Sabe o que é o MTIC?

O MTIC significa “Montante Total Imputado ao Consumidor”. Por outras palavras é quanto vai pagar no fim das contas. De todas as contas.

Sabe o que é o MTIC?
Montante Total Imputado ao Consumidor

É a sigla que vai fixar a partir de agora sempre que pedir um crédito a um banco ou financeira. É essa linha que deve procurar com afinco quando lhe entregarem a simulação. Vai encontrá-la na FINE (Ficha de Informação Normalizada Europeia), no caso do Crédito à Habitação.

O MTIC significa “Montante Total Imputado ao Consumidor”. Por outras palavras é quanto vai pagar no fim das contas. De todas as contas.

Até agora, o principal critério para a escolha de um banco era o spread. “Quanto tens de spread?”, perguntávamos aos amigos. E sempre nos esquecemos de ver que apesar dos spreads baixos, muito provavelmente estávamos a pagar o “desconto” do spread no seguro de vida, no seguro multirriscos, nas anuidades dos cartões de débito e de crédito, nos seguros de saúde, nas comissões de manutenção de conta, comissões de processamento da mensalidade, etc.

O MTIC contempla tudo isso. Portanto, os bancos já não podem esconder o que vamos pagar realmente pelo nosso empréstimo. Assim já podemos comparar entre propostas de bancos de uma forma mais realista.

banco

Num caso que conheço, com um spread mais baixo iria pagar num banco mais 26 mil euros do que num banco com um spread ligeiramente mais alto. Para além do MTIC, tem também a versão taxa de juro com tudo incluído – a TAEG. Com estas duas siglas pode fazer a escolha mais acertada e poupar dezenas de milhares de euros no seu crédito.

O que deve procurar na FINE?

Vai encontrar as seguintes informações:

  • A taxa anual de encargos efetiva global (TAEG);
  • A taxa anual nominal (TAN) aplicável ao empréstimo de acordo com o tipo de taxa de juro (taxa fixa, variável ou mista);
  • Comissões, despesas, seguros exigidos e outros custos;
  • O montante do empréstimo e o montante total a reembolsar (MTIC);
  • A periodicidade e o montante das prestações;
  • E a informação sobre os produtos e serviços financeiros contratados como vendas associadas facultativas, se for aplicável.

A FINE – com estes dados – só é obrigatória para as simulações de créditos a partir de janeiro de 2018. Todos os outros créditos aprovados antes dessa data tiveram os seus documentos próprios mas sem estas informações específicas. Tinham uma coisa chamada TAER. Se for aos seus arquivos provavelmente vai encontrá-la.

Deve ler e reler esse documento porque com o conhecimento que temos agora, provavelmente vai assustar-se com o que assinou sem se aperceber do que realmente estava a assinar. Mas ainda vamos a tempo de emendar algumas coisas ou de, pelo menos, saber com o que contamos no futuro.

contas

Peça um plano de pagamentos

Há cerca de 3 anos pedi à minha gestora de conta que me enviasse por e-mail o plano de pagamentos de juros, amortização e seguro de vida (mês a mês) até ao fim do contrato. No caso da CGD, esse documento foi grátis (e rápido). Mas já me disseram que há bancos que cobram por essa informação. Veja junto do seu banco.

Não sei se se lembram de um produto que a Caixa Geral de Depósitos tinha em 2007 chamado T30? Concediam o empréstimo e a última prestação era de 30% do crédito. Cometi a asneira de assinar esse contrato. Ou seja, quando tiver 82 anos vou ter de pagar um terço do empréstimo de uma vez.

Como é que eu assinei isto? Por ignorância, desconhecimento (era um jovem na altura sem literacia financeira) e o banco queria era despachar créditos. Agora é uma situação que tenho para resolver nos próximos 20 anos antes que chegue essa fatura que considero uma verdadeira ”bomba-relógio”, em conjunto com o seguro de vida. Daí a importância de saber com o que conta no seu crédito à habitação. Não deixe andar…

No caso da FINE, deve ter em atenção outro pormenor. Nas últimas páginas, agora os bancos são obrigados a fazer uma simulação de quanto vai pagar por mês se a euribor voltar a subir para o valor mais alto a que já esteve nos últimos 20 anos. Recordo que por volta de 2008, a Euribor andou à volta dos 5%.

Isto vai permitir-lhe avaliar se consegue aguentar o crédito que vai pedir se voltar a acontecer uma crise como a que ocorreu há relativamente pouco tempo. A nossa memória é fraca. Não estamos a falar de valores hipotéticos. São valores reais que aconteceram. Quando isso aconteceu, tive de pedir carência de capital por 2 anos. Não faça de conta que aqueles valores são só para assustar. Arriscar pode significar perder a casa para o banco por não conseguir cumprir com a prestação. Mesmo que decida arriscar, pelo menos é com plena consciência dos riscos. Não pode dizer depois que não o avisaram. Eu sei que aquilo são uma montanha de folhas com palavras e números que não está habituado a ler. Mas informe-se bem e faça todas as perguntas ao banco antes de assinar o que quer que seja.

Em resumo, se anda à procura de crédito, compare bem a TAEG e o MTIC para escolher o melhor crédito logo de raiz. Se já o tem, informe-se bem para confirmar o que assinou e não ter surpresas desagradáveis no futuro. O dinheiro custa a ganhar. Vamos usá-lo bem.

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Pedro Andersson Pedro Andersson

Pedro Andersson é jornalista e responsável pela rubrica Contas-poupança, no Jornal da Noite da SIC. Trata semanalmente de temas ligados às finanças pessoais, poupança e direitos dos consumidores. Trabalhou na Rádio TSF, até ser convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. Escreve também regularmente no Expresso e na Visão sobre temas de poupança.