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Porque bocejamos quando vemos alguém a bocejar?

Antes acreditava-se que o bocejo estava relacionado com a privação do sono, mas agora há novas teorias. Saiba porque bocejamos quando vemos alguém a bocejar.

Porque bocejamos quando vemos alguém a bocejar?
O ato de bocejar pode ter uma função social

Bocejar é um ato natural quer para os humanos, quer para várias espécies animais. Começamos a bocejar quando ainda estamos na barriga das nossas mães. É tão natural que nem sempre damos conta de que o estamos a fazer e, muitas vezes, acontece pelo simples facto de vermos alguém a fazer o mesmo. Mas porque bocejamos quando vemos alguém a bocejar?

Porque bocejamos?


porque bocejamos

Alguns cientistas explicam que o bocejo está relacionado com a necessidade fisiológica de arrefecer o cérebro. Segundo estas investigações o nosso cérebro funciona melhor quando se encontra a determinada temperatura. Bocejar aumenta a frequência cardíaca, a circulação sanguínea e o uso dos nossos músculos da face que nos permite inspirar ar fresco, condições essenciais para arrefecer o nosso cérebro.

Mas o que pode causar elevadas temperaturas no nosso cérebro? A exaustão e a privação do sono, o que explica o facto de habitualmente bocejarmos quando estamos exaustos e com sono.

Apesar desta explicação fisiológica ser importante, não explica porque bocejamos quando vemos alguém a bocejar. Há algo de contagioso no bocejar que só pode ter uma explicação social.

Então, porque bocejamos quando vemos alguém a bocejar?


Para perceber porque bocejamos quando vemos alguém a bocejar nada melhor do que constatar por si mesmo. Assista ao vídeo que segue e veja quanto tempo aguenta sem bocejar.

É difícil de resistir não é? Não se preocupe, é natural que assim seja. É até provável que só de ler este artigo já tenha bocejado várias vezes. Não imagina as vezes que bocejei enquanto o escrevia, foram imensas!

Os bocejos contagiosos começam por volta dos 4/5 anos de idade, altura em que o comportamento empático e a capacidade de identificar emoções se começa a desenvolver. Assim, ao assistir ao vídeo acima, uma criança com um distúrbio que envolva a capacidade de empatia (por exemplo, autismo) bocejaria menos que uma criança sem qualquer distúrbio.

O bocejo parece também cumprir uma função social. Assim, outra explicação possível para este fenómeno do bocejo contagioso está relacionada com a existência de neurónios-espelho no nosso cérebro. Quando vemos alguém a bocejar, estes neurónios ativam-se de modo similar e como resultado imitamos o bocejo.

Desta forma, quando observamos alguém a bocejar os neurónios-espelho simulam a mesma ação na nossa mente e essa simulação leva-nos a adotar o mesmo comportamento.

Testar esta teoria é fácil: concentre-se e imagine na sua mente um bocejo. Manter essa imagem mental, muito provavelmente, vai fazer com que boceje realmente. A capacidade de simular ações de outras pessoas através dos neurónios-espelho faz com que tenhamos a capacidade de nos colocarmos no lugar dos outros.

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Ana Graça Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Além da Psicologia. é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que traga mais felicidade!