7 histórias de obras de arte envolvidas em mistério

Num poema de Alberto Caeiro lê-se que “o único mistério é haver quem pense no mistério”. Há histórias de obras de arte que fazem deste verso a mais pura verdade.

7 histórias de obras de arte envolvidas em mistério
Histórias que perpetuam o carácter enigmático de algumas obras de arte

As imagens valem mais do que mil palavras exatamente porque nos conseguimos identificar com elas, mesmo sem conseguir traduzir para palavras (tudo) o que nelas vemos e sentimos.
 
Parece ser esta proximidade ou esta familiaridade que nos cativa, sobretudo os mistérios que guardam. Muito para além da dimensão estética – aquela que nos leva a gostar mais deste ou daquele estilo artístico – há uma dimensão conceptual que ativa a nossa sensibilidade, curiosidade, mas sobretudo o pensamento.
 
As histórias de obras de arte que aqui lhe apresentamos são alvo de muitas especulações da parte dos críticos, historiadores e especialistas em geral – e ainda bem.
 

7 histórias de obras de arte envolvidas em mistério 

 

1. “O Jardim das Delícias Terrenas” (1503-1515)

Esta obra de Hieronymus Bosch é, provavelmente, o tríptico mais famoso de sempre. De forma geral, retrata o céu, a terra e o inferno ou as tentações da vida e, perante a obra, muitos são os detalhes para ver e descobrir.

Especialistas afirmam que parece haver uma alusão intrincada à música. Para além de haver diversas referências a instrumentos musicais, há, no painel referente ao inferno, partituras de uma melodia misteriosa – que inclusive já pode ser ouvida na internet. Ninguém consegue explicar as razões que terão levado o artista holandês a povoar esta obra com referências musicais, intensificando o mistério.
 

 


2. “Mona Lisa” (1503)

De todas as histórias de obras de arte envolvidas em mistério , esta é a mais paradigmática. A história encarregou-se de envolver em mistério tudo o que está relacionado com esta obra em particular e com o seu autor, Leonardo Da Vinci. Provavelmente por ser considerado um génio e um homem das mil artes – já que foi artista, arquiteto, engenheiro, cientista, matemático (e a lista não termina por aqui). 
 
Em relação a esta obra em particular, muito se especula se a Mona Lisa é um auto-retrato do artista, o retrato de Lisa Gheradini, também conhecida por Lisa Del Giocondo, esposa de um comerciante de têxteis ou ainda de Gian Giacomo Caprotti com quem, alegadamente, Da Vinci teve um caso amoroso.
 
 
 

3. “A Criação de Adão” (1511)

Esta obra de Miguel Ângelo, fresco que faz parte da pintura do tecto da Capela Sistina no Vaticano é extremamente simbólica. Corresponde ao momento em que Deus cria, dá vida ao Homem. Especialistas norte-americanos acreditam que nesta obra há referências à anatomia, nomeadamente à anatomia do cérebro.
 
A representação da figura de Deus encontra-se envolto num panejamento, num manto, que faz uma clara alusão à forma de um cérebro e no qual se conseguem identificar as formas do cerebelo, do nervo óptico e da hipófise. Há ainda um outro manto, verde, que os mesmo especialistas afirmam ter a forma da artéria vertebral.


 


4. “Provérbios Flamengos” (1559)

Nesta obra de Peter Bruegel um conjunto de pessoas representa, digamos assim, diversos provérbios. Ninguém conhece a razão que levou o artista a realizar esta obra, mas, na nossa opinião, é bastante interessante. Alguns dos provérbios aqui representados ainda são bastante utilizados, nomeadamente: “nadar contra a corrente”; “armados até aos dentes” ou “ bater com a cabeça  numa parede de tijolos”.


 


5. “Las meninas” (1656)

Esta famosa obra do pintor espanhol Diego Velásquez é uma verdadeira caixinha de surpresas. São vários os enigmas que povoam a obra.  O espaço fechado que delimita o ideal renascentista do horizonte a perder de vista; o facto de se conseguir identificar as figuras que fazem parte do quadro à exceção de uma – a figura feminina mais à direita do quadro; se é um auto-retrato do artista ou o retrato dos reis de Espanha, Filipe IV e esposa, que se vislumbram no espelho.

 


6. “Un bar aux Folies Bergère” (1882)

Esta é uma das obras de Édouard Manet que marca uma viragem em direção ao âmago da Modernidade. A representação de uma cena mundana e a verdade bidimensional do quadro são algumas das características da obra deste artista. O enigma propriamente dito é a figura masculina que aparece no canto superior direito do plano do quadro. Especula-se que seja um auto-retrato de Manet.






7. “La Trahison des images” (1929)

René Magritte é uma das figuras incontornáveis do Surrealismo. Grande parte da sua obra é um verdadeiro enigma e merecedora de constar nesta lista de histórias de obras de arte envolvidas em mistério. Esta obra em particular remete para essa metalógica das imagens, um sentido de desrealização daquilo que pretende representar. Sim, de facto não é um cachimbo, é a representação de um cachimbo.



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