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Meningite: tudo o que precisa saber

Meningite: a doença que assusta. É preciso estar alerta aos seus sintomas e saber a altura certa de agir e tratar para evitar complicações irreversíveis. 

Meningite: tudo o que precisa saber
70% dos casos ocorre em crianças

Com uma taxa de mortalidade que pode chegar aos 15%, a meningite resulta de uma inflamação das meninges, que são membranas de proteção ao cérebro e à medula espinal. Habitualmente, este tipo de inflamação ocorre após uma infeção do líquido que se encontra em torno do cérebro e da medula espinal, e pode causar lesões graves.  e trata-se de uma doença endémica, ou seja, podem ser esperadas eventuais epidemias ao longo de todo o ano, não tendo uma altura prevista para acontecer. 

Durante a última década, em Portugal, foram documentados 2 a 3 casos de meningite meningocócia a cada 100.000 habitantes. O serogrupo C da Neisseria meningitidis é o principal responsável pela doença no país, e o mesmo acontece nos restantes países desenvolvidos. Com a introdução da vacina conjugada contra o meningococo C no Programa Nacional de Vacinação, em 2006, houve uma significativa redução no número desta forma de doença.



A meningite e as crianças: um grande problema?

Cerca de 70% dos casos documentados, ocorre em idades inferiores aos cinco anos.  Os casos de meningite na infância são considerados um significativo problema de saúde pública em todo o mundo. Mesmo com todos os avanços da ciência e da medicina, as sequelas e a mortalidade associadas a esta doença continuam a acontecer praticamente ao mesmo ritmo. Isto é, ainda há muito chão a percorrer quando se fala na doença.

A evolução nos tratamentos com antibióticos ainda não conseguiu alcançar uma meta considerada mínima para a taxa de mortalidade relacionada a este tipo de infeção, que permanece elevada, entre os 5 e os 15%. As sequelas permanentes são outro assunto a preocupar: surdez e alterações do desenvolvimento psicomotor atingem à volta de 25% dos sobreviventes.



A meningite é bacteriana ou viral?

A inflamação que carateriza a meningite pode ser causada por agentes infeciosos, como bactérias, vírus, fungos e parasitas. Apesar de poder haver uma epidemia a qualquer altura do ano, é no verão que acontece a maior parte dos casos da doença. Neste caso, a meningite viral (ou assética), frequentemente causada pelo enterovírus, é mais relatada em crianças e pode evoluir sem grandes transtornos ou complicações mais graves. 

Quando viral, a meningite pode dar sinais comuns aos de uma gripe comum. A partir daí, começam os sintomas mais específicos, como dores de cabeça, em especial nas crianças. Não há a necessidade de fazer uso de antibióticos e a solução é esperar a evolução natural da doença. 

A meningite bacteriana, que acontece em maior número de casos durante as estações mais frias do ano, é um assunto mais delicado. Esta é a forma mais grave da doença. Nestas situações, é necessário o internamento hospitalar, acompanhado do tratamento com antibióticos e exames de controlo. As principais bactérias causadoras são: pneumococos, hemófilos e meningococo, que se divide em cinco tipos: A, C, W, Y ou B.

 

A meningite é contagiosa?

A meningite é transmitida através das vias respiratórias e de gotículas ou secreções do nariz e da garganta. A tosse é um exemplo clássico da sua transmissão. O contágio acontece após um contacto próximo entre as pessoas e, por isso, é bastante comum a sua transmissão entre indivíduos que partilham a mesma casa. Familiares ou amigos que vivem sob o mesmo teto são aconselhados a receber profilaxia para meningite meningocócica. A profilaxia é um conjunto de medidas que visa prevenir a doença ou atenuar quando ela de facto aparece. Um exemplo é a criação das vacinas.


Há ambientes que são mais favoráveis à disseminação do vírus ou da bactéria como creches, escolas, universidades e outros locais com grande concentração de pessoas. Por isso, é fundamental que mantenha as regras básicas de higiene, uma alimentação adequada e abra portas e janelas diariamente para ventilar os espaços. 
 


Quais as causas da meningite?

As causas que levam à doença são diversas mas é possível afirmar que as infeções bacterianas e virais são as mais comuns. No caso das meningites bacterianas o contágio ocorre pelas vias respiratórias e é altamente contagiosa. As bactérias que provocam a meningite, em geral, não são as mesmas nos diferentes grupos etários.

Assim, nos recém-nascidos, os estreptococos e a E. coli são as causas mais relatadas, enquanto que durante os primeiros 5 anos de vida o Haemophilus influenzae tipo B é o agente mais comum. No caso de crianças acima desta idade, o meningococo e o pneumococo são os grandes vilões e o mesmo acontece em 80% dos casos de meningite em adultos. 


