Roteiro para um fim de semana em Lisboa

Ser turista na nossa capital. Por que não? Atrações a visitar, sítios giros para jantar, onde fazer compras e onde dormir: está tudo neste roteiro alfacinha.

Em Lisboa, há sempre coisas para conhecer ou redescobrir

Para nós, portugueses, Lisboa pode não vir à mente de forma imediata, quando pensamos em capitais e cidades a visitar. No entanto, a nossa capital é tão bonita e vibrante que merece que nos tornemos turistas nas suas ruas e nos seus monumentos.

Sim, porque mesmo quem é de Lisboa ou lá trabalha, ou quem vive perto e lá vai regularmente, fá-lo quase sempre concentrado nos seus compromissos e rotinas, sem colocar o foco na cidade e no que ela tem para oferecer. Queremos por isso desafiá-lo a conhecer Lisboa de outra forma, em dois dias repletos de visitas e experiências memoráveis.

Lembra-se do que viu nos passeios da escola, caso tenha visitado Lisboa quando era mais novo? Pois Lisboa mudou. Cresceu, rejuvenesceu e agora, aos ex-libris incontornáveis e aos bairros de sempre, juntam-se outros motivos de interesse, que merecem a sua visita. Vamos para fora cá dentro?

Como deslocar-se em Lisboa

Se chegar à capital de carro, sendo fim de semana, a questão do estacionamento fica facilitada e pode usar o seu automóvel para se deslocar entre as visitas, ainda que seja difícil encontrar lugar para aparcar em locais específicos – como na Baixa, por exemplo – e possa ter de recorrer a parques pagos.

elétrico

No entanto, se quiser usar este roteiro para dois dias durante a semana, o que aconselhamos é que chegue a Lisboa de comboio ou de avião em regime low-cost, se estas opções forem viáveis, e recorra aos transportes públicos, nomeadamente o metro, o autocarro ou o elétrico.

Em todo o caso, se estiver de carro, pode sempre optar por deixá-lo estacionado num lugar gratuito e seguro e recorrer quer ao táxi ou às plataformas alternativas de transporte com motorista, quer aos transportes já mencionados. Desta forma, terá menos preocupações e mais liberdade nas deslocações, podendo até recorrer a experiências mais turísticas, como o tuk-tuk ou os autocarros de sightseeing.

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Um fim de semana perfeito em Lisboa

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Parque das Nações

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Sugerimos que comece o dia junto ao rio Tejo, numa das partes mais modernas de Lisboa: o Parque das Nações. Esta parte da cidade foi reconvertida por alturas da Expo’98 e desde essa altura que é uma área da cidade com vida própria. Afinal, são 340 hectares ao longo de cinco quilómetros à beira-rio.

Uma vez aqui, a Gare do Oriente – estação ferroviária projetada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava – merece uma visita. No Parque das Nações poderá andar de teleférico e há uma série de edifícios que vale a pena apreciar, nem que seja por fora, como o maior pavilhão de espetáculos de Portugal: o antigo Pavilhão Atlântico que agora se chama Meo Arena.

Caso disponha de tempo, talvez queira visitar o Oceanário e o Pavilhão do Conhecimento, paragens especialmente interessantes de estiver com crianças. Pelo caminho, aprecie a extraordinária obra em betão que é a “pala” do Pavilhão de Portugal, da autoria de Siza Vieira.

Feira da Ladra

ladra

Esta é a feira mais conhecida de Lisboa e se nunca a visitou, esta é a oportunidade ideal. Velharias, antiguidades, colecionismo, artigos em segunda mão e artesanato são os produtos à venda num ambiente colorido e caótico bastante peculiar. Esta é, na verdade, a mais antiga feira da cidade, com origem no Antigo Mercado Franco de Lisboa, que se supõe já existir no séc. XIII. Realiza-se aos sábados e às terças, das 9h às 18h. Para lá chegar, pode apanhar os autocarros 712 ou 734 ou o elétrico 28E.

Panteão Nacional

Mesmo ao pé do local da Feira da Ladra, ainda no Campo de Santa Clara, encontra-se o cemitério mais exclusivo de Portugal. Falamos do Panteão Nacional, um edifício do século XVI, originalmente previsto para servir de igreja dedicada a Santa Engrácia. Desde 1966, serve de última morada para os maiores vultos da história portuguesa, seja no campo político ou cultural: Amália, Almeida Garrett, Eusébio, Sidónio Pais, Sophia de Mello Breyner estão aqui sepultados. Tanto o interior como o exterior do Panteão merecem um olhar atento.

