As 10 mentiras que nunca deve dizer ao seu médico

As mentiras que conta ao seu médico podem aumentar o erro e os custos para a sua saúde.

As 10 mentiras que nunca deve dizer ao seu médico
Não queira prejudicar a sua saúde

Mentir quando vai ao médico raramente é boa ideia. Obviamente, só com uma história fidedigna é possível apurar o diagnóstico e o tratamento mais indicado para o problema de saúde que motivou a ida. Além disso, o sigilo médico, condição essencial para uma boa relação médico-paciente, serve exactamente para impedir a divulgação de certos factos, cuja revelação poderia trazer prejuízos aos interesses morais e até económicos dos doentes.

Se ainda não o convencemos a ser totalmente sincero da próxima vez que falar com o seu médico, fique pelo menos com alguns exemplos do que não deve mesmo dizer.

10 mentiras que nunca deve dizer ao médico

1. Farto-me de fazer exercício

O sedentarismo é uma verdadeira epidemia do século XXI, que mais tarde ou mais cedo traz graves consequências. Se não é o tipo de pessoa que gosta de correr ou ir ao ginásio, saiba que há muitas opções. Ficar parado não é uma delas!

2. Deixei de fumar

tabaco

O tabaco é um factor de risco comum a um sem número de doenças. O seu médico é a pessoa certa para o ajudar a largar o vício e admiti-lo pode também ajudar a explicar os sintomas que apresenta.

3. Tenho uma alimentação saudável

Seja porque tem pouco tempo ou porque não resiste a doces, enchidos ou outras iguarias, dizer que faz uma alimentação equilibrada poderá resultar em gastos desnecessários em medicamentos e tratamentos ineficazes. Não raras vezes, pelo menos numa fase inicial, uma dieta adequada permite controlar doenças como a Diabetes Mellitus e a Hipertensão Arterial.

4. Só tenho um parceiro sexual

O seu médico serve para o ajudar e não para o julgar. Se tem ou teve mais do que um parceiro sexual, se não usa preservativo ou tem outros comportamentos de risco, pode estar a colocar a sua saúde e a dos outros em risco.

5. A minha vida sexual é implacável

As mentiras sobre as relações sexuais, quer sejam com pessoas do sexo oposto, do mesmo sexo ou ambos, são das mais comuns. Quase tanto como as doenças sexualmente transmissíveis, a falta de libido ou a disfunção eréctil. Um momento embaraçoso com o seu médico pode poupar-lhe muitos outros na hora H.

6. Só bebo um copito de vez em quando

Em Portugal e noutros países, bebidas como o vinho e a cerveja ainda fazem parte da rotina de muitas pessoas. Este hábito, quando não moderado, pode alterar os resultados das suas análises. Negá-lo fará o seu médico procurar outros motivos que poderão nem sequer existir.

7. Não uso drogas

De acordo com números do SICAD (Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências), 16% dos alunos de 16 anos admite já ter experimentado algum tipo de droga, com a canábis a liderar as preferências. Além das consequências para a saúde e das interacções entre drogas e medicamentos, se tem receio de estar a criar uma dependência, diga-o abertamente.

8. Tomei a medicação sem falhar

medicamento

Outra das mentiras mais comuns. De acordo com alguns estudos, quase metade dos doentes com medicação crónica não a cumpre de forma rigorosa. Quer seja pelo preço ou porque se assustou com o que leu na bula, é preferível conversar com o seu médico para que o ajude a encontrar uma alternativa.

9. Não tomo outros medicamentos

Casos há em que as terapêuticas não convencionais, como os medicamentos “naturais”, são complementares, e não necessariamente alternativas, ao que o seu médico lhe recomendou. Noutros, poderá estar a tomar algo que pode interferir e diminuir a eficácia do tratamento ou até mesmo provocar uma sobredosagem.

10. Não se passa nada

Este tipo de mentiras pode nem sempre ser propositado, mas dizer que está tudo bem por medo, vergonha ou simplesmente porque quer que lhe dêem alta é uma péssima ideia. Dê atenção aos pormenores e não desvalorize uma dor moínha ou qualquer outra situação que o incomode.

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Ricardo Ferreira Ricardo Ferreira

Médico, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, define-se com um autodidata, curioso e empreendedor, com um foco especial na área da biotecnologia. Estuda ainda Machine Learning, um ramo da Inteligência Artificial, e as suas aplicações na área da Saúde.