Ekonomista
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20 Set, 2022 - 23:20

Alzheimer: guia sobre a demência que afeta cada vez mais pessoas

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É a forma mais comum de demência e prevê-se que os casos aumentem em escalada. Consulte o nosso guia sobre a doença de Alzheimer.

Descoberta em 1907 por Aloysius Alzheimer, psiquiatra alemão, esta patologia neurodegenerativa é cada vez mais comum no mundo – com previsões que soam a alarme, inclusive para Portugal. Mas, em que consiste realmente a doença de Alzheimer?

No fundo, em resumo, esta é a forma mais comum de demência e provoca um dano global, progressivo e impossível de corrigir de diversas funções mentais – como memória, concentração, atenção, comunicação, raciocínio e outras.

Estas alterações refletem-se na vida diária dos doentes devido a modificações comportamentais, traços de personalidade e nas capacidades em levar a cabo as funções e atividades quotidianas.

As suas causas estão ainda por determinar e hoje a ciência foca as suas investigações nas análises que permitam responder se existem ou não fatores de risco genéticos e/ou ambientais que possam aumentar a probabilidade de desenvolver Alzheimer. No entanto, já temos uma resposta importante: é já sabido que a ocorrência prévia de traumatismo craniano é um fator de risco evidente para o desenvolvimento deste tipo de demência.

Neste artigo pode consultar todas as informações mais relevantes sobre o tema, através de um guia que reúne o essencial sobre a doença: o que é, como afeta as diferentes populações, quais tipos existem, que sintomas servem de alerta e quais os sinais precoces da patologia, os tratamentos disponíveis e as formas conhecidas de prevenção.

exame ao cérebro

Doença de Alzheimer: saiba tudo sobre a patologia

Doença de Alzheimer: o que é

Segundo a Associação Alzheimer Portugal, a doença de Alzheimer é um tipo de demência que provoca uma deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas, isto é, de memória, concentração, pensamento, atenção, linguagem, entre outras.

Trata-se de uma doença neurodegenerativa que se caracteriza por uma redução do número e do tamanho das células cerebrais que, por sua vez, origina uma deterioração irreversível das várias funções cognitivas dos doentes.

Ou seja, provoca consequências como alterações na personalidade, no comportamento e na capacidade funcional de cada pessoa afetada pela doença, impondo desta forma mudanças significativas no quotidiano.

De uma forma clara, o que acontece quando se dá uma redução no tamanho e no número destas células, é o facto de o cérebro não conseguir comunicar as suas informações, dando assim origem a uma danificação das conexões que existem entre cada uma das células cerebrais. Células estas que acabam por morrer, provocando no doente, uma incapacidade de recordar a informação.

Importa ainda referir que, a doença de Alzheimer é uma doença de deterioração bastante lenta e, por esta mesma razão, é extremamente importante que seja monitorizada regularmente a fim de se conseguir diferenciar de outras situações normais relacionadas com a idade.

Alzheimer: incidência em Portugal e no mundo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em todo o mundo, mais de 55 milhões de pessoas vivam com este tipo de demência – os dados (divulgados em setembro de 2021) correspondem a 8,1% das mulheres e 5,4% dos homens da população com idades acima dos 65 anos. A previsão da OMS é que esse número continue em escalada, aumentando em 2030 para 78 milhões e para 139 milhões até 2050.

Um estudo mais recente, realizado e divulgado pela revista científica The Lancet Public Health, ativou ainda mais o alerta: 153 milhões de pessoas com 40 anos ou mais vão conviver com a demência em 2050 – 350 mil desses casos vão ser diagnosticados em Portugal. A investigação teve em consideração os seguintes fatores de risco: obesidade, tabagismo, excesso de açúcar no sangue e escolaridade baixa.

10 fatores de risco

Pesquisadores do Paris Brain Institute encontraram 10 problemas de saúde que estão associados ao risco de desenvolver Alzheimer. Estes sinais podem ser observados até 15 anos antes do diagnóstico.

  1. Depressão
  2. Ansiedade
  3. Prisão de ventre
  4. Perda de peso anormal
  5. Espondilose cervical (tipo de artrite)
  6. Reação ao stress severo
  7. Perda de audição
  8. Distúrbios do sono
  9. Ocorrência regular de quedas
  10. Fadiga constante

Dois tipos da doença de Alzheimer

Familiar: isto é, quando já existem casos na família e a doença é transmitida de geração para geração. Este é o tipo de doença de Alzheimer menos comum, afetando um número muito pequeno de pessoas.
Esporádica: a doença de Alzheimer esporádica surge principalmente depois dos 65 anos, mas pode afetar adultos de qualquer idade. Este tipo da doença pode afetar pessoas com histórico familiar antecedente, ou não e aparece normalmente, numa fase mais tardia da vida do doente.

