Melhor conta poupança: como escolher?

Procura uma conta poupança? Conheça as nossas dicas para escolher a melhor solução e outras opções para aplicar o seu dinheiro.

Melhor conta poupança: como escolher?
Algumas dicas e opções para as suas poupanças

Encontrar a melhor conta poupança não é tarefa fácil. Qual será a melhor opção para as suas economias? Será que compensa apostar numa conta poupança? Depósito a prazo versus certificados de aforro, qual a melhor solução? Mesmo quando falamos de aplicações seguras, em situações de crise aguda, há sempre o risco de congelamento dos levantamentos. O Estado e vários especialistas garantem o contrário mas, lá diz o ditado, o seguro morreu de velho. O nosso primeiro conselho: não coloque os ovos todos no mesmo cesto.


Dicas para escolher a conta poupança certa para si

1. Na hora de escolher o banco que vai servir de base às suas poupanças, faça um pesquisa de mercado e consulte as condições que cada um lhe oferece. Nomeadamente, quais os custos com abertura e manutenção de contas, com cartões, com transferências e demais obrigações.

2. Informe-se sobre os produtos do seu banco atual. Pode ter vantagens por já ser cliente.

3. O produto de poupança em questão permite reforços? Qual o valor mínimo para abrir uma conta?

4. Verifique os períodos de pagamento de juros. Estes podem ser mensais, trimestrais, semestrais ou até anuais.

5. Crie um ficheiro Excel com uma tabela para comparar as taxas de juro aplicadas e as características dos diferentes produtos.

6. Não se deixe iludir por promoções e isenções, o mais importante é escolher um banco sólido e com boa reputação.


Outra dicas para rentabilizar as suas poupanças

1. Comece a poupar. Quando tiver um pé-de-meia, de cerca de cinco mil euros, invista em Certificados de Aforro. Continue a poupar e aplique estas novas poupanças em Depósitos a Prazo no seu banco.

2. Assim que conseguir mais um pé-de-meia razoável, procure outro banco que lhe ofereça taxas mais altas do que o primeiro, e constitua um novo Depósito a Prazo. 

3. Grão a grão enche a galinha o papo, por isso, não páre de amealhar e aumente, gradualmente, os Certificados de Aforro e o Depósito a Prazo que tiver as taxas mais altas.

4. Quando atingir 15 mil euros, e se tiver a certeza que não vai precisar desse dinheiro rapidamente, pode começar a pensar em investir em Ações, Aplicações ou Fundos. Tenha em atenção o risco associado, assim como a situação do país nessa altura. O ideal é comprar quando a economia está em baixa.

5. Continue a poupar, dividindo o que consegue amealhar pelos Certificados, Depósitos e Aplicações de Risco. Recomendamos que aposte nos Certificados de Aforro e Depósitos a Prazo, mantendo-os mais ou menos com o mesmo valor, e não se deixe entusiasmar com as Ações – mas se decidir arriscar, não ultrapasse os 30%.

6. Se conseguir atingir os 30 mil euros em poupanças, pode começar a pensar em Obrigações. Contudo, tenha cautela e considere todos os riscos e vantagens, mantendo a soma do valor das Obrigações e das Ações abaixo dos 40%. 

7. Aumente as suas poupanças, diminuindo o risco com a idade. Ou seja, quanto mais anos tiver, menor deve ser a percentagem de poupança constituída por aplicações de risco. Siga a regra: a percentagem de poupanças em aplicações de risco, deve ser igual ao número de anos que lhe falta para a reforma.


Outras opções que dispõe para aplicar as suas poupanças


1. Certificados IGCP

São comercializados online, no site do IGCP, ou nos balcões dos CTT. São, à partida, a opção mais fiável porque são seguros, a 100%, pelo Estado Português. São isentos de comissões de subscrição, manutenção e levantamento mas, por norma, oferecem taxas mais baixas do que outras aplicações. Pode optar por Certificados de Aforro ou por Certificados do Tesouro Poupança Mais.

