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Gaguez: saiba tudo sobre esta perturbação da comunicação

A gaguez é uma rutura no ritmo da fala. A pessoa sabe o que quer dizer, mas é incapaz de o fazer. Vamos aprender tudo sobre a gaguez e desvendar 5 mitos.

Gaguez: saiba tudo sobre esta perturbação da comunicação
Estima-se que haja 100.000 pessoas com gaguez em Portugal

A gaguez afeta a comunicação com os outros causando, muitas vezes, confusão e frustração, não só para a pessoa que gagueja mas também para o ouvinte.

Gaguez: o que é?


É uma perturbação da comunicação em que a pessoa sabe exatamente o que quer dizer mas o seu discurso é caraterizado por interrupções involuntárias.

Essas interrupções podem ser repetições, bloqueios, prolongamentos ou pausas no discurso. Para além disso, podem existir outros sintomas associados: movimentos involuntários (cabeça, lábios, olhos, entre outros) e tensão física.

Para além dos sintomas físicos e das alterações do discurso, quem sofre desta patologia apresenta, em alguns momentos, sintomas emocionais: sentimentos de frustração, inferioridade e de perda de controlo.

A grande maioria dos casos surge na infância, especialmente no seu período inicial, às vezes até mesmo antes dos 18 meses de idade.

Causas


Relativamente às causas desta patologia, a posição mais consensual aponta para causas multifatoriais, ou seja, não existe uma causa única:

  • Base genética: 60% das pessoas com gaguez têm um familiar com gaguez nas suas famílias;
  • Base neurológica: pessoas que gaguejam usam áreas neuronais distintas de pessoas que não gaguejam;
  • Base psicossocial: exigências do meio envolvente; forma como a própria família lidou com a gaguez; desenvolvimento linguístico na infância.

Fatores de risco e remissão da gaguez

  • Idade de início: existe uma probabilidade mais elevada de remissão da gaguez em crianças que começam a gaguejar antes dos 3 anos;
  • Duração: 75% a 80% das crianças que passam por uma remissão espontânea gaguejam por um período com duração aproximada de 6 a 12 meses; quando a gaguez ultrapassa os 12 meses a probabilidade de remissão diminui;
  • Desenvolvimento da linguagem: crianças que apresentam competências linguísticas abaixo da média apresentam menor probabilidade de remissão.

Tratamento


tratamento da gaguez

Não há curas milagrosas para este problema da comunicação, mas existem várias metodologias de intervenção que têm muito sucesso.

Idealmente, a intervenção deve ser sempre o mais precoce possível. Quanto mais velha for a pessoa e quanto mais antiga for a gaguez, mais difícil será o tratamento, necessitando de mais tempo, técnicas e esforço, sendo que será muito mais difícil eliminá-la por completo.

A terapia da fala desempenha o papel primordial no tratamento, treinando importantes exercícios de fala com as pessoas que apresentam gaguez.

Estes exercícios passam por dar a entender à pessoa o seu problema e realizar exercícios de respiração e de produção de sons específicos. Para tal, são utilizadas técnicas como repetição lenta de palavras, listas de palavras foneticamente semelhantes, prolongamentos de vocais, entre outras.

5 mitos sobre gaguez nos quais devemos deixar de acreditar


1) Estas pessoas conseguem falar sem gaguejar se se esforçarem: ERRADO! São comportamentos involuntários que a pessoa não consegue controlar;

2) Pessoas que gaguejam são ansiosas, tímidas e inseguras: ERRADO! Não são mais nem menos tímidas, inseguras ou ansiosas do que qualquer outra pessoa sem gaguez;

3) O nervosismo, um trauma ou um susto são as causas desta patologia: ERRADO! Apesar de não haver uma causa única, a gaguez deve-se à combinação de fatores genéricos, neurológicos e psicossociais;

4) Tal como apareceu do nada, a gaguez também desaparece do nada: ERRADO! É pouco provável que a gaguez desapareça após persistir mais de um ano, na adolescência ou no adulto;

5) Ajuda dizer à pessoa que gagueja: “respira fundo”, “pensa antes de falar”: ERRADO! Estes conselhos só vão fazer com que a pessoa se sinta mais consciente acerca das suas dificuldades; quando põe estes conselhos em prática frustra-se porque não resultam.

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Ana Graça Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Além da Psicologia. é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que traga mais felicidade!