Saiba como é feito o transplante de medula óssea

O transplante de medula óssea revolucionou para sempre a forma como são tratadas as patologias oncológicas. Saiba mais sobre este processo.

Saiba como é feito o transplante de medula óssea
Saiba mais sobre este processo que revolucionou os tratamentos

As primeiras pesquisas de transplante de medula óssea começaram na década de 1950 e o primeiro transplante com sucesso aconteceu em 1968. Em Portugal, o primeiro caso de sucesso de transplantação de medula óssea aconteceu em 1987, no Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil. 

Nos primeiros tempos, o transplante de medula óssea era feito para tratar os casos de leucemia. Hoje em dia, o trabalho de investigação desenvolvido permitiu continuar a alargar o uso desta técnica para o tratamento de outras patologias: anemias, doenças hereditárias e oncológicas, por exemplo. 


Transplante de medula óssea em Portugal

De acordo com os últimos dados, Portugal regista cerca de 1000 novos casos de leucemia todos os anos e a grande maioria necessita de um transplante de medula óssea. Em 2011, o CEDACE – Centro de Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea - contava com cerca de 300 000 dadores inscritos, números que colocam Portugal no segundo lugar da lista de países da Europa com mais dadores. 

O transplante de medula óssea permite regenerar a produção deste tecido que é responsável pela criação dos vários componentes do sangue (glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas). 


Tipos de transplante

Existem três tipos de transplante de medula óssea: 
  • Alogénica ou alotransparente – nestes casos é utilizado um enxerto da medula óssea de um dador compatível (que poderá ser um parente direto ou de alguém que faz parte do CEDACE); 
  • Singénica – o dador é o irmão gémeo do paciente;
  • Autóloga ou aototransplante – nestes casos o doente torna-se no seu próprio dador. Para não inviabilizar este processo, a medula óssea é colhida numa fase mais precoce da doença e preservada até ser necessária.


Como é feito este procedimento?

O transplante de medula óssea é feito com anestesia geral. No final da recolha, o dador fica, na maioria dos casos, uma noite no hospital para ser seguido pela equipa médica. 

Já o paciente que irá receber as células estaminais que foram previamente extraídas, é submetido a altas doses de quimioterapia para destruir a medula óssea “doente”, o que acaba por enfraquecer o sistema imunológico e baixar as defesas do organismo (que passa, assim, a estar mais suscetível a infeções). Depois, é feito o transplante da medula óssea saudável através da injecção por via de uma veia central.

Assim que o número de células estaminais normaliza novamente, o doente recebe alta hospitalar e continua a ser seguido por uma equipa médica.


Existem riscos com o transplante?

Ainda assim, há diversos fatores que colocam em risco o sucesso do transplante de medula óssea. De acordo com o Serviço de Transplantação de Medula Óssea, 50% dos pacientes que fazem um transplante alogénico sofrem da doença enxerto contra o hospedeiro. Nestes casos, as células do dador acabam por atacar o corpo do paciente. Esta patologia é tratável mas pode ser crónica (para toda a vida). 

É raro o enxerto não estimular a produção de uma nova medula óssea (e com isso, novas células estaminais essenciais para a defesa do organismo e para o reforço do sistema imunológico) mas existem casos assim (representam menos de 5% dos transplantes de medula óssea). Nesses casos, o procedimento deve ser repetido e pode ser utilizando novo enxerto do mesmo dador sem risco da situação voltar a acontecer. 

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