Serra do Açor: o que visitar e onde ficar

A Serra do Açor é a quinta serra mais alta de Portugal Continental e esconde alguns dos mais belos tesouros da natureza da região centro do país.

Serra do Açor: o que visitar e onde ficar
Roteiro para uma escapadinha de inverno

A Serra do Açor é a formação montanhosa em xisto mais elevada de Portugal Continental e um dos destinos preferidos dos amantes do turismo de natureza. Alberga cinco Aldeias de Xisto – Benfeita; Aldeia das Dez; Fajão; Vila Cova de Alva; Sobral de S. Miguel – e é conhecida pelas paisagens idílicas, pela simpatia das suas gentes, pelo bem receber e pelos sabores tradicionais da doçaria e gastronomia da região.

Serra do Açor: roteiro para uma escapadinha de inverno

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A Serra do Açor engloba os concelhos de Arganil, Góis e Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra. Quer venha do Norte ou do Sul, o acesso mais rápido é pela A1 até à saída para o IP3 – seguindo depois as indicações para Arganil e Coja, onde encontrará indicações diretas para a Mata da Margaraça, a Fraga da Pena ou o Piódão.

Quando se deparar com paisagens de vegetação densa, de beleza indescritível, e com aglomerados de casarios brancos e em xisto na encosta da serra saberá que está no caminho certo. Não é por qualquer razão que grande parte da Serra do Açor tem a classificação de Paisagem Protegida, dado que alberga duas áreas de especial interesse: a Reserva natural Parcial da Mata da Margaraça e a Reserva de Recreio da Fraga da Pena.

A Mata da Margaraça, localizada próximo da povoação de Pardieiros, é uma das mais importantes florestas caducifólias do país. Já a Fraga da Pena localiza-se num pequeno desvio da estrada que liga Benfeita a Pardieiros. É conhecida pelas suas belas quedas de água e pela povoação de carvalhos-alvarinho, azereiros, azevinho e castanheiros. Ambas as reservas guardam algumas das mais belas espécies de fauna e flora do país.

Do roteiro de viagem pela Serra do Açor não pode deixar de visitar  as Aldeias do Xisto. Dizemos-lhe porquê.

1. Benfeita

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Situada entre Côja e a Paisagem Protegida da Serra do Açor, nas proximidades da Mata da Margaraça e da Fraga da Pena, a Benfeita é uma das “aldeias brancas” da Rede das Aldeias do Xisto.

Tem esta denominação porque o seu património arquitetónico é um misto de casarios brancos e em xisto. Todavia, a “aldeia branca” também faz alusão ao facto desta ser “a única aldeia no Mundo que exalta a paz com uma torre, um sino e um relógio”. Todos os anos a 7 de maio, a torre sineira desta aldeia celebra o fim da II Guerra Mundial com 1620 badaladas.

A religiosidade da sua população é bem visível no património construído da aldeia. Além da Igreja Matriz (séc. XVIII), podem encontrar-se a Capela da Nossa Senhora da Assunção, a Capela de Santa Rita, a Capela do Senhor dos Passos, a Capela de S. Bartolomeu, a da Senhora da Guia e a da Senhora das Necessidades.

A não perder:

  • Ponte Fundeira: ponte em pedra, datada do século XIX;
  • Casa Simões Dias: centro documental sobre o professor e poeta José Simões Dias, que também alberga a Loja Aldeias do Xisto (no piso inferior);
  • Moinho do Figueiral: onde ainda é possível ver como antigamente se aproveitava a força da água;
  • Atelier da Feltrosofia: onde se fazem artesanalmente peças de feltro com um design inovador;
  • Fonte das Moscas: ruas de casario branco com passadiços característicos, nas quais se destaca a Torre da Paz, de alvenaria de xisto.

 

Onde ficar?

Casa do Rosmaninho – Pardieiros

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Situada próximo da Benfeita, é uma casa de construção em xisto, restaurada. Os três pisos têm fogões de sala e o ambiente é muito acolhedor. Em época baixa, um quarto para duas pessoas custa 70€/noite.

