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Perfeccionista: o que é e como lidar com os aspetos negativos

Ser perfeccionista envolve pressão para atingir padrões elevados. Pode ser útil, mas tem aspetos negativos. Descubra as desvantagens e como lidar com elas.

Perfeccionista: o que é e como lidar com os aspetos negativos
A perfeição não existe e procurá-la pode ser frustrante

Ser perfeccionista é, muitas vezes, confundido com o desejo de ser perfeito ou de fazer algo com perfeição. É por isso que muitas pessoas acham que o perfeccionismo é uma boa característica, enquanto outras encaram este traço de personalidade como sendo algo negativo e embaraçoso. Afinal, ser perfeccionista será bom ou mau? E quando se torna um problema?

Quando ser perfeccionista se torna um problema


perfeccionistaFonte: Maxpixel/Licença cc0

Sou perfeccionista?

Ser perfeccionista não é necessariamente ser perfeito em algo – até porque não é possível que alguém seja perfeito a 100%. Então, se não se trata de ser perfeito, o que caracteriza um perfeccionista? Tome nota de alguns comportamentos que acusam um perfeccionista.

  • O esforço incessante por padrões extremamente altos – quer para si, quer para os outros;
  • Basear a autoestima na capacidade de se esforçar e alcançar tais padrões implacáveis;
  • Sentir as consequências negativas de estabelecer padrões tão exigentes e, mesmo assim, continuar com as mesmas metas rigorosas.

Como me tornei perfeccionista?

A nossa visão acerca de nós mesmos e do mundo começa a desenvolver-se muito cedo e é influenciada pelas nossas experiências iniciais – em contexto familiar, social, escolar – e, claro, também pela nossa personalidade. É importante perceber que os perfeccionistas tiveram experiências que os levaram a desenvolver uma visão do mundo que encoraja a busca de padrões elevados incansáveis.

É o seu caso? É fundamental que não se culpe a si nem aos outros pelo seu perfeccionismo, para começar. Pode ainda ser útil pensar em algumas das experiências que podem ter influenciado o facto de hoje ser um perfeccionista. Espreite algumas abaixo.

Experiência de aprendizagem direta: a recompensa e o reforço positivo

Se as pessoas o elogiam quando tem um bom desempenho, este comportamento pode criar esta ideia errada: “estabelecer padrões muito altos faz com que me sinta bem”.

Infelizmente, acreditar que só vai agradar a todos se tiver um bom desempenho pode originar um comportamento ainda mais rígido e inflexível. O sentimento, nestes casos, traduz-se em pensamentos como: “As pessoas apenas ficarão orgulhosas de mim se eu tiver sucesso”.

Experiência de aprendizagem direta: a punição e a falta de reforço positivo

Este tipo de aprendizagem ocorre quando alguém é punido devido aos seus erros. Por vezes, não somos punidos diretamente – há apenas uma falta de louvor.

Ao receber uma nota mediana num teste escolar e perceber que os pais não elogiam pelo feito, uma pessoa perfeccionista pode desenvolver uma crença enviesada, do tipo: “as pessoas não ficam orgulhosas de mim quando o meu trabalho não é perfeito”.

Experiência de aprendizagem indireta: vivida através de modelagem

Podemos aprender a agir de determinada forma com base na maneira como vemos agirem as pessoas ao nosso redor. Se os pais trabalham imenso e levam o trabalho para terminar em casa, deixando pouco tempo para relaxar, pessoas perfeccionistas podem acabar por desenvolver uma crença errada, do tipo: “o trabalho é mais importante do que o relaxamento”.

Com o tempo, essa crença pode tornar-se ainda mais rígida: “ter sucesso no trabalho é mais importante do que qualquer outra coisa”.

perfeccionismo

Características de personalidade do perfeccionista

  • Algumas pessoas relatam que sempre estabeleceram padrões elevados para si mesmas;
  • Pessoas que evitam a busca da novidade, que são altamente dependentes das recompensas dos outros e que persistem em direção aos objetivos, apesar da frustração e da fadiga, são mais propensas a desenvolver o perfeccionismo.

Quais as desvantagens de ser perfeccionista?

Ter padrões elevados de exigência é, geralmente, uma boa ideia. Ajuda-nos a alcançar aquilo que mais queremos na vida. Mas, quando essas metas são inatingíveis, ou alcançáveis apenas com grande custo, o perfeccionismo pode tornar-se problemático.

Há uma grande diferença entre a busca saudável e útil da excelência, e a luta inútil pela perfeição. Perceba:

  • Tensão e ansiedade: quando estabelecemos padrões extremamente elevados e continuamos a esforçar-nos para os alcançar, estamos a colocar imensa pressão em nós mesmos e é provável que nos sintamos tensos e ansiosos;
  • Sentimento de nunca fazer  suficiente: ser perfeccionista não significa apenas dar o nosso melhor, mas também fazer sempre melhor do que antes e procurar um nível mais alto de desempenho do que aquele que podemos realmente atingir, e faz com que sintamos que os nossos esforços nunca são suficientes;
  • Sentimento de fracasso: quando somos perfeccionistas, julgamos o nosso valor em função daquilo que alcançamos e torna-nos vulneráveis ao sentimento de fracasso;

Perseguir estes padrões pessoalmente exigentes pode ter um impacto significativo no bem-estar e pode levar a:

Como reduzir os comportamentos perfeccionistas?

O perfeccionismo pode tornar-se um ciclo vicioso, que nos mantém numa espiral negativa. O que os ciclos têm de bom é que podem ser quebrados ou transformados em ciclos mais positivos. Como? Tome nota das nossas sugestões:

a) Ajuste as suas regras e crenças rígidas e desafie-as e desenvolva regras novas mais úteis;

b) Coloque o seu perfeccionismo em perspetiva e defina padrões razoáveis (e atingíveis);

c) Avalie seu desempenho de forma objetiva, procurando sinais de sucesso e conquista;

d) Elogie-se e recompense-se quando os padrões forem cumpridos, mas se não alcançar os seus padrões, pergunte a si mesmo se não definiu metas elevadas demais;

e) Envolva-se em atividades relaxantes e prazerosas… Dê a si mesmo a oportunidade de ser espontâneo;

f) Por fim, pratique todas estas técnicas – afinal, a prática faz a perfeição!

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Ana Graça Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Além da Psicologia. é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que traga mais felicidade!