Pílula masculina: como funciona e quando estará disponível

Como funciona e por que é tão polémica? A pílula masculina ainda está em fase de testes, mas já tem provocado debates e levantado dúvidas.

Pílula masculina: como funciona e quando estará disponível
Quando chega ao mercado o anticoncecional mais aguardado?

Há quase seis décadas, a pílula anticoncecional feminina foi o pretexto ideal para que as mulheres perdessem o medo de enfrentar a luta pela liberdade sexual. Hoje, com a criação da pílula masculina, o processo ganha novas proporções e envolve muito mais: o debate atual quebra as barreiras da discussão científica e invade o terreno histórico e cultural.

Se dúvidas não faltam e as respostas ainda parecem poucas, uma certeza parece existir: é possível prever para 2021 a chegada do mais aguardado método contracetivo masculino. A partir de então, os casais poderão usufruir de mais um avanço científico e, mais do que isso, partilhar direitos e deveres.

Como funciona a pílula anticoncecional masculina

Pesquisadores ingleses descobriram que existe uma substância que pode tornar os homens temporariamente inférteis e este foi o mote ideal para começar a debater a criação de uma pílula anticoncecional masculina. À semelhança do que aconteceu com a feminina, a invenção promete revolucionar o mercado contracetivo e mudar comportamentos.

O composto descoberto pelos cientistas funciona porque desativa uma proteína presente na cauda dos espermatozoides, impedindo que os mesmos se possam movimentar. Sem nadar para chegar até ao óvulo, deixa de existir a possibilidade de uma gravidez indesejada.

Em teoria, será possível acrescentar a substância encontrada a um comprimido, criando assim a tão esperada pílula masculina. O método ainda está em fase de testes, mas já se sabe que poderá ter a venda autorizada a partir de 2021. Para já, está a despertar polémicas e a dar muito o que falar.

A polémica

Recentemente, foi suspenso um estudo que verificava a eficácia de uma injeção contracetiva para os homens. As razões surpreenderam mulheres por todo o mundo: os testes foram interrompidos porque os participantes notificaram alguns efeitos colaterais desagradáveis. Quase metade deles informou uma maior incidência de acne, um terço deles revelou a diminuição da libido e um terço queixou-se de transtornos e variações de humor.

Os 320 homens analisados somaram 1.491 notificações de acontecimentos adversos e os responsáveis pelo ensaio científico optaram por interromper o ciclo de testes. Para os cientistas, os incómodos relatados são mais importantes do que o resultado do estudo sobre a eficácia da injeção contracetiva.

A decisão provocou reações negativas nas mulheres, que passaram a questionar se a pílula anticoncecional feminina teria sido aprovada, caso fosse criada nos dias de hoje. As mulheres apontam ainda que os efeitos relatados pelos homens, durante os testes para a aprovação da novidade contracetiva masculina, podem parecer pouco importantes se comparados aos incómodos provocados pela versão feminina. Os sintomas relatados pelas mulheres incluem: ansiedade, depressão, aumento de peso, dores de cabeça, náuseas, redução da libido e coágulos sanguíneos.

Anticoncecionais masculinos existentes

Até hoje, os únicos métodos contracetivos masculinos que existem são o preservativo e a vasectomia. O mais escolhido, o preservativo, é eleito por razões muito específicas: ele é capaz de evitar doenças sexualmente transmissíveis, impedir que os espermatozoides cheguem até ao óvulo, e ainda assim, ser um meio anticoncecional completamente reversível. Habitualmente, a vasectomia é o método escolhido quando o homem já não pretende ter filhos.

Novidade: anticoncecional masculino em gel

Ainda que desconhecido por grande parte da população, a curto prazo este anticoncecional masculino pode vir a dar uma reviravolta na história dos métodos contracetivos. A técnica vai consistir na aplicação de um gel (Vasalgel) nos diferentes canais do sistema reprodutor do homem, bloqueando a passagem dos espermatozoides. Estima-se que a aplicação seja eficaz por 10 anos, sem qualquer contraindicação associada ao seu uso.

Já se sabe que o anticoncecional masculino em gel não provoca alterações na produção normal de hormonas e pode ter o seu efeito invertido através da aplicação de uma injeção de bicarbonato de sódio no local. A previsão é que a sua venda seja autorizada em 2017 e, embora o seu preço não tenha sido divulgado, a Parsemus Foundation – ONG responsável pela criação do Vasalgel – garantiu que este “não deverá custar mais do que um aparelho de televisão moderno”.

A importância da pílula masculina

Num mundo em que a luta pela igualdade entre homens e mulheres cresce de dia para dia, falar no domínio do próprio corpo parece uma conversa necessária.

Até hoje, evitar uma gravidez indesejada tem sido uma tarefa atribuída às mulheres e, talvez por isso, a criação da pílula anticoncecional tenha sido para elas a grande revolução da década de 60. Havia, a partir de então, a liberdade para decidir ter (ou não) filhos e a única questão que ficava por responder era: quando? A resposta passou a ser: quando a mulher quiser.

Mais de cinquenta anos depois, a luta por direitos iguais ultrapassou todas as questões que negavam à mulher o direito de partilhar com o homem a responsabilidade de uma gravidez. Atualmente, quando o assunto é dividir, as temáticas vão para além das tarefas da casa e do espaço no mercado de trabalho. As mulheres querem saber quando os homens vão assumir, também, a responsabilidade por questões que afetam aos dois lados. Torna-se inevitável que assuntos como a criação da pílula anticoncecional masculina estejam à mesa.

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