Casa o Medronheiro – Hombres

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A casa, localizada em Terras de Mondalva, situa-se junto à margem do rio Alva, na Praia Fluvial do Vimieiro, recentemente galardoada com Bandeira Azul e em pleno medronhal. A casa tem dois quartos – cama de casal e duas camas de solteiro -, uma kitchenette, uma casa de banho e uma sala com sofá cama. Alugada em regime de exclusividade, o preço é de 75€/noite para 4 hóspedes.

2. Aldeia das Dez

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Situada nas proximidades do rio Alvoco, a Aldeia das Dez é um autêntico miradouro, com vista privilegiada para as serras envolventes, nomeadamente para a Serra da Estrela. Construída predominantemente em granito, a aldeia detém um património construído de relevo, com destaque para a Igreja Matriz, cujo interior está decorado com sumptuosa talha dourada.

A Aldeia das Dez é também a aldeia das fontes. São quatro, desde a Fonte do Povo, construída em 1892 e adornada com azulejos com poemas de Vasco Campos, até à Fonte do Soito Meirinho, localizada à entrada da aldeia. Conhecida pela doçaria típica – sobretudo os coscoréis e as cavacas -, pelas compotas e pelo licor de medronho, aconselhamos vivamente a visita à “aldeia-miradouro”.

A não perder:

  • Calçada romana: localiza-se a 3 km da aldeia, no Caminho das Tapadas e no Areal;
  • Casa quinhentista: junto à Capela de Santa Maria Madalena;
  • Casa da fábrica: edifício localizado junto ao cemitério, construído no séc. XIX, que foi fábrica de cobertores;
  • Escola primária: característico estabelecimento do ensino primário, construído no âmbito do “Plano dos Centenários”, no tempo do Estado Novo;
  • Fonte do Marmeleiro: construída em 1915;
  • Miradouro do Penedo da Saudade;
  • Miradouro da Mimosa;
  • Miradouro do Largo Alfredo Duarte.

 

Onde ficar?

Quinta da Moenda – Alvoco das Várzeas

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O conjunto de cinco casas de campo situadas nas margens do rio Alvoco aluga quartos para 2 pessoas a 75€/noite. Disponibiliza aos seus hóspedes  uma piscina, um Spa com sauna, um grande pátio com uma cozinha exterior, churrasqueira e uma sala comum.

Quinta do Forninho – Oliveira do Hospital

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Localizada no vale do Rio Alva, a Quinta do Forninho dispõe de 4 apartamentos para uma escapadinha de inverno em família ou com amigos. De acordo com os apartamentos, os preços variam entre 50 a 70 €/noite.

3. Fajão

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Situada sobre o rio Ceira, Fajão foi requalificada em 2003. Desde esse momento, a aldeia ganhou uma identidade pitoresca e muito aprazível. Embora algumas fachadas estejam rebocadas e pintadas, muitas das casas mantém a construção em xisto original.

O património religioso da aldeia é muito relevante, a começar pela Igreja Matriz, dedicada a Nª Srª da Assunção, cuja construção data do século XVIII. Ainda há duas capelas e a antiga casa da Câmara, que também serviu como tribunal e cadeia. Embora mantenha a planta original, está reconvertido em unidade de alojamento.

Na aldeia pode-se ainda visitar o Museu Monsenhor Nunes Pereira, cujo espólio é constituído por  xilogravuras, aguarelas de Fajão e objetos pertencentes à história da aldeia (como o seu primeiro telefone público).

A não perder:

  • Antiga escola primária: edifício construído no âmbito de uma intervenção geral no país denominada “Plano dos Centenários” com a qual o Estado Novo pretendeu facultar a instrução a todas as crianças;
  • Lavadouro público: este equipamento, da década de 50 ou 60 do séc. XX, mantém inalteradas as suas características arquitectónicas e materiais construtivos;
  • Fonte Velha: ponto de água que terá sido determinante para o estabelecimento do povoado neste local;
  • Alminha: localizada na estrada para o rio Ceira.

 

Onde ficar?

Villa Pampilhosa Hotel – Pampilhosa da Serra

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Situado em Pampilhosa da Serra, nas proximidades da aldeia de Fajão, este hotel de 4 estrelas, disponibiliza 52 quartos para os visitantes da região. Um quarto standard, para duas pessoas, custa 49€/noite.

