Publicidade:

Salário de licenciados em 2018 com evolução favorável no patamar mínimo

Apesar dos indicadores positivos, o salário de licenciados não está a recuperar como as remunerações dos restantes trabalhadores portugueses. Conheça algumas conclusões.

Salário de licenciados em 2018 com evolução favorável no patamar mínimo
Incremento salarial previsto rondava os 2%

A Mercer e a Jason Associates juntaram-se para revelar, no último trimestre de 2017, o seu estudo anual de compensações e salários, o Total Compensation Portugal 2017. As previsões indicaram a intenção das empresas em contratar mais em 2018, a subida da remuneração média e também o aumento de 83 euros, em três anos, do salário de licenciados. No entanto, ficou também registada a previsão de muitos recém-licenciados receberem menos.

O Total Compensation Portugal 2017 analisou 154 826 postos de trabalho em 333 empresas no mercado português. Conheça as principais conclusões sobre o salário de licenciados.

Salário de licenciados: Total Compensation Portugal 2017


salario de licenciados

Revisão salarial

Segundo este estudo, cerca de 87% das empresas que participaram realizam a sua revisão salarial uma vez por ano. Como fatores preponderantes na atribuição de incrementos, surgem os resultados individuais do colaborador (86%), bem como os resultados da organização (66%).

Outros fatores que influenciam os aumentos salariais referem-se a diretrizes da casa-mãe, equidade interna, orçamento aprovado e Acordos Coletivos de Trabalho. A antiguidade e o nível funcional são os fatores que menos influenciam na atribuição do incremento salarial.

Aumentos salariais em 2018

Em 2017, os incrementos salariais rondaram os 2%, para quase todos os níveis de responsabilidade, sendo o valor mais elevado registado nos últimos anos. As funções comerciais apresentavam incrementos de cerca de 2,5%, sendo que funções de responsabilidade mais baixa tinham valores de incremento mais baixo, a rondar os 1,5%. Comparativamente a 2017, as expectativas de incremento salarial projetadas para 2018 rondavam os 2% para a generalidade das famílias funcionais, ligeiramente mais para funções de topo e menos para as funções de menor responsabilidade.

Face a 2017, diminui o número de empresas que tem intenção de congelar salários em 2018. Apesar dos incrementos salariais, a entrada de novos profissionais no mercado a aceitarem níveis de remuneração inferiores continuam a pressionar os salários reais em praticamente todos os níveis de responsabilidade.

O salário base anual dos recém-licenciados, no primeiro emprego, situa-se tendencialmente entre os 13 280 euros e os 17 856 euros anuais, verificando-se um aumento do valor mínimo (13 057 euros em 2016) e uma diminuição do valor máximo (17 984 euros em 2016).

Salário de licenciados: vale a pena o “canudo”?

João Cerejeira, professor da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, publicou (também no ano passado) com outros cinco autores portugueses um estudo que conclui que o prémio salarial dos licenciados tem caído nos últimos anos, ao mesmo tempo que aqueles que possuem mais qualificações (mestrados e doutoramentos) vêem esse prémio crescer.

A progressiva qualificação da mão-de-obra portuguesa desencadeou um processo de substituição. Ou seja, à medida que o número de trabalhadores pós-graduados aumenta, os licenciados vão sendo empurrados para baixo. Por sua vez, os licenciados, vão ocupando lugares onde antes estava quem apenas tinha o secundário.

João Cerejeira refere que “os nossos resultados sugerem, assim, que uma pós-graduação se tornou num instrumento muito importante para evitar o risco de ter um trabalho de salário baixo e menos atrativo”.

No entanto, segundo os dados da OCDE, Portugal continua a ser uma das economias onde o prémio salarial por ter uma licenciatura é mais elevado, superado na Zona Euro apenas pela Eslovénia.

Veja também: