Estudo: machismo está relacionado com problemas mentais

Estudo revela que o machismo está relacionado com problemas mentais e que quem sofre deste problema tem dificuldades em procurar ajuda.

Estudo: machismo está relacionado com problemas mentais
Homens machistas têm maior risco de sofrer de problemas mentais

Em pleno século XXI, ainda é possível observar (ou viver) comportamentos machistas. Um namorado mal-educado, um marido que não deixa a esposa falar, um companheiro que espera que a mulher faça todas as tarefas, um rapaz que insiste em correr riscos ou outro que não admite perder numa disputa. São muitas as possíveis manifestações de machismo e podem estar associadas a outros problemas mais graves.

Um estudo recente afirma que o machismo está relacionado com problemas mentais, mesmo que o comportamento não se manifeste de forma violenta. O machismo, de facto, não está relacionado apenas com agressões físicas. Na verdade, é tão abrangente que pode mesmo significar alterações no estado de saúde intelectual e psíquica dos homens.

O levantamento de dados para o estudo foi realizado na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e publicado no periódico Journal of Counseling Psychology. Os resultados mostram que homens com comportamentos machistas estão mais sujeitos a problemas de saúde mental, apontando ainda que estes raramente procuram ajuda especializada.

Estudo sobre masculinidade e machismo

Os investigadores envolvidos analisaram mais de 80 estudos, todos eles realizados durante os últimos 11 anos. Os dados, que são referentes a mais de 19 mil pessoas, abordam a saúde mental dos homens e os comportamentos que identificam determinados padrões.

O estudo considerou que alguns aspetos comportamentais e sociais comprovam os resultados, tais como a necessidade que os homens têm de ganhar numa disputa, correr riscos, controlar emocionalmente as pessoas à sua volta, mostrar mais poder do que as mulheres, dominar indivíduos e situações, ter status, colocar o trabalho no topo das prioridades e confiar apenas em si, para além de praticar a infidelidade com algum orgulho.

Um problema de educação

A análise dos cientistas deu origem a uma resposta importante: os estudiosos acabaram por descobrir que, entre os comportamentos descritos acima, três tipos estão intimamente relacionados com uma pior saúde mental. São eles: ser infiel, procurar controlar as mulheres e confiar apenas em si mesmo.

Os cientistas acreditam que a origem do problema está na educação familiar. Quando um rapaz é ensinado a não chorar para preservar a sua masculinidade e esconder vulnerabilidades que deveriam ser vistas como naturais, passa a ter mais dificuldade em desistir de algo, mesmo que seja apenas de um ponto de vista sem grande importância. Isso explica a dificuldade em assumir culpas, perdas e falhas, mas acima de tudo, em procurar ajuda psicológica profissional.

O resultado pede mudanças

Michael Flood, professor de sociologia da Universidade de Wollongong, na Austrália, acredita que o estudo norte-americano vem mostrar que é preciso intervir a partir de alterações socioculturais. “Esse estudo mostra que precisamos de soluções socioculturais para a saúde dos homens e que temos que expandir a noção que temos de masculinidade”, afirma o especialista, durante um entrevista ao IFLove Science.

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