4. Vila Cova de Alva

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É a Aldeia do Xisto que possui o maior património religioso da Serra do Açor. Além disso, é uma aldeia marcada pela dimensão dos seus edifícios e espaços públicos – casos do Largo da Igreja Matriz e do Pelourinho, onde coabitam dois solares do século XVII -, para não falar da sua fabulosa praia fluvial, no rio Alva.

Apesar do material de construção predominante ainda ser o xisto, a quase totalidade das fachadas encontra-se rebocada e pintada de branco. Também se recorre ao granito para os elementos nobres das construções, nomeadamente os vãos – ombreiras, padieiras, soleiras das portas e peitoris das janelas.

A não perder:

  • Pedra de armas quinhentista: pedra de armas (Castelo Branco, Britos, Costas e Castros) e pedra gravada com a data 1536, implantada na frontaria de um edifício atualmente descaracterizado;
  • Casa da Praça (ou Edifício dos Osório Cabral): construído no início do séc. XVII, foi a antiga Casa da Câmara, tribunal e cadeia. Janelas de sacada com verga cornijada e guardas em ferro da época;
  • Capela de Nossa Senhora da Assunção: portal com arco de volta perfeita, sobre o qual se sobrepõem um corpo com a pedra de armas;
  • Fonte de São Sebastião: fonte profusamente decorada com azule;
  • Rua Quinhentista: quase exclusivamente composta por portas e janelas manuelinas, transportando-nos ao séc. XVI;
  • Igreja Matriz;
  • Igreja do antigo Convento de Santo António;
  • Ermida de São João de Alqueidão.

 

Onde ficar?

Quinta da Palmeira – Cerdeira

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A Quinta da Palmeira Romantic Boutique situa-se no concelho de Arganil. É considerada uma casa de campo de alto valor arquitectónico, datada do longínquo ano de 1890, rodeada de laranjais e olivais. O preço de um quarto para duas pessoas ronda os 70€/noite.

Sotam Country House – Murtinheira

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Esta oferta de alojamento local está situada em Vila Nova de Ceira, a 5 km de Góis. Um quarto duplo ronda os 50€/noite.

5. Sobral de S. Miguel

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Os seus habitantes consideram que a aldeia é o “Coração do Xisto”, já que é um dos maiores aglomerados de edifícios em xisto existente em Portugal. Porém, o património gastronómico não fica atrás do arquitetónico. A ginja, a pica de chouriço, sardinha ou bacalhau, passando pelo mel e pelo pão de forno a lenha são algumas das iguarias da aldeia.

Sobral de São Miguel também proporciona uns bons passeios pedestres. Quer sejam através das ruas e quelhas da aldeia, ou acompanhando o curso da Ribeira do Porsim, uma visita à aldeia proporcionar-lhe-á um profundo bem estar-físico e emocional.

A não perder:

  • Capela de Santa Bárbara: edificada em 1940, quando a exploração do volfrâmio era a ocupação da população residente;
  • Eira: no local onde confluem as duas ribeiras que originam a ribeira do Porsim, que atravessa a aldeia;
  • Tronco de ferrar: junto à eira, este era o equipamento utilizado para imobilizar as bestas enquanto eram ferradas;
  • Fontanário: situado no Largo do Cabecinho, à entrada da aldeia;
  • Fonte do Caratão: também conhecida como Fonte da Ponte, foi construída em 1900.

 

Onde ficar?

Casa da Sobreira – Sobral de S. Miguel

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A Casa da Sobreira, reconstruída em 2013, situa- se no centro da aldeia de Sobral de São Miguel. A casa só é alugada em regime de exclusividade e pode albergar quatro adultos e duas crianças. O preço ronda os 100€/noite.

Casa da Mina – Cabeço do Pião

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Este hostel tem tem 17 quartos e 55 camas. Está situado numa localização privilegiada na Serra do Açor, pois está rodeada por uma paisagem única de serras, vales e pelo o Rio Zêzere. Os preços também são muito convidativos – 12€/noite por pessoa.

Não tem vontade de tirar umas mini-férias e fazer este roteiro pela Serra do Açor? Para facilitar a sua vida, a plataforma Book in Xisto ser-lhe-á útil, pois agrega informação que permite fazer a reserva de alojamentos, restaurantes e atividades diversas nas Aldeias do Xisto. Boa viagem!

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