8 sintomas da doença de Alzheimer

Normalmente, os principais sinais da doença aparecem no dia a dia da pessoa em tarefas normais onde o esquecimento é, na maioria das vezes, ignorado numa fase inicial.

Os sintomas da doença de Alzheimer aparecem de uma forma muito subtil e progressiva, sendo caracterizados por:

  1. alterações neuropsiquiátricas;
  2. alterações na memória;
  3. alterações comportamentais e de personalidade;
  4. perturbações na linguagem;
  5. desorientação em locais conhecidos;
  6. dificuldade no desempenho de algumas tarefas motoras;
  7. dificuldade a realizar tarefas um pouco mais complexas (pagamentos, por exemplo);
  8. diferentes sintomas depressivos e até psicóticos.

É comum que os familiares comecem a reparar em alguns dos sintomas acima referidos, especialmente na dificuldade que os doentes vão tendo em recordar nomes, informações recentes e até datas importantes (como aniversários ou eventos comuns na vida da pessoa).

Geralmente, quando a doença se encontra num estado mais avançado, a doente começa a ter dificuldades a executar tarefas que, para nós, são comuns durante toda a vida (como vestir-se, cuidar da sua higiene oral ou até alimentar-se).

5 sinais precoces de Alzheimer

Aparentemente difíceis de detetar, os sinais precoces de Alzheimer nem sempre conseguem ser diagnosticados a tempo. Entretanto, os avanços da medicina neste campo de estudos têm comprovado que, quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as oportunidades de tratamento.

Os especialistas acreditam que as pessoas diagnosticadas com qualquer tipo de demência começam a desenvolver os danos no cérebro até 10 anos antes de apresentarem os primeiros sintomas principais.

Existem uma série de estudos em curso na área para tentar encontrar o momento crucial do diagnóstico. Desta maneira, quando mais cedo o problema for detetado, mais rapidamente as medidas já existentes podem ser tomadas, na tentativa de melhorar a condição de vida do paciente e dos seus familiares.

Desta forma, se apresenta, ou conhece alguém que apresente, alguns dos sintomas listados abaixo, não hesite em procurar aconselhamento médico.

Preocupar-se em demasia com a memória

Estudos mostram que as pessoas que se preocupam seriamente com a própria memória são mais propensas a apresentarem sinais das placas de Alzheimer e podem desenvolver algum tipo de demência no futuro. É comum com uma série de doenças, principalmente as degenerativas, que as pessoas sintam que alguma coisa não está bem anos antes. Acredite no seu corpo.

Lembrança irregular de eventos recentes importantes

Esquecer a carteira ou de alguma notícia familiar importante é preocupante. Principalmente se a pessoa não se consegue lembrar que esqueceu.

Isto quer dizer que, lembrar que esqueceu as chaves, por exemplo, é um bom sinal, significa que o cérebro ainda está a tentar o acesso a uma informação importante.

No entanto, não lembrar de notícias da semana, como um grande desastre natural ou um acontecimento em família, é um alerta amarelo de perigo. Esquecer o nome de um ator e lembrar horas depois não é um dos sinais precoces de Alzheimer.

Problema para gerir as finanças

Dificuldades para gerir os rendimentos, pagar as contas de modo correto e nas datas certas pode ser um dos sinais precoces de Alzheimer. A bandeira vermelha aparece quando, dentro de uma casa, as responsabilidades que sempre foram de um parceiro passam a ser geridas por outro.

Dificuldades para fazer planeamentos

Este tópico é particularmente preocupante se o sinal for dado por alguém que tem por hábito organizar coisas como a festa de Natal da empresa ou as férias de verão da família. Um dos sinais precoces de Alzheimer é a perda da habilidade em executar operações multitarefas, mesmo as tarefas pequenas como planear o dia de trabalho ou os próximos passos da rotina.

Esquecer-se do caminho

É claro que o cérebro não funciona perfeitamente como um GPS, mas quando alguém começa a esquecer caminhos e trajetos por onde circula demasiadas vezes, isto pode ser um problema. Por exemplo, se a rota de ida ao supermercado for ligeiramente alterada e a pessoa não conseguir lembrar de como voltar para casa, esse é um sinal de que talvez não deva mais viver sozinha ou fazer caminhadas sem alguma supervisão.

Alzheimer e demência: diferenças

É comum pensar que a diferença entre Alzheimer e demência é apenas uma questão de nomenclatura: dois termos distintos que têm o mesmo significado.

Segundo a Associação Portuguesa de familiares e amigos dos doentes de Alzheimer, demência é um termo abrangente, utilizado para descrever um conjunto de sintomas que afetam as habilidades cognitivas, como a memória e a capacidade de comunicar. A doença de Alzheimer é uma das enfermidades advindas da demência.

Entender a diferença entre os termos ajuda não só a reduzir o estigma e o preconceito com a doença, como também auxilia no diagnóstico precoce, o que facilita o tratamento.

Existe hoje em Portugal um movimento de valorização dos clínicos gerais no diagnóstico correto e precoce de doenças como o Alzheimer, assim como a formação e instrução de cuidadores especializados. Ambas as ações visam a inclusão dos pacientes e dos seus familiares que podem contar com uma rede de apoio mais estruturada.

Demência

A demência não é uma doença, mas sim uma palavra usada para definir um conjunto de sintomas que ocorre quando as células do cérebro param de funcionar de maneira adequada.

Por sua vez, o Alzheimer é um dos tipos mais comuns de demência: estima-se que dois a cada três casos de demência sejam a doença de Alzheimer.

Outros tipos de demência incluem ainda: demência vascular, doença de Parkinson, demência de Corpos de Lewy e a demência frontotemporal.

Os sintomas mais comuns de demência:

  • perda de memória;
  • problemas de linguagem;
  • desorientação;
  • alterações de humor e comportamento;
  • esquecimento constante de onde estão objetos de uso quotidiano;
  • dificuldade para executar atividades domésticas.

Alzheimer

A doença, que afeta o cérebro, representa aproximadamente 60% dos casos de demência, o que torna mais fácil a confusão do diagnóstico correto.

Apesar de já terem sido documentados casos de Alzheimer precoce, em pessoas jovens, o mais comum é a que a doença afete pessoas com idade a partir dos 65 anos.

Classificada como uma doença neurodegenerativa, o Alzheimer ocorre devido ao aparecimento de placas senis e tranças fibrilares que dificultam e impossibilitam a comunicação entre as células do sistema nervoso. Com isto, o cérebro acaba por deteriorar-se ao longo do tempo.

Os sintomas mais comuns da doença de Alzheimer:

  • esquecimento de nomes, rostos e eventos recentes;
  • repetição, num curto espaço de tempo, de perguntas e histórias;
  • problemas para encontrar as palavras certas;
  • ansiedade, irritabilidade, baixa autoestima e pouco interesse por eventos sociais.

Como prevenir o Alzheimer?

Como forma de atrasar o desenvolvimento de sintomas cognitivos em adultos séniores saudáveis, tem sido sugerida a realização de exercício físico e mental e uma dieta equilibrada.

Dieta

Os consumidores de dieta mediterrânica apresentam menor risco de vir a desenvolver Alzheimer, por apresentar maiores benefícios na preservação cardiovascular. Por outro lado, o consumo de gorduras saturadas e hidratos de carbono apresentam maior risco para desenvolver a doença.

Os alimentos com propriedades estimulantes da função neurológica retardam o envelhecimento cerebral e fortalecem o bom funcionamento do cérebro. Podem de devem ser consumidos diariamente, desde que não hajam contraindicações específicas, sob a forma de suplementos ou ingeridos na alimentação.

Mais abaixo, neste artigo, vai encontrar toda a informação detalhada sobre os alimentos que são reconhecidos como benéficos para a prevenção de Alzheimer.

Estilo de vida

As pessoas que se envolvem em atividades intelectuais, como a leitura, jogos de tabuleiro, palavras-cruzadas, aprendizagem de uma nova língua ou projetos que envolvam trabalho cognitivo apresentam maior eficiência no funcionamento cerebral.

O contacto com a música, como tocar um instrumento musical e ouvir música regularmente, preserva a função cognitiva, bem como a socialização e a interação constante com familiares e amigos.

O exercício físico é fundamental para retardar o envelhecimento neurológico seja por meio da dança, caminhadas, pilates, yoga, natação, entre outros.

Alimentos para prevenir Alzheimer

A dieta tem tido especial destaque nas investigações sobre a doença de Alzheimer. Memória, atenção, pensamento, expressão verbal e concentração são algumas das capacidades que vão sendo progressivamente afetadas na doença de Alzheimer e aquilo que comemos ao longo da vida tem impacto direto na prevenção da perda dessas habilidades.

O assunto é, inclusive, reconhecido pela OMS e pela Direção Geral de Saúde (DGS), tendo esta última entidade criado um manual de nutrição para a prevenção da demência.

Dieta mediterrânica

Como já vimos, a dieta mediterrânica (a que, por norma, os portugueses seguem) é uma boa abordagem face à prevenção da doença de Alzheimer. Foram realizados alguns estudos que comprovam a possibilidade de diminuir em 53% o aparecimento da doença nas pessoas que sigam esta dieta à risca.

Grupos de alimentos saudáveis para o cérebro

Existem dez grupos de alimentos para prevenir Alzheimer:

  • Vegetais de folha verde;
  • Outros vegetais;
  • Frutos secos;
  • Feijões;
  • Frutos vermelhos;
  • Cereais;
  • Peixe;
  • Frango;
  • Azeite;
  • Vinho.

Aposte no consumo diário destes grupos de alimentos para prevenir o aparecimento desta forma de demência.

Proteínas

As proteínas são um alimento muito importante na prevenção de doenças neurológicas. Consuma carnes brancas duas vezes por semana e peixe pelo menos uma vez por semana. Porque não apostar num chili de peru, combinando os benefícios do feijão com as carnes brancas? Ricas em proteínas e baixas em gorduras, estes alimentos são um verdadeiro manjar para o seu cérebro.

Vegetais

Salada, vegetais assados ou cozidos… A escolha é sua desde que insira estes alimentos na sua dieta diariamente! Destaque para os espinafres e espargos, especialmente benéficos para a saúde mental.

Frutos secos e frutos vermelhos

Aqui estão excelentes alimentos para prevenir Alzheimer e que podem constituir uma ótima alternativa de snack para comer entre refeições. Além de serem muito saborosos, os frutos secos e os frutos vermelhos contribuem para manter o cérebro em altos níveis de funcionamento.

Vinho

Vinho? É mesmo assim? Exatamente, leu bem. Foi cientificamente provado que o vinho melhor a saúde do cérebro e ajuda a prevenir o aparecimento da doença de Alzheimer. Claro está que as doses devem ser regradas. Não ultrapasse um copo de vinho por dia no caso de ser mulher e dois copos no caso de ser homem.

Azeite

O azeite deverá ser a sua gordura de eleição. Além de dar um sabor especial aos alimentos, já foi provado que melhora o funcionamento do cérebro.

Tratamento da doença de Alzheimer

É muito importante salientar o facto de que, esta doença quando diagnosticada atempadamente, pode facilitar o despiste de outras doenças raras que possam existir. Para além disto, o diagnóstico é feito através de uma avaliação contínua por parte do médico, recorrendo a alguns exames médicos para que consiga ser bastante preciso.

Em relação ao tratamento, a doença de Alzheimer é uma doença que não tem cura. Contudo, existem alguns métodos terapêuticos que podem ajudar a reduzir a evolução da doença, melhorando a qualidade de vida do doente.

  • Prática de exercício físico: para além de o risco de quedas ser menor ao praticar exercício físico, o próprio doente irá sentir-se melhor na execução das suas atividades motoras.
  • Medicamentos: existem alguns medicamentos antidemenciais que podem ajudar a reduzir a progressão da doença. Para além disto, este tipo de medicamentos pode também ter efeitos ao nível dos sintomas neuropsiquiátricos que a doença provoca.
    Outro tipo de medicamentos também poderão ser prescritos pelo médico (para dormir melhor, ansiolíticos ou até antidepressivos).
  • Reabilitação cognitiva: numa fase inicial da doença, existem alguns exercícios que devem ser feitos com o doente a fim de exercitar a memória e a atenção.

Atualmente não existe ainda qualquer tipo de intervenção médica que possa prevenir a doença de Alzheimer. No entanto, pensa-se que a alimentação e o estilo de vida que cada um adota, possa estar fortemente associado ao aparecimento da doença.

Manter a segurança do doente portador deste tipo de doença é essencial. A maioria dos doentes, e principalmente numa fase avançada da doença, não reconhece os sintomas e as suas limitações, tentando por isso dar continuidade às suas atividades no dia a dia.

Para além disto, os familiares devem, juntamente com o médico, desenvolver um plano de controlo da toma de todos os medicamentos para que não aconteçam falhas.

Artigo originalmente publicado em Março de 2019. Atualizado em Setembro de 2022.

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