Pesar a mais ou a menos aumenta o risco de enxaquecas

Estudos recentes indicam que a falta ou o excesso de peso podem ser fatores que aumentam o risco de se sofrer de enxaquecas. Veja aqui como.

Pesar a mais ou a menos aumenta o risco de enxaquecas
Falta ou excesso de peso podem contribuir para as enxaquecas

Enxaquecas são dores de cabeça fortes, pulsadas e recorrentes, que geralmente afetam uma metade do cérebro. As enxaquecas fazem-se acompanhar, para além da dor, por náusea, vómitos, sensibilidade à luz, cheiro e som. Um episódio esporádico de enxaqueca pode durar até 72 horas.

Os cientistas ainda não identificaram uma causa exata para esta condição, sendo que alguns fatores que contribuem para as enxaquecas são: determinados alimentos, não fazer algumas refeições, álcool, alterações hormonais, medicação, stress, alterações no ciclo do sono, genética, etc.

Segundo dados da Sociedade Portuguesa de Cefaleias, 8% a 15% da população dos países ocidentais sofre de enxaquecas. Em Portugal, cerca de 1.5 milhões de pessoas têm esta doença.

Um estudo recente indica que o risco de se sofrer de enxaquecas pode estar associado ao peso do indivíduo, seja por excesso e por falta.

Pesar muito ou pouco pode causar enxaquecas

Um estudo elaborado por especialistas dos EUA e publicado em fevereiro de 2017, no Neurology, a publicação oficial da American Academy of Neurology, reporta que o peso de uma pessoa pode influenciar a predisposição do indivíduo para sofrer de enxaquecas.

Em teoria, isto deve-se ao facto de alterações no tecido de gordura, que ocorrem quando se ganha ou se perde muito peso, fazerem com que surjam modificações na função e produção de várias proteínas e hormonas. Isto faz com que a pessoa tenha mais probabilidade de sofrer de enxaquecas.

dor de cabeca enxaqueca

A pesquisa envolveu a elaboração de 12 estudos e analisou cerca de 300 mil indivíduos. Após a avaliação dos dados, o estudo concluiu que as pessoas obesas têm mais 27% de probabilidade de sofrer de enxaquecas, enquanto pessoas com falta de peso têm mais 13% de hipóteses ter o mesmo problema.

O risco de contrair a doença é moderado e a mesma pesquisa revela que o risco associado a obesidade e enxaquecas é maior para mulheres e para pessoas com menos de 55 anos, independentemente do seu peso.

Nos EUA, cerca de 36 milhões de pessoas sofrem de enxaquecas, sendo esta uma condição muito incapacitante. De acordo com a American Migraine Foundation, mais de 90% destes doentes vêm a sua condição interferir com a educação, a carreira e atividades sociais.

Estudo é preliminar

A própria pesquisa reporta que são necessários estudos posteriores para apurar quais as intervenções que alteram o estado de obesidade que podem contribuir para diminuir o risco de sofrer de enxaquecas.

Num comunicado de imprensa, B. Lee Peterlin, diretora da investigação sobre cefaleias na Johns Hopkins University School of Medicine, e uma das autoras do estudo, referiu que é necessário fazer mais investigação para perceber que esforços podem ser feitos para ajudar que pessoas obesas ou com falta de peso consigam diminuir o risco de sofrer desta doença.

No entanto, a especialista sublinha que é preciso que as pessoas conheçam os resultados do seu estudo.

Os próximos passos desta investigação consistem em analisar, ao nível do cérebro, as diferenças entre os volumes de tecidos de gordura em grupos de doentes de enxaquecas que são obesos e que têm peso normal, comparando-os com pessoas que não têm enxaquecas.

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Ana Duarte Ana Duarte

Jornalista e gestora de comunicação no projeto Patient Innovation, Ana Duarte é mestre em Ciências da Comunicação, pela Universidade do Porto. A sua paixão pela escrita começou cedo, quando aprendeu a escrever e começou a criar os seus próprios jornais. Interessa-se por tecnologia, desporto, cinema e literatura.