Mulheres ainda recebem menos e têm menos oportunidades de carreira

As mulheres têm menores e salários e ocupam menos cargos de poder em Portugal.

Mulheres ainda recebem menos e têm menos oportunidades de carreira
Questão vai ser alvo de debate na UNESCO

Igualdade de género avançou em Portugal, mas ainda há desigualdades importantes. O presidente da Associação Portuguesa de Bioética, Rui Nunes, elogiou hoje os avanços registados em Portugal nos últimos 40 anos relativamente à igualdade de género, mas salientou que ainda existem desigualdades importantes, nomeadamente ao nível salarial.

“Conseguiu-se ultrapassar determinadas barreiras que eram ancestrais, mas ainda assim sabemos que há desigualdades importantes, por exemplo ao nível salarial, em que nos anos da crise se percebe u que as pessoas mais penalizadas foram mulheres”, disse à agência Lusa o professor da Faculdade de Medicina do Porto.

Rui Nunes falava a propósito do ciclo de conferências “Igualdade de Género – Um desafio para a década”, do qual é coordenador, que teve início no Porto, em novembro, e que passa por Coimbra no sábado.

A sessão de sábado deve contar com a participação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na sessão de abertura. O ciclo termina em Lisboa, em outubro, depois de passagens por outras cidades.

Menos mulheres na saúde, na política e nos cargos de chefia

“Apesar de evoluirmos muito nos últimos 40 anos nesta matéria, ainda há desigualdades que importa corrigir, sobretudo no acesso a determinadas posições de chefia na administração pública, empresas privadas, titulares de cargos políticos e a nível salarial”, considerou.

Dando o exemplo da saúde, o especialista em bioética disse que “existem desigualdades gritantes na ascensão da carreira”, porque no acesso às carreiras já se verifica uma paridade muito importante, “pois hoje há mais mulheres do que homens nas faculdades de medicina”.

No entanto, “ao nível das direções dos serviços hospitalares ou dos conselhos de administração dos hospitais ou reitorias de universidades verifica-se que há um gueto muito importante e não é só seguramente por causa da qualidade, mérito. Haverá outros fatores que importa alertar para que o mérito seja o critério único no futuro próximo”.

“Rapidamente vai existir uma inversão”

“O panorama português é particularmente interessante pela evolução que conseguimos nos termos da constituição e da lei impor nesta matéria, mas ainda assim há divergências muito importantes e é preciso sensibilizar a população para que a meritocracia seja o vetor fundamental que move a nossa sociedade e a nossa economia”, sublinhou.

O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, que acolhe a conferência, frisou à agência Lusa que, na classe médica, há mais mulheres do que homens, mas que essa proporcionalidade ainda não se verifica nas lideranças.

“Julgo que muito rapidamente vai existir uma inversão e passaremos a ter essa proporcionalidade nos cargos”, referiu Carlos Cortes, salientando que, de acordo com dados de 2015, dois terços dos médicos até aos 35 anos eram mulheres, o mesmo se passando aos estudantes e licenciados em Medicina.

Situação das mulheres no trabalho vai ser tema de debate na UNESCO

Segundo Rui Nunes, o ciclo de conferências “Igualdade de Género” pretende ajudar a perceber o fenómeno da igualdade de género em Portugal “para em diferentes teatros e em contextos diversificados ajudar a implementar medidas com vista à correção dessas mesmas injustiças e iniquidades”.

Por outro lado, acrescentou, o trabalho produzido nas conferências já realizadas levou à redação de uma proposta de aprovação de uma declaração universal de igualdade de género, que está em discussão pública para depois ser apresentada à conferência geral da UNESCO.

“Estamos a articular com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e com o ministro-Adjunto, que tem a tutela da igualdade, o modo como vamos formalizar de forma mais densa esta proposta junto da UNESCO”, adiantou.

A conferência “Igualdade de Género – Um desafio para a década” decorre em Coimbra no sábado, na sede da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, a partir das 15:00, com dois painéis em debate: “A Igualdade de Género na Política e nos Media” e a “A Igualdade de Género no Direito Português”.

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