Alfama

museu fado

Explore agora Alfama, um dos mais típicos bairros alfacinhas: as ruas estreitas e íngremes, as varandas com flores e roupa a secar, a informalidade entre a vizinhança. Alfama conseguiu sobreviver ao terramoto de 1755 e conserva o seu traçado labiríntico original, que remonta ao período da ocupação árabe, com destaque para os arcos pitorescos: Arco do Rosário, Arcos da Travessa de S. João da Praça, Arco Escuro, Arco das Escadinhas dos Remédios, entre outros.

Este é também um dos bairros do Fado: é aqui que pode encontrar alguns dos mais conhecidos restaurantes e casas de fado da capital e, não muito longe do Museu Militar, poderá visitar o Museu do Fado. Este é, aliás, o tipo de música que é comum ouvir-se sair das janelas das casas do bairro.

Sé Catedral

Antes de rumar ao Castelo de S. Jorge e usufruir das vistas maravilhosas, passe pela Sé de Lisboa, também conhecida por Igreja de Santa Maria Maior. Considerado Monumento Nacional, a sua construção foi iniciada no século XII, após a retirada dos mouros conseguida por D. Afonso Henriques, mas foi sofrendo alterações e ampliações ao longo dos tempos, apresentando uma rica mistura de estilos.

Castelo de São Jorge

castelo

Um dos pontos mais visitados da cidade. O sucesso é facilmente explicado: para além do elevado valor histórico do local, as vistas do Castelo são excecionais. Para cá chegar, nada como uma viagem nos elétricos 12 ou 28. Depois, há muito para explorar: a área das escavações arqueológicas, o castelejo no topo da colina, a exposição permanente, o castelo em si, a experiência interativa com a Câmara Obscura e, claro, o miradouro.

Não deixe ainda de espreitar a paisagem a partir de outros miradouros perto do castelo, nomeadamente o Miradouro das Portas do Sol e o Miradouro de Santa Luzia.

Graça e Mouraria

E para terminar este dia, sugerimos que explore os bairros da Graça e da Mouraria, onde vai continuar a sentir a verdadeira alma lisboeta que, na verdade, é uma mescla de culturas e de influências.

Na Graça, onde pode chegar apanhando o elétrico 28 junto ao Castelo, o destaque vai para o bonito largo e para as desafogadas vistas sobre Lisboa, quer do Miradouro da Graça, quer do Miradouro de Nossa Senhora do Monte.

Quanto à Mouraria, o nome do bairro não podia ter justificação mais simples: foi aqui que os mouros se refugiaram e viveram até ao século XV, após a conquista de Lisboa por Afonso Henriques em 1147. Hoje este é o bairro mais rico em termos multiculturais: há pessoas de pelo menos 56 nacionalidades diferentes a viver aqui e de destinos tão longínquos como Bangladesh, Índia, China ou Paquistão.

Não é de estranhar, por isso, que seja na Mouraria que se encontrem algumas das lojas alimentares mais procuradas pelos chefs de cozinha: há produtos orientais raros que só aqui se encontram, de forma a suprir as saudades dos locais das suas gastronomias de origem.

Se gosta de cozinhar e/ou comer e experimentar produtos diferentes, aconselhamos mesmo uma visita ao aromático Martim Moniz, onde o Mercado de Fusão, com as suas bancas de comida e lojas de produtos exóticos o irão deixar de água na boca.

dia 2

Fundação Calouste Gulbenkian, Parque Eduardo Sétimo, Estufa Fria

Sugerimos começar o dia com um café numa das três cafetarias de uma das mais nobres instituições culturais de Lisboa: a Fundação Calouste Gulbenkian. Tanto os jardins como as exposições merecem ser visitadas, mas se preferir avançar, dirija-se ao Parque Eduardo Sétimo, onde, do topo, se obtém uma agradável vista da cidade.

Integrada no Parque, está a mítica Estufa Fria, que pode visitar para se surpreender com um magnífico acervo natural, com milhares de flores e plantas, que conferem ao espaço uma atmosfera verde exuberante.

Dirija-se depois à rotunda do Marquês de Pombal e desça pela luxuosa Avenida da Liberdade em direção à Baixa. Mas não vá a pé, que ainda são alguns quilómetros e tem de se poupar para o que vem a seguir.

