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Ter ou não filhos: já diz o ditado “À dúzia é mais barato”

Quantos mais filhos tiveres mais regalias alcanças, é esta a proposta do governo para inverter a tendência demográfica.

Ter ou não filhos: já diz o ditado “À dúzia é mais barato”
Reflexão sobre as novas medidas de “remoção de obstáculos à natalidade”

Acabar o curso. Arranjar emprego. Comprar carro. Sair de casa. Casar e, por sim, quem sabe ter um filho. É este o percurso típico de uma família em Portugal, ou era. Hoje ter um filho é quase como andar numa montanha russa assustadora, entre a adrenalina de gerir uma vida profissional desgastante e o custo elevado de criar uma criança, optamos por desistir mesmo antes de andar.

“À dúzia é mais barato” é exactamente a expressão que recordo quando penso nas medidas propostas de “remoção de obstáculos à natalidade”, pois os benefícios não têm em conta as necessidades reais dos trabalhadores, tais como diminuir a incerteza no trabalho, oferecer garantias salariais que permitissem educar uma criança e oferecer-lhe todas as possibilidades quanto à sua educação e sobrevivência.


A realidade portuguesa

Não sei o que me assusta mais – saber que estas medidas são completamente desajustadas da nossa realidade, se temos um país que ainda não percebeu que deve seguir o exemplo dos países nórdicos, que têm salários extremamente elevados, são bastante competitivos e apresentam taxas de natalidade positivas, pois só assim consegue inverter o ciclo de envelhecimento que temos actualmente.

Para além das condições económicas, hoje ter um filho exige também uma grande preparação psicológica, uma gestão de tempo muito rigorosa, e acima de tudo uma predisposição para andar numa correria constante.

Hoje as mães não podem ficar em casa muito tempo sob o risco de serem penalizadas profissionalmente e é muito difícil manter uma criança ocupada todo o dia, para além de não falar no preço das actividades extra.

Portugal está assim numa encruzilhada, onde por um lado, temos de fomentar a competitividade e crescimento económico e, por outro, temos de inverter o ciclo e aumentar a taxa de natalidade.

Em suma, ter filhos não é uma questão de timing, nem de quantidade. Envolve uma grande responsabilidade social, cujo Portugal ainda não está preparado comparativamente a outros países da União Europeia.


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