Prova de matemática do 9º ano teria erro na correção, dizem especialistas

Sociedade Portuguesa de Matemática aponta erro na questão de número 14 da prova do 9º ano, mas o Instituto responsável nega qualquer falha.

Prova de matemática do 9º ano teria erro na correção, dizem especialistas
IAVE defende "valorização dos desempenhos não completamente corretos"

Há mais uma polémica a rondar os exames nacionais de 2017. Depois da greve de professores, da fuga de informação da prova de português e das opiniões divergentes sobre o grau de dificuldade da avaliação de matemática, é a vez de ver os especialistas levantarem a voz e apontarem uma falha na correção da prova de matemática do 9º ano. Em causa está a questão de número 14, que, para a Sociedade Portuguesa de Matemática, tem um erro crasso de pontuação atribuída. O IAVE, responsável pelos exames nacionais, já enviou uma nota oficial a negar a existência de qualquer falha.

As críticas à prova de matemática

A SPM, em comunicado oficial, informou ainda que considera que a prova final de Matemática do 3.º Ciclo do Ensino Básico foi “bastante acessível”, ficando mesmo “aquém do grau de exigência adequado ao final da escolaridade básica”.

A grande crítica da Sociedade é direcionada para a correção do exame, cujos critérios já foram publicados – uma proposta do IAVE. A SPM salienta que, no item 14 do teste, que vale 4 pontos, é “atribuída 75% da cotação a uma resposta integralmente errada”. Neste quesito, o IAVE autorizou que seja descontado apenas um ponto, mesmo diante de uma situação de resposta completamente errada, de acordo com a opinião da SPM.

IAVE já negou o erro

Em nota oficial, o IAVE, entidade responsável pela elaboração e aplicação das provas e exames nacionais, esclareceu que “o objetivo do item 14 era verificar se os alunos identificam um dos casos notáveis da multiplicação de polinómios”.

“A resposta referida pela SPM como ‘integralmente errada’ evidencia essa identificação, embora esteja escrita de modo formalmente incorreto, por omissão dos parêntesis. Como tal, e de acordo com os critérios gerais relativos a respostas restritas, onde se indica que a apresentação de expressões incorretas do ponto de vista formal está sujeita à desvalorização de um ponto, foi esta a desvalorização aplicada”, informou o IAVE.

Segundo o Instituto, a SPM não atendeu à valorização do desempenho não totalmente corretos dos candidatos. O IAVE defende que os alunos que se aproximam do objetivo de avaliação do item devem beneficiar de uma pontuação parcial.

“Também descurou uma leitura atenta dos critérios gerais de classificação, indispensável para compreender os princípios subjacentes à valorização dos desempenhos dos alunos não totalmente corretos”, pode per-se no comunicado do Instituto.

Em resumo, para responder à polémica, o IAVE, destaca no comunicado “que nada de errado existe na opção presente nos critérios de classificação do item 14, estando os mesmos em conformidade com o previsto para o este tipo de itens”.

No geral, de acordo com a SPM, a prova de matemática do 9º ano “está em conformidade com os conteúdos do Programa e Metas estabelecidas, não contém erros científicos, tem uma estrutura análoga à prova do ano anterior e tem uma duração adequada”. Em contrapartida, a Sociedade acredita que o teste não apresentou qualquer questão que permitisse “destacar o trabalho dos alunos mais empenhados, distinguindo especificamente alunos de nível 5″.

A prova de Matemática em questão foi realizada por quase 90 mil alunos do 9.º ano. Os dados são do Júri Nacional de Exames.

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