Rossio

rossio

Na bonita Praça da Figueira, há um edifício que salta à vista e não deixa ninguém indiferente: trata-se da Estação de Metro do Rossio. Datada de 1963, segue um projeto do arquiteto Falcão e Cunha e intervenção artística de Maria Keil. As suas fachadas de inspiração mourisca são um verdadeiro deleite, mas basta olhar um pouco à volta para descobrir outro edifício apelativo: o Teatro Nacional D. Maria II.

Uma vez aqui, aproveite para passar no Largo de São Domingos e descobrir o mais icónico local para beber o famoso licor de ginja: não há que enganar, pois chama-se precisamente “A Ginjinha” e o mais certo é haver fila à porta.

Baixa, Chiado, Terreiro do Paço

Explore agora a geometria e a atmosfera clássica das ruas da Baixa e do Chiado até ao Terreiro do Paço. Este traçado foi obra do Marquês de Pombal, aquando da reconstrução da cidade após o sismo de 1755.

Aqui, há de tudo: lojas de comércio tradicional com décadas de existência ao lado de lojas originais com produtos contemporâneos, há padarias e pastelarias inovadoras junto de cafés que guardam memórias históricas, como é o caso do incontornável Café Nicola e a sua estátua de Fernando Pessoa.

Se puder, não deixe de visitar o Mude, na Rua Augusta, um museu onde poderá ficar a conhecer a evolução da Moda e do Design nas últimas décadas. No entanto, como o edifício está a ser alvo de remodelação e ampliação, informe-se da possibilidade da visita.

baixa

Outra experiência muito procurada por quem visita esta zona, é a subida ao topo do Elevador de Santa Justa, um equipamento de 1902, da autoria de Ponsard – um engenheiro do Porto de origem francesa. Está localizado no Largo do Carmo, junto à rua do Ouro, e a sua estrutura de ferro fundido com elementos em filigrana, a par das vistas que proporciona, atrai centenas de turistas diariamente.

No Terreiro do Paço, admire as arcadas onde ainda hoje funcionam alguns ministérios e não deixe de tirar uma fotografia com o imponente Arco da Rua Augusta ao fundo.

Mercado da Ribeira

A fome já deve apertar e se há um sítio que junta o útil ao agradável – ou seja que vale a pena visitar por si só e que ao mesmo tempo é um local fantástico para fazer uma refeição, é o Mercado da Ribeira, a cerca de um quilómetro a oeste da Praça do Comércio.

Aqui, numa grande ala ao lado das bancas dos comerciantes de flores, carnes e outros produtos, estende-se uma miríade de mesas e cadeiras rodeadas de bancas de comida dos mais variados tipos e para todos os gostos. O ambiente é incrível, os cheiros e as cores invadem os sentidos e o difícil é escolher o que comer.

Esta reconversão do mercado aconteceu em 2014, tornando-o num dos maiores espaços de restauração do mundo. Afinal, são 24 restaurantes, oito bares e mais de dez espaços comerciais com produtos gourmet ou de design, selecionados com rigor pelos responsáveis do espaço: a revista Time Out Lisboa, que costuma dizer sobre o mesmo “Se é bom vem na revista, se é ótimo vai para o mercado”.

No fim do almoço, dirija-se em direção a oeste. Apesar de até chegar a Belém haver uma série de pontos de interesse, nomeadamente o Museu de Arte Antiga, a LX Factory com as suas lojas e espaços hipster, o Museu do Oriente e as esplanadas da Doca de Santo Amaro, a nossa sugestão é que o próximo destino seja o MAAT.

MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia

O MAAT é a nova coqueluche lisboeta. Pertencente à Fundação EDP, foi erguido junto ao histórico Museu da Eletricidade e apesar da sua recente existência é já um ex-libris da cidade, quanto mais não seja pela arrojada arquitetura, pensada para permitir uma integração fluída na paisagem ribeirinha.

Segundo os seus responsáveis, este espaço “oferece um novo impulso cultural e paisagístico à cidade de Lisboa. A diversidade de programas e de espaços tornam-no num importante ponto no roteiro cultural da cidade. Uma proposta pensada para todos os públicos, para todas as idades.” Uma das áreas mais procuradas do museu é o seu fabuloso terraço sobre o rio, com uma abrangente vista para a cidade e para a margem sul.

Sobrou tempo? Então passe ainda – de carro ou tuk-tuk, por exemplo – pelo Padrão dos Descobrimentos, pelo Palácio de Belém, Torre de Belém, Centro Cultural de Belém e Mosteiro dos Jerónimos, sem se esquecer de fazer uma pausa para comer um pastel de Belém.