Um trauma com fratura do crânio, uma cirurgia cerebral, otites e mastoidites também podem provocar a doença, assim como alguns tipos de cancro ou o uso de determinadas drogas.
 
 

Quais os sintomas da meningite?

Até aos 18 meses, os sintomas abaixo podem não aparecer nas crianças afetadas. É, por isso, necessário ter atenção às alterações de comportamento, como inquietação e irritabilidade, convulsões, recusa alimentar ou choro constante. A moleira da criança deverá ser analisada para constatar se está tensa ou elevada. Caso a criança grite ao ser manipulada, é altura de visitar o médico. Assim, esteja atento a:
  • Febre alta abrupta
  • Dor de cabeça intensa e contínua
  • Vómito e náuseas
  • Rigidez na nuca e dificuldade para encostar o queixo no peito
  • Podem ainda surgir manchas vermelhas pelo corpo

O diagnóstico médico é comprovado através de um exame ao líquido cefalorraquidiano, o liquor, que envolve o sistema nervoso. Desta forma é possível identificar e agir contra o agente causador da infeção. 

 

Como prevenir a meningite?

A medicina dispõe de vacinas que previnem a meningite por meningoco, pneumococo e Haemophilus. Elas são administradas ainda na infância e algumas estão inseridas no Plano Nacional de Vacinações. Outras têm de ser compradas à parte, sem comparticipação do Estado, mas sempre após indicação do médico pediatra.

Saiba quais são as vacinas para a meningite atualmente disponíveis:


Vacina meningocócica ACWY 

  • Protege contra mais sorotipos do meningococo e deve ser aplicada para os reforços do segundo ano de vida, entre os 12 e os 15 meses, e para a vacinação de crianças maiores, adolescentes e adultos. 
  • Adolescentes não vacinados anteriormente devem receber duas doses com intervalo de cinco anos. 
  • Adultos devem receber uma dose e reforços apenas se houver risco comprovado, como epidemias confirmadas, surtos ou viagens para países endémicos. 


Vacina meningocócica B 

  • A nova vacina, e a mais polémica entre todas, está licenciada em Portugal desde 2014.
  • Pode ser administrada a partir dos 2 meses.
  • É também indicada para crianças mais velhas, adolescentes e adultos. 
  • A partir de 2017, a vacina contra a meningite B vai ser administrada gratuitamente através do Programa Nacional de vacinação, apenas a crianças que, por razões clínicas, têm défices de imunidade.
  • Doses recomendadas:
    • 2 a 5 meses: 3 doses + 1 reforço.
    • 6 a 11 meses : 2 doses + 1 reforço.
    • 12 a 23 meses : 2 doses + 1 reforço.
    • 2 a 10 anos: 2 doses.
    • A partir dos 11 anos e adultos: 2 doses.


Vacina contra Haemophilus b (Hib) 

  • Aplicada aos 2, 4 e 6 meses de idade, com um reforço entre os 15 e os 18 meses.  
  • Crianças com mais de cinco anos, em geral, não necessitam desta vacina.
  • Faz parte do Programa Nacional de Vacinação.


Vacina meningocócica conjugada C 

  • Protege contra a doença causada pela bactéria N. meningiditis, do sorogrupo C. 
  • Dose única, aos 12 meses.
  • Faz parte do Programa Nacional de Vacinação.

 
Vacina pneumocócica conjugada 10-valente 

  • Protege contra doenças invasivas e outras infeções causadas pelo S. pneumoniae dos sorotipos 1, 4, 5, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19F e 23F. 
  • São aplicadas três doses: aos dois e quatro meses de idade, com um reforço aos 12 meses.
  • Faz parte do Programa Nacional de Vacinação. 

 

Vacina pneumocócica polissacárida 23-valente 

  • Indicada a partir dos dois anos de idade em dose única.
  • Caso haja orientação médica, pode ser feito um reforço após os cinco anos. 

 

A meningite pode deixar sequelas?

A resposta é sim, infelizmente. Mas a gravidade da meningite é influenciada não apenas pelo seu agente de origem, como também pelo tempo levado até ser iniciado o seu tratamento. Quando diagnosticada corretamente, a doença tende a evoluir sem maiores complicações. 

As meningites bacterianas, quando não detetadas precocemente, podem levar ao delírio e ao coma. Caso aconteça o comprometimento do cérebro (encéfalo), o doente poderá apresentar ainda tremores, paralisias, convulsões e alterações na audição e na visão. O diagnóstico rápido e o tratamento correto reduzem o risco de sequelas. 
 

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