Stress pós traumático: causas, consequências e tratamento

A perturbação ou síndrome do stress pós traumático ocorre como reação a uma experiência pessoal direta a um acontecimento real. Saiba tudo aqui.

Stress pós traumático: causas, consequências e tratamento
Esta síndrome tem raízes em vários tipos de trauma

Acontecimentos traumáticos ligados a morte, ameaça de morte, ferimentos, ameaça à integridade física, ou, até, o testemunho de um evento que possa envolver estas ocorrências, pode estar na base da síndrome de stress pós traumático.

Apesar de a maior parte dos casos ser despoletado por experiências pessoais, também sucede como reação a testemunhos dessas ocorrências a terceiros. Pode ocorrer em qualquer altura, desde a infância à 3ª idade, estimando-se que tenha uma prevalência de 1 a 14% durante a vida.

Stress pós traumático: definir a reação e os sintomas

A exposição a acontecimentos traumáticos pode dar origem a respostas emocionais que se baseiam no medo, horror e/ou sentido de impotência, comportamentos agitados e ansiosos. Todos estes são sintomas característicos desta síndrome do stress pós-traumático.

Reconhecemos esta síndrome sobretudo em contextos militares, sequestros, agressões violentas a nível físico e/ou sexual, ataques terroristas, tortura, acidentes de viação ou desastres naturais. Pode também ocorrer devido a acontecimentos psicológicos marcantes, tais como receber notícias potencialmente devastadoras.

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A perturbação pode ser especialmente duradoura quando o fator que a provoca é de natureza humana e quando a vítima está fisicamente próxima deste. Para se proceder a um diagnóstico acertado, os sintomas devem estar presentes durante mais de um mês, afetando o funcionamento social, ocupacional e individual da pessoa.

O principal sintoma baseia-se na contínua vivência do evento traumático, uma apatia emocional, no evitar evidente de estímulos que possam estar relacionados com o evento.

O reviver o acontecimento traumático pode ocorrer através de recordações recorrentes, pesadelos também frequentes, dificuldades de concentração, reação extrema a outros acontecimentos semelhantes mas já distantes da vítima. Fisicamente podemos experimentar perda de consciência, taquicardias, ataques de ansiedade e pânico agudos.

A vítima pode mesmo entrar num estado apático em que perde a consciência do mundo real e revive continuamente o evento, quando é exposto a fatores que ativam o evento: aniversário da sua ocorrência, espaço físico onde ocorreu, por exemplo. Aqui ocorrem flashbacks.

Consequências da síndrome de stress pós traumático

Por regra, a pessoa que sofre de stress pós-traumático tenta, deliberadamente, evitar pensamentos, sentimentos ou conversas sobre o trauma, assim como evita atividades e espaços que possam reacender memórias.

Pode sentir-se socialmente desligado do mundo, das pessoas mais próximas, de atividades que anteriormente lhe traziam prazer. O lado emocional fecha-se e a apatia, ligada a um comportamento, por vezes, facilmente irritável e instável, tomam conta da vida quotidiana. Estabelece-se também um estado permanente de hipervigilância como método de sobrevivência para prevenir a próxima ameaça e constantes pensamentos intrusivos.

Quando à duração, o stress pós-traumáticos tem três fases:

  • Aguda: a duração dos sintomas é inferior a 3 meses;
  • Crónica: os sintomas duram 3 meses ou mais;
  • Com início dilatado: passam pelo menos 6 meses entre o evento traumático e o início dos sintomas.

O stress pós traumático pode estar intimamente ligado ao desenvolvimento de outras perturbações, tais como comportamentos obsessivo-compulsivos e ataques de ansiedade.

apatia

Tratamento do stress pós traumático

A psicoterapia é o tratamento preferencial e recomendado para esta síndrome. Pode ou não ser acompanhada por um recurso a um tratamento químico, apesar de ser sempre preciso ter em causa a idade da vítima e antecedentes médicos.

Psiquiatras e psicólogos podem aplicar técnicas de psicoterapia de formas distintas, desde uma exposição a cenas traumáticas e estímulos associados para exercitar reações, ou técnicas relacionadas com o relaxamento, treinos de respiração e paragem do pensamento. No fundo, uma reprogramação mental.

Um passo importante no tratamento é a procura de ajuda, não só de especialistas médicos, mas também de grupos de apoio, em que a empatia pelos diferentes casos e a possibilidade de criar laços com outras vítimas, se torna fundamental na recuperação.

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Júlia Rocha Júlia Rocha

Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto, sempre se deu bem com os livros, teclados de computador e canetas. A importância da palavra escrita num mundo tecnológico, aliada à história, ao cinema, literatura e televisão, são os seus maiores campos de interesse.