A homossexualidade não é uma escolha, também não uma doença!

O tema ainda é tabu. Não adianta fugir! É do interesse de todos descomplicar o assunto para termos uma abordagem saudável.

A homossexualidade não é uma escolha, também não uma doença!
A orientação sexual é estabelecida numa idade muito precoce

Homossexualidade é a característica, condição ou qualidade de uma pessoa que sente atração física e/ou emocional por outra do mesmo sexo ou género.

Enquanto orientação sexual, a homossexualidade refere-se a “um padrão duradouro de experiências sexuais, afetivas e românticas” principalmente ou exclusivamente entre pessoas do mesmo sexo. O indivíduo desenvolve a sua identidade pessoal e social com base nessas atrações, manifestando comportamentos e aderindo a uma comunidade de pessoas que compartilham da mesma orientação sexual.

Uma mulher que é atraída principalmente por mulheres é chamada Lésbica. Um homem que se sente sexualmente atraído por outros homens é Homossexual (gay). Uma pessoa que sente atração por ambos os géneros é Bissexual.

Esta condição, esta orientação sexual, também se regista entre os animais. Em cerca de 500 espécies de animais, devidamente estudada e comprovada, a homossexualidade ocorre em seres tão diversos como os mamíferos e as aves, por exemplo.

Nos seres humanos, a prevalência é difícil de determinar, dependendo da cultura e das normas vigentes de cada país em relação ao assunto.

Homossexualidade: o que determina a orientação sexual de alguém?

Ainda não é conhecida a causa da homossexualidade. No entanto, é comum a aceitação que a orientação sexual é estabelecida numa idade muito precoce e pode ter alguma dinâmica ao longo da vida de uma pessoa.

Na adolescência, no desenvolvimento do seu quadro normal, a criança explora e experimenta a sua sexualidade, amadurecendo e definindo a sua identidade sexual.

casal homossexual

A homossexualidade não é uma escolha!

Até 1973, a homossexualidade era considerado um transtorno mental. Nesta data, o psiquiatra Robert Spitzer, pai da classificação moderna das doenças mentais, derrubou este mito. Nos seus estudos e pesquisas, o médico determinou que a homossexualidade não era uma doença desde que os homossexuais se sentissem confortáveis com sua sexualidade, valendo a mesma lógica para os heterossexuais.

A orientação sexual acontece, no percurso individual de cada ser humano, não se tratando de uma escolha.

Robert Spitzer, conseguiu firmar um acordo no qual ficava estipulado que, para descrever pessoas cuja orientação sexual, seja homossexual ou heterossexual, lhes causava angústia, o diagnóstico passaria a ser o de “distúrbio de orientação sexual”.

Foi por esta altura que a Associação Americana de Psiquiatria e a Associação Americana de Psicologia deixaram de considerar a homossexualidade um transtorno mental e que em nada prejudica a sociedade.

Em 1999, o Conselho Federal de Psicologia, estabeleceu regras para a atuação dos psicólogos em relação às questões de orientação sexual, declarando que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão” e que os psicólogos não colaborariam com eventos e serviços que proponham tratamento e/ou cura da homossexualidade.

No dia 17 de maio de 1990, a Assembleia-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais, a Classificação Internacional das Doenças (CID), sendo que a data passou a ser celebrada como o Dia Internacional contra a Homofobia. Por fim, em 1991, a Amnistia internacional passou a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos.

Face à homossexualidade e à sua trajetória isenta de escolha, a sua manifestação pode causar baixa autoestima, sentimentos de culpa, isolamento social, vergonha, medo de rejeição ou discriminação por parte da família, dos pares e da sociedade.

Estas experiências poderão conduzir ao desajuste com manifestações comportamentais de depressão, até suicidas, com consequências lesivas no percurso de vida, na escola, no trabalho e na vida social.

Este facto traduz-se numa sensibilização emergente e consistente para tratar o tema sem tabu na família e para além das portas do lar. É necessário oferecer estabilidade, aceitação, segurança e conforto para superar toda e qualquer discriminação.

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Ana Luisa Santo Ana Luisa Santo

Enfermeira especializada em acupuntura e medicina tradicional chinesa. É uma apaixonada pela saúde natural e terapias alternativas, explorando ativamente formas seguras de cuidar a saúde e o bem-estar. Trabalhou no Serviço de Cuidados Intensivos do Hospital Geral Santo António, Porto. Atualmente trabalha na consulta de acupuntura do Hospital da Lapa. Docente no Instituto Jean Piaget. Enfermeira voluntária na AMI.