Lisboa à noite

Há bares e discotecas interessantes espalhados um pouco por toda a cidade. O Bairro Alto é, tradicionalmente, uma zona animada. A zona do Cais do Sodré e a Avenida 24 de Julho também têm uma oferta noturna bastante concorrida. Selecionamos alguns locais:


Onde fazer compras em Lisboa

Há tantas lojas bonitas em Lisboa, onde apetece comprar tudo, que é difícil fazer escolhas. Para facilitar, e mesmo sabendo que deixamos muitas lojas fantásticas de fora, fizemos uma seleção de espaços onde apetece andar às compras:

  • Avenida da Liberdade
  • Amoreiras Shopping Center
  • El Corte Inglés
  • Mercado de Campo de Ourique
  • Embaixada
  • LX Market [Lx Factory]

compras


Onde comer em Lisboa

Como capital europeia que é, Lisboa apresenta uma oferta em alimentação e restaurantes bastante ampla, desde os novos conceitos de street food aos restaurantes com estrela Michelin, passando pelos espaços modestos mas convidativos de cozinha tradicional. Se fizer as suas escolhas a partir da lista que se segue, estamos certos de que ficará bem servido.

Belcanto

Largo de São Carlos, 10. O Belcanto foi o primeiro restaurante português a arrecadar duas estrelas Michelin, sob a batuta do Chef José Avillez. Se viver esta experiência culinária de topo faz parte dos seus sonhos, damos-lhe dois conselhos: começar já a poupar e reservar com antecedência.

A Cevicheria

cevicheria

Rua D. Pedro V, 129. Restaurante de comida peruana do mediático Chef Kiko, a Cevicheria fica no Príncipe Real e dá-lhe a conhecer novas e deliciosas formas de cozinhar e comer peixe.

Cervejaria Ramiro

Avenida Almirante Reis, 1. Um clássico da restauração lisboeta por onde já passou muita gente famosa incluindo Anthony Bourdain. Não se assuste se na Cervejaria Ramiro, depois de uma barrigada de marisco fresco preparado com mestria, lhe sugerirem para sobremesa… um prego no pão. Faz parte da tradição desta casa, aberta desde 1956.

Bastardo

bastardo

Rua Betesga, 3. O conceituado chef Aimé Barroyer, nascido em Nancy, França, tem feito escola pelos restaurantes por onde passa, deixando a marca da cozinha de rigor onde os sabores e as texturas proporcionam experiências gustativas únicas, como é o caso do Bastardo. Apesar do nome, aqui, a comida é totalmente legítima!

Pizzaria Lisboa

Rua dos Duques de Braganca 5H – Chiado. Sobretudo se estiver acompanhado de crianças, um restaurante descontraído e com sabores de Itália é sempre uma boa opção. Para muitos, a Pizzaria Lisboa é uma das melhores da cidade.

Leo

Rua do Zaire, 17 C. Há quem diga que é o melhor restaurante de comida indiana de Lisboa. O ideal é experimentar e decidir por si. No menu do Leo, onde é visível a influência nepalesa, há samosas, pakodas, papadams, naans, tikkas e pratos de caril, entre outras propostas. Com vários níveis de picante, claro.


Onde ficar a dormir em Lisboa

De hotéis de 5 estrelas a hostels, Lisboa oferece aos seus visitantes alojamentos para todos os gostos e carteiras. Confira a a nossa seleção.

Teatro B&B

Confortável e muito bem decorado este hotel tem como maior trunfo a sua localização: em pleno Chiado. O nome vem do Teatro da Trindade, que fica mesmo ao lado.

Pestana CR7

pestana

O hotel do momento em Lisboa. O nome explica tudo, certo? Imagine-se em casa do Ronaldo. Ou, pelo menos, experimente um pouco do luxo com que o craque convive diariamente.

A Casa das Janelas com Vista

Um hostel adorável no Bairro Alto. Os quartos são simples mas confortáveis e o pequeno-almoço é delicioso, servido numa sala tão gira, que vai custar sair de lá para calcorrear a cidade.

Hotel Lis – Baixa

Mais um hotel no coração da cidade. Os quartos são inspirados na moda, na arquitetura ou na literatura portuguesa. Se estiver bom tempo poderá tomar o pequeno-almoço na bonita esplanada, em plena calçada portuguesa.

Evolution

evolution

Situado na Praça do Saldanha, com fácil acesso ao metro e a autocarros, é um hotel recente que se destaca pela tecnologia: check-in e check-out automáticos e computadores Apple à disposição dos hóspedes, só para dar dois exemplos.

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