Teresa Campos
Teresa Campos
03 Set, 2019 - 03:00
Alimentação: como lidar com a alergia ao marisco?

Alimentação: como lidar com a alergia ao marisco?

Teresa Campos

É comum ouvir falar em alergia ao marisco, mas talvez não saiba que ela só se costuma manifestar em adultos. Saiba mais sobre esta alergia e cuidados a ter.

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As alergias alimentares afetam 3% a 4% dos adultos e, entre elas, encontra-se à cabeça a alergia ao marisco. Mais comum na idade adulta, esta alergia pode manifestar-se de repente e aos primeiros sintomas deve consultar-se um alergologista, de forma a diagnosticar e avaliar corretamente a situação.

Ter alergia ao marisco não significa ser alérgico a todo o tipo de marisco. Porém, se tiver uma reação alérgica ao camarão, por exemplo, há uma grande probabilidade de ter o mesmo tipo de reação se comer lagosta. Fique a perceber um pouco melhor em que consiste este tipo de alergia alimentar e quais os cuidados a ter, se tem alergia ao marisco.

Alergia ao marisco: o que é e quais os cuidados a ter

alergia ao marisco

A alergia aos mariscos é uma reação adversa do sistema imunológico. Trata-se da alergia alimentar mais frequente nos adultos. Existem muitos tipos de marisco, que podem pertencer ao grupo dos crustáceos, dos moluscos, dos equinodermes, entre outros. A alergia ao camarão e a outros crustáceos é mais frequente, embora também possam ocorrer reações alérgicas aos moluscos.

Outro tipo de reações adversas ao marisco que podem ter lugar são as de natureza tóxica, ou seja, motivadas pelo marisco estar contaminado com microrganismos ou toxinas. Esses microrganismos podem ser bactérias ou vírus e provocam reações sobretudo de índole gastrointestinal. Em alguns casos, podem ainda verificar-se sintomas neurológicos e respiratórios.

A alergia ao marisco deve-se principalmente às tropomiosinas, proteínas termoestáveis que fazem parte do organismo destas espécies. Como são resistentes ao calor, elas resistem às altas temperaturas da cozedura e são, inclusive, transportadas no próprio vapor da água, razão pela qual algumas pessoas podem apresentar uma reação alérgica, só de entrar em contacto com esse vapor.

Alergias cruzadas

No geral, quem tem alergia a uma espécie de marisco tende a ser alérgico a todas as espécies dessa classe. Por exemplo, aproximadamente 75% dos doentes alérgicos a crustáceos reagem com várias espécies de crustáceos. Assim, é habitual a alergia simultânea a vários crustáceos e moluscos.

Contudo, é possível ser alérgico só a crustáceos; a crustáceos e todo o tipo de moluscos; a crustáceos e bivalves; entre outras combinações possíveis. Para perceber qual é o seu caso, o mais indicado é falar com o seu alergologista.

Importa, ainda, referir que as proteínas que causam alergia no caso do marisco não são as mesmas que provocam no caso do peixe. Por isso, o facto de ser alérgico a marisco nada tem a ver com ser alérgico a peixe, ou vice-versa.

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Sintomas

As manifestações clínicas que podem indicar uma reação alérgica ao marisco ocorrem, normalmente, pouco tempo após a ingestão ou inalação dos vapores de cozedura do marisco.

  • Começa com sintomas cutâneos como comichão, irritação, urticária (borbulhas, manchas vermelhas ou outras manchas) e edema.
  • Depois, surgem sintomas digestivos (dor abdominal, náuseas, vómitos, diarreia) e/ou respiratórios (espirros, rinorreia aquosa (“pingo”), conjuntivite ou, mesmo, tosse, que pode evoluir para rouquidão, dificuldade em respirar e em engolir).
  • Os doentes com asma têm um risco maior de terem reações graves.

No fundo, os sinais são em tudo semelhantes ao de qualquer outra alergia alimentar.

Quando se manifesta?

São frequentes as histórias de pessoas que comeram marisco toda a vida e, a determinada altura, já adultos, começam a apresentar reações alérgicas a este alimento. Tal é normal, pois a alergia ao marisco é tardia, sendo precisamente mais frequente na idade adulta.

  • Caso suspeite que tenha feito uma reação alérgica a marisco, deve fazer uma consulta de Imunoalergologia, de modo a que o médico especialista possa confirmar ou não o diagnóstico.
  • Depois de uma primeira consulta em que é escrita a história do paciente, passa-se para um teste cutâneo e análises de sangue, indispensáveis para certificar a situação.
  • Em alguns casos, é ainda realizado o teste de provocação oral, em que são administradas ao paciente pequenas quantidades do alimento a que, supostamente, é alérgico.

Cura

A alergia ao marisco não tem cura. Mas há medidas que pode adotar, de modo a que esta restrução alimentar não seja um problema na sua vida quotidiana.

  • Excluir o marisco da sua dieta não trará défices nutricionais e é a melhor forma de prevenir uma reação alérgica.
  • Caso, por acidente, ingira marisco e tenha uma reação alérgica, é importante saber como proceder.
  • Há medicamentos anti-alérgicos (anti-histamínicos ou corticóides orais) que ajudam a atenuar os sintomas e a pôr fim à reação alérgica. Informe-se junto do seu alergologista sobre como tomá-los.
  • Em situações de reações alérgicas mais graves (anafilaxia), os doentes devem fazer-se acompanhar de um estojo de emergência com adrenalina para auto-administração.

Lista de classificação dos mariscos

Crustáceos

  • Gamba / camarão;
  • Lagosta;
  • Lagostim;
  • Percebes;
  • Sapateira;
  • Caranguejo;
  • Santola;
  • Lavagante.

Moluscos

Moluscos bivalves

  • Amêijoa;
  • Mexilhão;
  • Berbigão;
  • Vieira;
  • Conquilha;
  • Ostra.

Moluscos cefalópodes

  • Lula;
  • Polvo;
  • Choco.

Moluscos univalves ou gastrópodes

  • Lapa;
  • Búzios;
  • Caramujo;
  • Caracol.

Equinodermes

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  • Ouriço do mar.
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