15% dos peões atravessam as ruas distraídos com o telemóvel

A maior parte dos peões que atravessam a via pública ao telemóvel são jovens com menos de 30 anos.

15% dos peões atravessam as ruas distraídos com o telemóvel
Peões utilizam o smartphone enquanto se deslocam na via pública

A legislação portuguesa é clara quanto ao uso do telemóvel quando estamos ao volante de um automóvel. Para cortar com esse hábito, a fiscalização portuguesa penaliza os infractores com contra-ordenação grave. No entanto, para o uso dos smartphones por parte dos peões, não existe fiscalização. A Prevenção Rodoviária Portuguesa foi para as ruas de Lisboa e concluiu que  pelo menos 783 (15,6%) dos 5.223 peões observados foram vistos a usar o telemóvel enquanto atravessavam.

A maior parte das distrações observadas incluem pessoas a andar na via pública a falar com o telemóvel na mão (5,7%), a manusear o equipamento para consultar as redes sociais ou e-mail (4,8%) e a usar auriculares/auscultadores (5,9%). Sem grande novidade, a percentagem de peões envolvidos numa das três atividades foi mais elevada entre os mais novos.

De acordo com o estudo, 28,5% dos peões observados tinham até 30 anos, 17,3% estavam entre os 30 e 60 anos e 2,7% tinham mais de 60 anos.
A observação destes comportamentos revelou que os peões tendem a usar mais os auriculares/auscultadores no início da manhã e fazem uma maior utilização do telemóvel para falar à hora de almoço e durante a tarde.

A Prevenção Rodoviária Portuguesa avança que a utilização dos auriculares é de 15,2% no grupo dos peões até aos 30 anos e de 5,6% nos peões dos 30 aos 60 anos. E não interessa se o sinal está verde ou vermelho para peões, pois as percentagens de utilização do telemóvel ou de auriculares nas passadeiras com semáforos foram iguais.

Sportswoman running over the bridge in the morning

Prevenção Rodoviária alerta para os perigos dos peões ao telemóvel

Muitas são as pessoas que na sua actividade de jogging, laboral ou social utilizam o smartphone enquanto se deslocam na via pública. Fazem-no na convicção de que tal não representa qualquer perigo para si próprios e para os condutores envolventes. Mas é do conhecimento geral os perigos que estão associados à utilização do telemóvel por parte de peões: distração, abandono da atenção envolvente, perda de noção de posicionamento na via, são alguns deles. Situações estas, que podem levar a consequências graves em caso de sinistro automóvel.

Esse comportamento representa um elevado risco para a segurança rodoviária, uma vez que concentração do peão para o meio envolvente diminuí consideravelmente. Esta diminuição da atenção, leva a que os peões abordem a faixa de rodagem sem a necessária avaliação do tráfego envolvente, invadindo o espaço de circulação dos automóveis de modo súbito, o que faz com que, muitas vezes, haja atropelamentos com consequências graves.

Segundo um estudo da DEKRA Accident Research (2016) Estocolmo (Suécia) é a capital europeia com o maior índice de utilização de peões ao telemóvel (23,55%), logo seguido por Lisboa com 15,6%, Berlim (14,9%), Paris (14,53%) e Bruxelas (14,12%). Por último, está Roma (10,2%) e Amesterdão que tem o índice mais baixo (8,2%) de peões distraídos nas ruas. Este estudo sobre o uso do telemóvel foi realizado em seis capitais europeias tendo sido observados 14 mil peões.

A Prevenção Rodoviária Portuguesa alerta que os dados da sinistralidade no concelho de Lisboa mostram que entre 2010 a 2015 mais de metade (54%) das vítimas mortais de acidentes rodoviários eram peões. Este grupo representou ainda 46% do total de feridos graves e 23% dos feridos leves.

José Miguel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, alerta que “assim como os condutores que enviam mensagens, falam ao telemóvel ou consultam as redes sociais aumentam o risco de se envolverem em acidentes, os peões distraídos com os mesmos dispositivos também se colocam em maior risco de se verem envolvidos num acidente”.

Para que a segurança dos peões e dos condutores seja garantida, ou pelo menos melhorada, devem os peões evitar a utilização do telemóvel quando utilizam a via pública para circularem.

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