Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica: o diagnóstico

Em Portugal, mais de meio milhão de pessoas vive com uma patologia que pode ser evitada. A sua principal causa? O tabaco.

Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica: o diagnóstico
500 mil portugueses sofrem de DPOC

Ela age silenciosamente enquanto se prepara para nos dar o peso dos seus efeitos. Imagine a seguinte situação: de repente, sem ter estado atento a sinais simples, sente que tem o dobro da idade. Respirar já não é uma função natural e involuntária. Passou agora a ser uma necessidade física pela qual procura a cada instante. A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é uma realidade crescente em Portugal, mas sabe-se que é possível evitá-la com uma medida simples: deixar de fumar.

O que aconteceria se não pudéssemos comer ou saciar a sede? A resposta é curta e simples: morreríamos. Então já imaginou como seria ter de lutar para respirar? E se, por estarmos constantemente sufocados, um simples espirro bem conseguido fosse um sinal de vitória sobre o corpo? Mas afinal, o que é Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica e como a podemos evitar?


Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica: o que é?

Uma verdadeira destruidora. É assim que a doença pode ser classificada. Ela é caracterizada por uma obstrução no aparelho respiratório, que dificulta a entrada e saída de ar através das vias aéreas. Quando a doença se instala no organismo, a pessoa afetada apresentará dificuldade em realizar a mais comum das tarefas diárias. 
 


Os números

Os números mostram que ela é a quarta causa de morte nos países mais desenvolvidos, podendo passar a terceira em 2020, de acordo com as previsões. Dados recentes da European Lung Foundation mostram que a patologia provocou até 300 mil mortes na Europa – e estes são números anuais. Um resultado assustador que serve de alerta para prevenir uma doença respiratória que não tem cura.
 


A grande causa

O número de fumadores portugueses é um sinal claro de que prevenir esta patologia ainda não é uma prioridade a ter em conta pela maior parte da população. A verdade é que a doença pulmonar obstrutiva crónica tem como principal causa o tabagismo e, por isso mesmo, os médicos afirmam que a situação pode ser evitada. 
Estima-se que 85% dos casos diagnosticados como doença pulmonar obstrutiva crónica tenha como causa o tabagismo. Agora que sabe como evitar este mal, a informação faz diferença para si? Espera-se que a resposta seja afirmativa. 

Existe ainda o fator hereditário, que embora seja uma realidade, representa uma fatia minoritária dos casos da doença. A condição “herdada” caracteriza-se por um deficit na proteína Alfa-1 Antitripsina. Isto faz com que aconteça uma redução nas defesas do aparelho respiratório, e por isso o organismo é mais afetado pelos malefícios provocados pelo consumo de tabaco.  Este tipo de situação representa cerca de 2% dos diagnósticos e a doença manifesta-se precocemente, entre os 20 e os 30 anos.
 


Os sintomas

A DPOC tem tendência a ser assintomática durante a maior parte da sua evolução natural, o que quer dizer que ela vai evoluir silenciosamente enquanto a obstrução das vias aéreas se instala de forma progressiva. Regra geral, a doença é diagnosticada numa fase avançada, altura em que o doente passa a estar atento aos sintomas mais claros e que exigem ser mais valorizados. 

Uma tosse com expetoração que seja crónica é, muitas vezes, ignorada pelo doente e isso acontece porque o fumador acredita que esta é uma forma encontrada pelo organismo para se defender contra o fumo do tabaco. As pessoas afetadas chegam, de facto, a acreditar que este sintoma é um meio para eliminar as impurezas inerentes ao cigarro. Esta é a fase em que a doença parece agir silenciosamente enquanto o doente a ignora.

O passo seguinte da doença pulmonar obstrutiva crónica é provocar cansaço respiratório e dispneia, que é a falta de ar momentânea. É quando este elevado grau de obstrução crónica se apresenta que o doente procura ajuda médica.
 


Como tratar?

A principal receita para tratar a doença pulmonar obstrutiva crónica, para além da medicação indicada, consiste em investir numa reabilitação do sistema respiratório através da prática de exercício físico, com treinos orientados para cada caso, tendo em conta o resultado da espirometria. Doentes diagnosticados com a doença no estádio quatro, o mais elevado, podem mesmo não conseguir comer, calçar os sapatos, vestir-se ou pentear-se. Neste caso, são eles os mais beneficiados com os programas de reabilitação, uma vez que retomam atividades básicas do dia a dia e conseguem ter uma vida funcional. 

No caso da medicação, a terapêutica comum para combater a obstrução consiste em utilizar broncodilatadores. Isto provoca uma grande sensação de alívio dos sintomas no doente e permite que leve uma vida quase normal. O objetivo será sempre chegar o mais próximo possível da normalidade respiratória, sabendo que não é possível fazer os sintomas desaparecerem por completo. 

Quando se esgotam as terapêuticas e a doença atinge uma fase avançada, com risco de morte para o doente, este passa a ser um candidato viável ao transplante de pulmão. 
 


Como diagnosticar a doença?

Por ser uma doença anunciada, ou seja, basta ser fumador para ter a possibilidade de desenvolvê-la, é necessário estar atento. E pertence ao grupo de risco e sente qualquer sinal de cansaço sem motivo aparente, ou uma tosse que não quer ir embora, o ideal é procurar um especialista. 

Estima-se que em trinta anos esta seja uma das maiores causas de morte por cancro no pulmão, e como o fumo do tabaco está a aumentar entre as mulheres, elas serão as mais afetadas pela doença. A principal arma para evitar este cenário é educar para que os mais jovens não se tornem novos fumadores, e fazer com que os mais velhos abandonem o vício. Para além disso, os médicos querem sensibilizar para a necessidade de um passo essencial para o diagnóstico precoce: a espirometria, exame que mede a capacidade respiratória.

Veja também: