Gripe e falta de pessoal aumentaram tempo de atendimento do INEM

Aumento do número de pedidos de socorro e a diminuição dos recursos humanos esteve na origem do problema.

Gripe e falta de pessoal aumentaram tempo de atendimento do INEM
Situação já melhorou

O presidente do INEM reconheceu recentemente o aumento do tempo de atendimento das chamadas de emergência, justificando-o com o aumento do número de pedidos de socorro e a diminuição dos recursos humanos, mas garantiu que a situação já melhorou.

Luís Meira falava aos deputados na Comissão Parlamentar de Saúde, onde está a ser ouvido sobre os reais tempos de resposta às chamadas de emergência que chegam ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Tempo médio de espera nas chamadas aumentou para 17 segundos

Dados do instituto indicam que em 2016 foram atendidas nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM 1.370.348 chamadas, com uma média de 3.744 por dia. O tempo médio de atendimento aumentou de 14 segundos em 2014 para 17 segundos em 2015 e 18 segundos em 2016.

Segundo o INEM, desde outubro de 2016 que se regista um aumento muito significativo do número de chamadas de emergência. Só no último trimestre do ano passado, foram recebidas mais cerca de 255 chamadas por dia face ao período homólogo de 2015. Também no último trimestre de 2016 foram acionados por dia mais cerca de 250 meios de emergência médica face ao período homólogo de 2015.

O aumento da procura provocou o problema

O Instituto atribui “o aumento dos tempos de atendimento e da atividade dos meios de emergência médica” ao “aumento das chamadas de emergência recebidas no CODU como resultado do aumento da procura de cuidados de saúde e, de um modo particularmente evidente nos meses de dezembro e janeiro, pela atividade gripal”.

O presidente do INEM reconheceu o aumento do tempo de atendimento, recordando o crescente volume de serviço que pende sobre os CODU e aproveitando para dar “uma palavra de apreço” aos funcionários que, mesmo nos períodos mais críticos, permitiram que o nível de resposta não tivesse sido significativamente alterado.

Luís Meira anunciou, entretanto, que neste mês de fevereiro o tempo de atendimento já diminuiu e estará a situar-se nos 13 segundos. Segundo Luís Meira, a diminuição de recursos humanos disponíveis também contribuiu para estas dificuldades, recordando que, no passado mês de janeiro, dos 1.721 lugares previstos, estavam ocupados apenas 1.279, o que representa um défice de 442 trabalhadores.

Além dos 121 ingressos registados serem “insuficientes”, as saídas (80) que se registaram em 2016 também agravaram a falta de recursos humanos. A este propósito, Luís Meira anunciou que o procedimento concursal com vista à contratação de mais 100 Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (nova carreira que integra os Técnicos de Emergência e os Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar) será publicado na próxima semana.

A greve das horas extraordinárias

O presidente do INEM ressalvou ainda que nos meses mais críticos em termos de chamadas de emergência recebidas, também foi assinalado um aumento do absentismo, para o qual contribuiu a atividade gripal que afetou alguns funcionários.

A greve às horas extraordinárias, ainda que com “uma adesão não significativa”, também agrava as dificuldades nesta área, disse. Em resposta às questões levantadas pelos deputados, Luís Meira reconheceu que a frota do INEM está “envelhecida e com muitos quilómetros”. Por esta razão, “foi dada prioridade para os processos de renovação de frota”, que são “difíceis e morosos”, em virtude das normas e constrangimentos que afetam a administração pública.

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