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Tudo sobre a doença de Crohn

Causas, sintomas e possíveis tratamentos. Portugal tem assistido a uma crescente incidência da doença de Crohn e é sobre ela que vamos falar.

Tudo sobre a doença de Crohn
Conheça a doença que afeta o tracto intestinal

A doença de Crohn consiste numa doença inflamatória crónica do intestino, não contagiosa. A inflamação pode afetar qualquer parte do tubo digestivo, desde a boca até ao ânus, mas as zonas mais frequentemente envolvidas são as porções terminais do intestino delgado e o intestino grosso (cólon, reto e ânus).

Ao contrário da Colite ulcerosa, esta doença envolve toda a parede do órgão e não apenas a camada de revestimento interno.

A doença de Crohn é uma situação crónica que pode reaparecer por surtos, durante toda a vida. Alguns doentes têm longos períodos sem qualquer sintoma, podendo este período durar anos! Não existe ainda qualquer forma de prever o quando e o porquê dos sintomas voltarem a aparecer.

Esta doença afeta sobretudo jovens e adultos, com idades entre os 16 e os 40 anos e não tem qualquer prevalência em termos de género, afetando por igual homens e mulheres.

A doença de Crohn e uma patologia similar chamada colite ulcerosa são, habitualmente, agrupadas como doença inflamatória do intestino.


Quais as possíveis causas da doença de Crohn?

Na verdade, ainda está por desvendar qual a causa desta doença. Pensa-se que a doença de Crohn possa ser causada pela existência de um determinado fator (vírus ou bactéria) que provoque uma resposta imunológica do organismo. Esta resposta imunológica vai, posteriormente, provocar inflamação do intestino, mesmo quando o agente causador já não está presente.

Além disso, parece haver alguma ligação com a herediariedade, uma vez que cerca de 20% de pacientes com Crohn têm um familiar (irmão, irmã, pai, mãe ou filho) com alguma forma de doença inflamatória do intestino.

Existem ainda outros fatores de risco:

  • Idade (a doença desenvolve-se geralmente antes dos 30 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade);

  • História familiar;

  • Tabaco (não só aumenta o risco de desenvolver a doença como a torna mais grave, pelo que todas as pessoas com o diagnóstico de Doença de Crohn devem parar de fumar);

  • Local de habitação (mais comum em indivíduos que residam em zonas urbanas de países industrializados).


Quais os sintomas da doença de Crohn?

Uma vez que a doença pode afetar qualquer parte dos intestinos, os sintomas variam muito de pessoa para pessoa e de caso para caso. No entanto, é possível elencar os sintomas mais comuns:
 
  • Dor ou cólica abdominal,
  • Diarreia,
  • Febre,
  • Emagrecimento,
  • Distensão abdominal,
  • Dor ou escorrência anal,
  • Lesões cutâneas,
  • Abcessos ano-rectais,
  • Fissuras,
  • Artrite.
Existem ainda alguns doentes que sofrem deste problema mas não apresentam qualquer destes sintomas, alguns podendo mesmo nunca os manifestar.
 

Tratamento

Antes de tudo, é necessário ter em conta que esta doença é uma doença que não tem cura. É possível, sim, controlá-la e aliviar os seus sintomas. Este controlo passará sempre pelo recurso a um médico especializado, que lhe indicará o tratamento mais adequado ao seu caso em específico.

A primeira linha de tratamento passa pelo recurso a medicamentos. A mesalazina e os corticóides são utilizados na fase aguda quando os sintomas são mais graves.

Também a alimentação é um fator a ter em conta. A maioria dos doentes com Doença de Crohn pode fazer uma alimentação normal e sem restrições alimentares, exceto nos períodos em que ocorre diarreia, devendo nessa altura efetuar uma dieta pobre em fibras e que não contenha lactose.


Casos mais complexos

Em situações mais avançadas ou complicadas, poderá ser recomendada uma cirurgia. Existem alguns casos urgentes em que a cirurgia se torna imprescindível, como quando ocorrem complicações como perfuração ou obstrução intestinal ou hemorragia significativa.

Noutras situações menos urgentes, mas não menos dolorosas - formação de abcessos, fístulas, atingimento ano-retal severo ou persistência da doença apesar de tratamento médico - poderá também ser necessário recorrer a uma intervenção operatória.

Cerca de três quartos dos doentes acabam por necessitar de recorrer à cirurgia como forma de tratamento. No entanto, nem todos os doentes com estas ou outras complicações necessitarão de ser operados, devendo a decisão ser sempre tomada em conjunto com o seu gastroenterologista e cirurgião colo-retal.

Embora a cirurgia não seja «curativa», muitos doentes apenas necessitam de ser intervencionados uma vez. A intervenção consiste numa ressecção limitada ou plastia do segmento intestinal doente, preservando-se o máximo de intestino possível. Após a operação, o paciente sente um alívio verdadeiro a longo prazo, reduzindo ou por vezes até eliminando a necessidade de recorrer à primeira linha de terapia - o recurso a medicamentos.
 

Em termos de prevenção, infelizmente não é possível prevenir esta doença, sendo apenas possível prevenir ou retardar o aparecimento da sintomatologia associada.

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