Paraty: a vibrante cidade histórica

Passada uma semana de estarmos em Holambra sentimo-nos gratos pela forma como fomos recebidos. Mas era hora de seguir viagem. 

Paraty: a vibrante cidade histórica
A crónica de viagem de Diogo Campos

Todo o conforto que tivémos foi como ter ido a casa recuperar energias, mas ao mesmo tempo já estávamos a sentir falta de mais ação e dos imprevistos que a viagem nos desafia. Seguimos rumo a Paraty.

Levamos esta família no nosso coração e a experiência de como é a relação entre pais e filhos no dia a dia, que certamente nos será muito útil no futuro. Na última noite fomos a um bar e entre risadas partilhámos várias peripécias da nossa viagem e eles da vida estudantil que levaram.


Olá, Paraty!

Ainda com as boas recordações de Holambra no nosso pensamento, chegámos a Paraty, numa viagem que supostamente duraria 7h, mas acabou por demorar 9h. Por sorte quando chegámos tínhamos o Carlão à nossa espera, e não, não era o vocalista dos Da Weasel e muito menos o nosso guarda costas, mas sim o supermercado que ficava atrás da rodoviária, mesmo ao lado do hostel que contatámos.

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Depois da conversa inicial da praxe o Pablo, dono do hostel, levou-nos até à escola que a Susana iria visitar e onde ficaríamos a dormir.

No dia seguinte, depois de a Susana ficar na escola percorri as históricas ruas de Paraty. Tinha duas tarefas a realizar. A primeira era ir ter com um francês, o David, que tinha vindo ao nosso lado no avião de Portugal para o Brasil e é proprietário de um restaurante no cais de Paraty.

A segunda era encontrar-me com um outro francês dono de um veleiro e que se disponibilizou para nos receber em troca de trabalho, mas antes tinha que nos conhecer em terra. Quando vi o David a passar por mim chamei por ele e, depois dos primeiros segundos de estranheza, ele deu-me um abraço de boas vindas.

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Ao lado do restaurante do David aguardei pelo outro francês. Era um ex marinheiro e tinha todo o perfil, boné, pele morena e barba branca, só faltava o cachimbo. Falámos...  parecendo uma entrevista mútua, de modo a sentirmos confiança um no outro, o silêncio predominou no entanto sobre as palavras. A energia fluiu e fomos almoçar juntos, depois da Susana ter saído da escola, num restaurante muito barato que ele conhecia. Acabou por nos convidar a ir jantar e dormir no seu veleiro, que estava na baía de Paraty.

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Durante o jantar, iluminados pelas luzes da cidade, contou-nos um pouco da sua vida e porque se estabeleceu no paraíso de Paraty há dez anos. Depois de uma noite balançada e de um pequeno almoço entre as ilhas e a cidade, voltámos para terra no seu pequeno bote.

A energia do estado do Rio de Janeiro é diferente dos outros locais onde estivemos. Tanto Paraty como Recreio dos Bandeirantes até à cidade do Rio fazem-me vibrar e imaginar os primeiros homens que encontraram esta terra virgem, que tão bem foi descrita por Pêro Vaz de Caminha.

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Entre a chuva tropical e o sol abrasador, passeámos e perdemo-nos na beleza das ruas e lojas do centro histórico de Paraty. Bebemos as habituais caipirinhas ao preço da chuva (3€ duas de 500ml), mergulhámos nas refrescantes cascatas e também ajudámos na jardinagem de uma escola que era a forma de pagamento da nossa estadia. Amanhã, se o tempo ajudar, vamos conhecer praias às quais só dá para aceder de barco. Acompanhem-nos no Facebook em Puririy.

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Diogo Campos Diogo Campos

Diogo Campos é um sonhador de natureza. Tirou um Mestrado em Engenharia do Ambiente, já teve um negócio de sumos naturais e por vezes dedica-se à agricultura biológica. No ano de 2016 decidiu deixar tudo para trás e ir viajar apenas com bilhete de ida para a América do Sul, mas mais do que isso decidiu ir praticamente sem dinheiro. Neste momento está apenas dedicado à escrita e a viajar.