Recuperação de crédito a par da crise

A recuperação de crédito bancário acontece quando alguém deixa de pagar as suas prestações. Apesar da sua má fama, os recuperadores conseguiram apanhar mais de 500 milhões de euros no ano passado.

Recuperação de crédito a par da crise
O estado do negócio da recuperação de crédito bancário

Como se costuma dizer, a crise é só para alguns e a verdade é que em tempos de crise surgem oportunidades de negócio para alguns sectores. É o que acontece com o sector da recuperação de crédito bancário que encontra no aumento do desemprego, na subida das despesas, e consequentemente menos dinheiro, as condições reunidas para o incumprimento nos créditos, sendo necessária a sua intervenção.

 

Recuperação de crédito em atraso

As empresas deste sector vêm cada vez mais os seus serviços requisitados devido ao crédito malparado estar a atingir recordes históricos. São principalmente as empresas do ramo financeiro que procuram estes serviços, de forma a que os vulgarmente chamados "cobradores", contactem os devedores e os convençam de pagar o que devem.

 

Estes profissionais têm má fama, de ameaçarem e coagirem os devedores, e de nem sempre respeitarem limites, éticos e legais. A associação do sector reconhece que isso acontece, pois conta com 28 associadas, que cumprem as regras, éticas, deontológicas, e legais, mas sabem que outras há que trabalham com práticas impróprias. O problema aqui é que este sector de recuperação de crédito não existe na Lei, logo não há regulamentação pois por lei, a recuperação de dívidas é uma actividade reservada a advogados e solicitadores.

 

Ora esta é uma situação vantajosa para essas empresas que fazem ameaças, perseguem, insultam, coagem os devedores a pagar pois os devedores desta forma, não têm onde recorrer para reclamar pois tal não está contemplado na Lei, não tem regulamentação.

 

No entanto, em casos mais graves, a associação afirma que se a pessoa for ameaçada, insultada pode-se fazer valer das leis gerais da República, fazer queixa junto das autoridades, da GNR, da PSP, dos tribunais.

 

Recuperação de crédito em números

No ano passado, foram recuperados 504 milhões de euros de crédito malparado, segundo dados das empresas associadas da Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Recuperação de Crédito (APERC). Segundo declarações de António Gaspar, o director executivo da associação, com este trabalho conseguiram fechar 1,14 milhões de processos, o que representava cerca de metade dos processos que tinham para tratar.

 

Como já dito anteriormente, são as empresas do sector financeiro que mais procuram estes serviços e em 2009 entregaram mais de 2,35 milhões de processos, sendo que se tudo fosse resolvido iria ser recuperado 2,03 milhões de euros.

 

A APERC afirma que cerca de 99% dos processos vêm de bancos e empresas de crédito e referem-se especialmente a créditos habitação, mas não só. Existem também muitos créditos pessoais,  cartões de crédito, leasing, ALD (Aluguer de Longa Duração ), factoring e até descoberto autorizado das contas à ordem.

 

A mesma associação acredita que terá maior procura, devido às medidas de austeridade e as actuais condições económicas, que levam facilmente à impossibilidade de suportar os créditos a cargo. No entanto, apesar de um maior volume de trabalho, também têm noção que vai ser cada vez mais difícil ter sucesso pois muitas famílias estão de tal forma sobreendividadas que não têm mesmo como pagar nem a dívida, muito menos os juros.

 

Apesar de não ser uma maioria, existem devedores que após um telefonema das empresas de recuperação de crédito, regularizam de imediato o valor e normalmente são pessoas que se esqueceram, que na altura da cobrança não tinham hipótese de pagar, ou que estabelecem uma prioridade de despesas mas que após o telefonema alteram essas prioridade e liquidam o valor em falta.

 

Outros há que não vão lá com um telefonema e normalmente cedem após uma visita pessoal do recuperador.

 

Existem casos que são considerados perdidos para as empresas de recuperação de crédito, como é o caso de sobreendividados, com muitos empréstimos acumulados, que apresentam rendimentos inferiores ao valor da dívida e juros inerentes e nestas situações o processo é devolvido ao banco, cabendo ao mesmo decidir o que fazer nestes casos.

 

São raros os casos levados a tribunal pelos bancos porque o custo do processo é muitas vezes superior e não se recupera o dinheiro de qualquer das formas. Ao desistirem de recuperar a dívida usam as provisões obrigatórias para cobrir o montante em falta.

 

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