1.1. Certificados de Aforro

Ideais para investimentos a curto prazo, rendem juros a cada três meses que são reinvestidos automaticamente no seu Certificado. É possível levantar o valor, total ou parcial, a qualquer momento e subscrever mais, sempre que quiser, sendo que cada um deles tem validade de apenas dez anos.  A taxa de juro é crescente, calculada com base na taxa Euribor a três meses.
Prémios anuais: 
  • 0,50%: segundo ano
  • 0,75%: terceiro ano
  • 1,00%: do quarto ao sétimo ano
  • 1,25%: oitavo ano
  • 1,5%: nono ano
  • 2,5%: décimo ano

A taxa é proporcional ao valor da Euribor a três meses. Como a Euribor está muito baixa, o Estado dá um prémio adicional de 2.75% à taxa. Assim, para subscrições em outubro deste ano, a taxa oferecida resulta num valor de 3,07%. No entanto, este prémio adicional termina em 31 de dezembro de 2016. Assim, a partir dessa data é necessário verificar se ainda compensa ter o dinheiro em Certificados de Aforro
Apesar das taxas e bónus serem baixo, é importante perceber que, atualmente, a EURIBOR está nos níveis mais baixos de sempre. A tendência para os próximos anos é subir, o que vai melhorar estas taxas.

1.2. Certificados do Tesouro Poupança Mais (CTPM)

Os CTPM tem um prazo de cinco anos, com taxas fixas mas durante o primeiro ano não se pode levantar. Depois disso, pode levantar a qualquer momento. No quarto e quinto ano acresce um prémio, em função do crescimento médio real do Produto Interno Bruto, contudo, não sabemos como estará a nossa economia daqui a cinco anos. Assim, decida em função das taxas, não do bónus. 
Prémios anuais:
  • 2,75%: 1.º ano 
  • 3,75%: 2º ano
  • 4,75%: 3º ano
  • 5,00%: 4º ano
  • 5,00%: 5º ano

2. Depósitos a Prazo

Regra geral, apresentam taxas razoáveis que concorrem com os Certificados de Aforro e estão cobertos pelo fundo de garantia de depósitos, até 100 mil euros, por cliente. Devido ao estado da economia europeia, as taxas Euribor estão baixas, arrastando as taxas dos depósitos, pelo que o ideal é aplicar, no máximo, pelo prazo de um ano. Confirme se é, de facto, um Depósito a Prazo e, não apenas, uma aplicação não coberta pelo fundo de garantia. As taxas variam bastante de banco para banco, por norma, quanto mais seguro é o banco, mais baixa é a taxa. 

3. Aplicações, fundos dos bancos e seguros

Não estão cobertos pelo fundo de garantia dos depósitos mas têm taxas mais elevadas do que os anteriores. Algumas são apresentadas como capital garantido, contudo, se a empresa ou banco for à falência podem perder todo o dinheiro. O nosso conselho? Leia as condições de cada proposta, especialmente as letras pequeninas, e familiarize-se com a fórmula de cálculo do juro (algumas apresentam fórmulas muito complexas e de difícil compreensão). Seja prudente e invista apenas se perceber totalmente como é calculado o juro. “Juros passados não são juros garantidos”, ou seja, mesmo que uma determinada aplicação ou fundo tenha vindo a dar lucro, o importante é o que acontece a partir do momento da sua subscrição.

4. Ações

Têm custos de subscrição, de manutenção, de venda (e uma parte é paga ao Estado no IRS do ano seguinte) e de distribuição de dividendos. Atendendo às taxas, não compensa subscrever menos de 1000€ de cada vez, nem começar com menos de 5000€, caso contrário o que paga em comissões anula os possíveis lucros.

Antes de comprar é importante conhecer bem a empresa em que vai apostar. Quem são os acionistas? Quais as áreas de negócio? Qual a dívida? Quais os lucros/prejuízos dos últimos anos? A concorrência é forte ou fraca? A empresa está a crescer? O que dizem as notícias? Quais os dividendos pagos? Qual a previsão de dividendos para os anos seguinte? Os dividendos são compatíveis com os lucros obtidos? Tudo isto importa porque, de um dia para o outro, pode perder todo o dinheiro ou triplicar o seu valor.
Leia também: Ficar rico na bolsa - mito ou realidade.

5. Obrigações

São dívida das empresas privadas, por isso, apresentam maior risco mas, regra geral, oferecem taxas mais elevadas do que qualquer outra aplicação. Têm taxas de subscrição, de manutenção, de distribuição de juros, de encerramento e o levantamento antecipado não é possível. É importante avaliar o risco de falência, ou de não pagamento, da empresa que lança a dívida porque pode perder todo o dinheiro aplicado. Assim como, calcular o juro efetivo – excluindo todas as taxas pagas. Por norma, só compensa face a outras aplicações acima de 5000€ mas depende da taxa de juro oferecida e das taxas cobradas pelo banco. As obrigações aparecem de vez em quando, por um período curto. Tenha em atenção que pode vender em bolsa mas é difícil porque há pouca oferta e pouca procura. 


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