ser convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. Escreve também regularmente no Expresso e na Visão sobre temas de poupança.