Rosácea: o que é, causas e cuidados a ter

A rosácea é uma doença caracterizada por vermelhidão facial que se estima atingir cerca de 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

Rosácea: o que é, causas e cuidados a ter
Saiba o que provoca este problema de pele

A rosácea é uma inflamação crónica, que não tem cura, e que afecta tipicamente as maças do rosto, nariz, testa e queixo, embora possa afectar outras partes do corpo. Costuma iniciar-se entre os 30 e os 60 anos e afecta em igual proporção homens e mulheres.

O que provoca a rosácea

A doença que na antiguidade ficou conhecida como “a maldição dos celtas” está geralmente associada a peles mais claras, finas e secas, com menor capacidade de defesa a factores externos. Embora não esteja identificada uma causa, são conhecidos vários factores desencadeadores ou de agravamento da rosácea, nomeadamente:

  • Ambientais (sol, calor, frio, vento, diferenças de temperatura, etc.)
  • Alimentares (tabaco, álcool, cafeína, comida picante, especiarias, etc);
  • Produtos cosméticos e medicamentos;
  • Stress, alterações emocionais.

Aqueles que mais frequentemente surgem relacionados com a rosácea são a exposição solar em excesso e o calor intenso. Não só no verão: o calor de fontes como um duche, uma sauna, uma lareira ou outros ambientes quentes, pode provocar crises de inflamação dos tecidos e dilatação dos vasos sanguíneos.

O demodex folliculorum, uma espécie de ácaro microscópico que habita a nossa pele, parece também contribuir para o desenvolvimento da rosácea. No caso das mulheres, pode surgir na sequência da menopausa.

Tipos de rosácea

Uma vez que o impacto físico da rosácea é habitualmente limitado, a repercussão na autoestima e na atividade socioprofissional são muitas vezes o motivo de ida ao médico. No entanto, a rosácea divide-se em quatro subtipos com diferentes graus de gravidade:

  • Rosácea Eritemato-telangiectásica
  • Rosácea Pápulo-pustulosa
  • Rosácea Infiltrativa-nodular
  • Rosácea Ocular

Na rosácea eritemato-telangiectásica, também conhecida por couperose, a pele começa por ficar rosada e progressivamente mais avermelhada com pequenos vasos superficiais visíveis na pele. O desconforto pode ainda traduzir-se em picadas, sensação de ardor, comichão, repuxamento e secura.

Em casos de maior inflamação, a rosácea pode apresentar borbulhas e abcessos, com pús, por vezes confundido-a com o acne, que designamos por rosácea pápulo-pustulosa. Já a rosácea infiltrativa-nodular ou fimatosa afecta mais os homens e leva ao surgimento de deformações na pele, em particular no nariz, cuja pele fica espessa, irregular e com nódulos.

Os doentes podem permanecer estáveis ou evoluir de um subtipo de rosácea para outro. Já a rosácea ocular pode estar associada a qualquer dos subtipos ou ocorrer na ausência de alterações na pele. Caracteriza-se por hiperémia conjuntival (olho vermelho), sensação de corpo estranho, secura ocular, intolerância à luz e visão turva.

Como tratar?

O correcto tratamento da rosácea depende do subtipo predominante. Ainda assim, alguns cuidados básicos são transversais às diferentes formas de rosácea, começando pela evicção dos factores responsáveis pela inflamação.

Está aconselhado o uso de protector solar, creme hidratante e produtos de higiene e de maquilhagem suaves, adequados a peles sensíveis. Nos casos mais exuberantes poderá ser necessário recorrer, por exemplo, a corticóides, antibióticos, tópicos ou orais, tratamentos de laser e luz pulsada.

Veja também:

Ricardo Ferreira Ricardo Ferreira

Médico, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, define-se com um autodidata, curioso e empreendedor, com um foco especial na área da biotecnologia. Estuda ainda Machine Learning, um ramo da Inteligência Artificial, e as suas aplicações na área da Saúde.