Tem o seu spread debaixo de olho?

Basta um cliente terminar um pequeno e insignificante produto contratado, para os bancos aumentarem imediatamente o spread do crédito à habitação.

Tem o seu spread debaixo de olho?
Situações que podem levar ao aumento do spread

Os bancos estão aflitos por dinheiro. Os lucros estão a descer e estão a rapar o fundo do tacho (neste caso, dos clientes). Se no passado os próprios sistemas informáticos deixavam passar muitas excepções pelas malhas do sistema, agora basta um cliente terminar um pequeno e insignificante produto contratado, para eles aumentarem imediatamente o spread do crédito à habitação. Os computadores já fazem isto de uma forma “cega”.

Situações que podem levar ao aumento do spread

Veja estes dois casos. Um cliente bancário recebeu uma carta a dizer que a carteira de depósito superior a 5.000€ tinha sido cancelada e que esse era um dos produtos que tinha sido subscrito para ter um spread mais baixo. A questão é que a conta já tinha sido cancelada em 2012 (faz agora 5 anos) e iam agravar o spread em 1,750%. Provavelmente desde essa altura, com retroativos.

Outro cliente foi surpreendido com uma carta do banco a aumentar o spread porque um dos serviços que tinha subscrito tinha sido extinguido. Neste caso específico, a domiciliação de ordenado. Mas o cliente não tinha mudado nada. Foi o banco da empresa onde trabalhava que se enganou no código que enviou para os bancos dos funcionários. O banco deu pelo erro, corrigiu e voltou a ter o spread original, porque o cliente reclamou.

Tanto num caso como no outro, o banco mandou uma cartinha a avisar que iam aumentar o spread e explicavam o motivo. Mas infelizmente há muitas pessoas que ignoram as cartas dos bancos. Algumas cartas nunca são abertas e vão diretamente para o lixo. Em casos assim, pode muito bem acontecer estar a pagar muito mais de prestação sem ter dado por isso. Como as prestações estão historicamente baixas, mesmo que aumente 1 ou 2 por certo, não vai ver grande diferença, mas quando a EURIBOR subir é que vão ser elas.

poupar no spread

Também há situações em que fazemos alterações ao nosso spread sem termos consciência disso.

Por exemplo, no meu caso, para ter 0,3 de spread tenho de ter um cartão de débito, um seguro de vida, um seguro multi-riscos, domiciliação de rendimentos, cartão de crédito, homebanking e domiciliação de pagamentos. Se eu extinguir um dos produtos contratados – apenas um – aumentam-me imediatamente o spread para 1.8. Seis vezes mais!

Convém saber exatamente os produtos que precisa manter para que o seu spread continue baixo, se for o caso. Esses dados estão no seu Documento Complementar da Escritura, ou nome equivalente. É o seu contrato de empréstimo do banco que está normalmente junto à escritura da casa. Leia-o quando tiver tempo para não ser “enganado” ou sofrer um aumento de spread por alguma distração sua. Basta, por exemplo, mudar o NIB do pagamento da água ou da luz para outro banco porque lhe dá mais jeito e só por causa disso aumentam-lhe o spread.

Dicas para poupar nas prestações

Mais um detalhe importante. Se estiver numa de poupar ao máximo, o facto de ter esses produtos todos não quer dizer que tenha de pagar o que eles (os bancos) querem. Por exemplo, tem de ter um cartão de crédito? Certo. Mas porque não pede para mudar para o que tem a anuidade mais barata? Ou talvez até tenham um que é grátis… (sim, estou a ser optimista). E se tem de ter um seguro de vida – e não diz que tem de ser associado ao crédito à habitação – porque não pede para fazer o mais barato de todos? No meu banco há um de 4€ por mês em vez dos 70€ que estou a pagar agora. Claro que tem de fazer outro seguro de vida no valor do empréstimo noutra seguradora e apresentar essa prova ao seu banco todos os anos. Mas fazendo as contas pode compensar a diferença…

No meu caso pessoal, mantendo o seguro de vida de 4€ na seguradora do banco iria pagar muito menos por mês fazendo o seguro de vida do crédito numa seguradora mais barata (45€ em vez de 70€). Pouparia 21€ por mês durante os 31 anos que me faltam pagar (pouparia mais do que isso porque o seguro vai aumentando à medida que vamos ficando mais velhos). São mais 7.812€ que ficam no meu bolso para eu gastar como quiser. Qualquer dia faço isto. Só ainda não o fiz porque estou à procura de mais alternativas. Ando com umas coisas em vista… Assim que confirmar, digo.

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Pedro Andersson Pedro Andersson

Pedro Andersson é jornalista e responsável pela rubrica Contas-poupança, no Jornal da Noite da SIC. Trata semanalmente de temas ligados às finanças pessoais, poupança e direitos dos consumidores. Trabalhou na Rádio TSF, até ser convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. Escreve também regularmente no Expresso e na Visão sobre temas de poupança.