Valor das pensões é o mais baixo desde 1999

O valor das pensões recuou para menos de mil euros, algo que não acontecia desde 1999.

Valor das pensões é o mais baixo desde 1999
Caiu 27% desde a troika.

Os trabalhadores da função pública que se reformaram durante o ano passado foram para casa a receber uma pensão média de 932,5 euros. Desde 1999 que o valor das pensões não recuava para números inferiores a mil euros. São menos 179,5 euros (-16,1%) que há um ano e -27% em comparação com 2011, ano em que Portugal pediu ajuda financeira à troika.

Com a queda do valor das pensões caiu também o número de novos reformados para quase metade do que o habitual. Quedas que refletem vários anos de congelamentos salariais e de constantes alterações às regras da aposentação, considera Helena Rodrigues, presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado. "A queda do valor da reforma acompanha o que tem sido o empobrecimento da função pública, através de vários anos sem qualquer atualização dos salários”, referiu.

José Abraão, secretário-geral da Federação dos Sindicatos da Administração Pública (Fesap), junta-se a Helena Rodrigues nas queixas sobre o valor das pensões referindo que este resulta da “política que o país vem promovendo de há uns anos a esta parte no sentido da redução do valor do trabalho e dos salários, como se isso fosse um fator de competitividade”. Ao congelamento dos salários, José Abraão soma ainda o congelamento das carreiras e das progressões como outros exemplos de uma política que, “no que concerne ao sistema de pensões” tem vindo a ser orientada “para que, chegando à idade da reforma, as pessoas possam ir para casa empobrecer”.

O secretário-geral da Fesap lamentou a situação, acentuando que apenas contribui para que a administração pública seja cada vez menos competitiva. “Tudo aquilo que eram alguns benefícios e direitos conquistados, têm vindo a ser reduzidos ou retirados, contribui para desmotivação dos que cá estão e também para que trabalhar na administração pública seja cada vez menos motivador”.


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