Lojas de penhores: solução ou dor de cabeça?

Antes de recorrer a lojas de penhores, saiba realmente o que está em jogo.

Lojas de penhores: solução ou dor de cabeça?
Como funcionam, vantagens e desvantagens

As lojas de penhores viram o seu negócio crescer nestes últimos anos de crise. Sendo uma alternativa de fácil acesso para quem precisa de dinheiro com urgência, há alguns aspetos que deve conhecer antes de optar por esta via. 

 

O que são?

As lojas de penhores emprestam dinheiro com base num objeto que é dado como garantia de pagamento do crédito pelo devedor. Existem, em Portugal, cerca de 130 lojas de penhores pelo que deve, antes de se decidir a empenhar um objeto, verificar se a loja possui alvará afixado, que lhe garante o licenciamento e cumprimento das obrigações por parte do estabelecimento. Este deverá, também, possuir seguro válido, para cobrir os riscos de perda, assalto, extravio ou incêndio dos objetos penhorados.
 

 

Vantagens

São poucas, mas existem. Por norma, quem recorre ao penhor já esgotou todas as outras possibilidades de financiamento e necessita de determinado montante com urgência, e a rapidez é, de fato, uma das vantagens associadas ao recurso ao penhor. A existência de formalidades mínimas para a obtenção do valor pretendido é outra das vantagens das lojas de penhores. É possível, em suma, obter o dinheiro de forma rápida e sem grandes questões.
 

 

Desvantagens

O recurso ao penhor, é, apesar deste imediatismo tentador, bastante desvantajoso. Começamos pela avaliação do objeto que é apresentado como garantia de pagamento do empréstimo. O valor emprestado tem, como base, o valor do próprio objeto a penhorar, ou seja a avaliação do objeto. Acontece que, não raras vezes, o valor estimado pelo prestamista é muito inferior ao valor de mercado, tornando mais difícil conseguir o montante de que efetivamente precisa. 

Outro aspeto a ter em conta antes de recorrer a lojas de penhores são as taxas praticadas. Por exemplo, num empréstimo de 200 euros a 6 meses, e supondo que o bem é avaliado em 300 euros, a taxa anual de encargos efetiva global, que reflete o custo real do crédito, pode chegar aos 50%, ou seja, ao dobro da taxa associada a um cartão de crédito. Terá ainda de pagar imposto de selo sobre a dívida e, no caso de se atrasar no pagamento do crédito, juros de mora.

Por último, e dependendo do bem que entrega como garantia (ouro, antiguidades, quadros, relógios, etc.) estas casas emprestam apenas entre 50% e 80% do valor da avaliação do mesmo.
 

 

O que acontece se falhar o pagamento do empréstimo?

Se conseguir pagar os juros atempadamente, não terá mais encargos até resgatar o bem. Caso contrário, o bem pode acabar por ser colocado à venda. Neste cenário, esta operação pode ser efetuada através de leilão, proposta em carta fechada ou através de venda direta. Do produto da venda, 11% ficam para o prestamista. 

Assim, mesmo que tenha dificuldade em pagar os juros, não deixe de o fazer por um período superior a 3 meses. No recurso a lojas de penhores, quanto mais tempo se arrastar o processo, mais caro lhe fica. Supondo que o crédito era válido por nove meses e que o valor que pretendia era de 3.500 euros, o recurso ao penhor ter-lhe-ia custado um total de mil euros, com todas as taxas referidas anteriormente.
 


Outros cuidados a ter no recursos a lojas de penhores

Se, ainda assim, pretender avançar com a alternativa das lojas de penhores, certifique-se de que visita mais do que um estabelecimento, de forma a encontrar a melhor avaliação possível para o bem que pretende penhorar. Evite penhorar bens dos quais necessite ou que tenham valor sentimental, pois poderá dar-se o caso de não os conseguir recuperar. E não se esqueça de que existem outras alternativas igualmente simples, com taxas mais leves e melhores garantias para obter aquele montante de que precisa.



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