Retenção urinária: causas, sintomas, tratamento e prevenção

Se tiver suspeitas de retenção urinária deve consultar rapidamente o seu médico, que irá ajudar a evitar problemas mais graves.

Retenção urinária: causas, sintomas, tratamento e prevenção
Este transtorno impede a total expulsão da urina pelo organismo

Dá-se o nome de retenção urinária à incapacidade total ou parcial de esvaziar a bexiga. Este problema ocorre devido à existência de um bloqueio que impede parcialmente a passagem do fluxo de urina para a uretra, que o deveria expelir para fora do corpo.

O paciente tende a sentir necessidade de urinar com mais frequência e pode vir a sofrer posteriormente de incontinência urinária.

A retenção urinária, que pode ser aguda ou crónica, é mais frequente nos homens entre os 50 e 60 anos, devido a um aumento da próstata. Este costuma ser causado pela Hiperplasia Prostática Benigna, que tende a levar ao estreitamento da uretra.

No entanto, o problema pode surgir em pessoas de todas as idades e em ambos os sexos, caso ocorram danos nos nervos que interferem com o funcionamento da bexiga. Há mulheres que sofrem de retenção quando a bexiga se inclina ou sai da posição normal.

Retenção urinária: tudo o que precisa de saber


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Causas da retenção urinária

A urina pode ficar retida devido a fatores como o mau funcionamento das contrações dos músculos, uma obstrução na abertura da bexiga ou devido à falta de coordenação entre contração e relaxamento do músculo que fecha a abertura da bexiga.

Há casos em que este transtorno urinário tem origem nas fezes muito duras, que acabam por preencher o reto, o que pressiona a uretra e a bexiga em indivíduos que sofrem de diabetes, Parkinson e esclerose múltipla.

Existem, ainda, medicamentos que podem causar este problema – especialmente aqueles que têm efeitos anticolinérgicos, como alguns antidepressivos e os anti-histamínicos.

As causas mais comuns da retenção urinária não obstrutiva são:

  • Parto natural;
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC);
  • Lesão ou trauma pélvico;
  • Acidentes que causam lesões no cérebro ou na medula espinhal;
  • Comprometimento da função dos músculos ou nervos devido a medicação ou anestesia.

Já a retenção obstrutiva pode ser causada por:

  • Cancros;
  • Pedras nos rins ou na bexiga;
  • Aumento da próstata (Hiperplasia Prostática Benigna) em homens.

Sintomas da retenção urinária

Estes são alguns dos sinais de retenção urinária:

  • Necessidade frequente e urgente de urinar (incontinência urinária);
  • Dificuldade em começar a urinar;
  • Dor ao urinar;
  • Dificuldade em esvaziar totalmente a bexiga;
  • Sensação de bexiga cheia;
  • Ter um fluxo fraco de urina ou saírem apenas gotas;
  • Tensão e esforço para forçar a saída da urina da bexiga;
  • Incapacidade de sentir quando a bexiga está cheia;
  • Falta de vontade de urinar;
  • Aumento da pressão abdominal;
  • Dor ou pressão abdominal;
  • Presença de sangue na urina;
  • Fadiga, mal-estar e náuseas;
  • Micção frequente;
  • Acordar mais de duas vezes durante a noite para urinar;
  • Perda de pequenas quantidades de urina durante o dia ou enquanto dorme.

infeção urinaria

Retenção aguda X crónica

Nos casos de retenção aguda, a pessoa não consegue urinar mesmo estando com a bexiga cheia. Já na retenção crónica, pode ser capaz de urinar mas não consegue esvaziar completamente a bexiga.

Quando o indivíduo não conseguem urinar, a bexiga vai esticando durante algumas horas enquanto fica cheia. Isso pode causar dores e inchaço abaixo da barriga.

Se o indivíduo conseguir ir eliminando alguma urina, ainda que não consiga esvaziar completamente a bexiga, esta vai esticando lentamente sem causar dor.

Consequências da retenção urinária

Este transtorno afeta significativamente a qualidade de vida do paciente, pois pode causar dores fortes e problemas no funcionamento dos rins.

A retenção pode ainda causar infeções urinárias, pois a urina retida é um local fértil para as bactérias. A complicação mais grave deste problema de saúde é a danificação da estrutura renal.

Diagnóstico da retenção urinária

Se o paciente não for capaz de urinar, o problema torna-se evidente. Os exames de sangue podem ser necessários para se determinar a causa da retenção urinária.

Os médicos podem ainda usar um cateter na bexiga para verem quanta urina sai ou medirem-na após a micção, além de tirarem por vezes uma amostra de urina para verificarem se existe uma infeção.

Há, também, a possibilidade da realização de uma ultrassonografia do rim para medir a quantidade de urina presente, ou de um exame retal. No caso dos homens, o exame retal pode indicar se a próstata aumentou.

retenção urinária

Tratamentos da retenção urinária

A retenção deve ser tratada com urgência. Os sintomas deste transtorno podem ser mais ou menos graves, dependendo do fator que os desencadeou, o que irá influenciar a escolha do tratamento feito pelos médicos.

Os médicos podem usar uma sonda uretral para removerem a urina da bexiga, o que causa um alívio rápido e momentâneo ao indivíduo, e usam também, por vezes, um cateter para combaterem a obstrução. Há indivíduos que podem necessitar desse cateter periodicamente ou permanentemente.

Em alguns casos, é necessário recorrer a uma cirurgia, como naqueles em que ocorre um aumento da próstata, caso esse problema não possa ser resolvido com medicamentos. A cirurgia é feita para direcionar a urina da bexiga para a uretra, que a irá expelir do corpo.

Se a retenção tiver origem nos medicamentos que o indivíduo está a tomar, os mesmos devem deixar de ser consumidos, se tal for possível. Existem ainda medicamentos que relaxam os músculos da bexiga, como a terazosina ou tansulosina, o que poderá facilitar a saída da urina.

Recomendações que ajudam a prevenir as infeções da bexiga

Apesar da retenção urinária ser um transtorno que não se consegue evitar, uma vez que é causada por outros problemas de saúde, existem recomendações que o paciente pode colocar em prática para reduzir o risco de infeções na bexiga. Tome nota:

1. Beber muita água (pelo menos 2 litros por dia);

2. Ir à casa de banho sempre que sentir vontade;

3. Consultar o médico se tiver algum dos sintomas referidos neste artigo;

4. Recorrer também ao médico se vir alguma alteração na cor ou odor da urina;

5. Depois de fazer necessidades, deve limpar sempre a zona genital de frente para trás;

6. Manter uma boa higiene pessoal;

7. Ter uma alimentação equilibrada e saudável para conseguir um sistema imunitário forte.

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Cátia Tocha Cátia Tocha

Formada em Ciências da Comunicação pela Universidade Autónoma de Lisboa, onde concluiu Licenciatura e Mestrado, começou o seu percurso como jornalista na Rádio. Hoje, escreve sobre diferentes áreas e tem já alguns anos de experiência na escrita para meios online.