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Ansiedade infantil: como se manifesta e como lidar com ela

A ansiedade infantil está prevista no desenvolvimento da criança. Mas quando os medos são excessivos, podemos estar perante uma perturbação de ansiedade.

Ansiedade infantil: como se manifesta e como lidar com ela
4 a 10% das crianças sofrem de alguma perturbação de ansiedade

A ansiedade, mesmo nas crianças, é uma emoção normal e frequente, que ajuda a lidar com as situações mais desafiantes. Contudo, a ansiedade pode tornar-se um problema quando interfere no dia-a-dia da criança, impossibilitando-a de desfrutar da sua vida habitual, afetando as suas relações na escola e na família. Nestes casos, a ansiedade infantil pode requerer ajuda especializada.

Compreender a ansiedade infantil


ansiedade infantil

Com a idade, é natural que o número de medos diminua. É habitual as crianças pequenas apresentarem um número relativamente grande de medos, enquanto as crianças mais velhas tendem a sentir menos medos.

O conteúdo dos medos infantis também vai mudando ao longo do tempo, passando do medo dos monstros e do escuro, para o medo da rejeição social e do insucesso escolar.

As perturbações de ansiedade na infância podem dever-se a uma grande multiplicidade de circunstâncias, nomeadamente podem surgir como resultado de dificuldades em dominar os desafios característicos de uma fase desenvolvimental em particular.

As perturbações de ansiedade infantil são muito frequentes e constituem o principal motivo de consulta em contextos de saúde mental na infância.

Que perturbações de ansiedade podem ser encontradas nas crianças?


Diversas perturbações de ansiedade podem ser diagnosticadas nas crianças, sendo que todas causam uma ansiedade excessiva ou inapropriada que origina dificuldades significativas no funcionamento individual. Vamos apenas abordar algumas delas.

a) Perturbação de ansiedade de separação

Medo e ansiedade excessivos e inadequados face ao nível de desenvolvimento da criança relativos à separação daqueles a quem está vinculada, que se manifesta pela presença de alguns sintomas, nomeadamente:

  • Mal-estar excessivo e recorrente sempre que antecipa a separação de casa ou dos pais;
  • Preocupação excessiva pela possível perda das figuras de vinculação, por possíveis males que possam acontecer;
  • Recusa em sair de casa para a escola por medo da separação;
  • Medo de estar sozinha em casa, ou noutras situações, sem a presença dos pais;
  • Pesadelos repetidos que envolvem o tema da separação;
  • Queixas repetidas de sintomas físicos quando ocorre ou antecipa a separação.

 

Ansiedade de separação

b) Mutismo seletivo

Incapacidade persistente em falar em situações sociais específicas em que se espere que fale (por exemplo, na escola), apesar de o fazer noutras situações.

c) Fobia específica

Medo ou ansiedade em relação a um objeto ou situação específica (por exemplo, levar uma injeção). Nas crianças, o medo e a ansiedade podem ser expressos através do choro, birras, ou ficar colado às pessoas.

d) Perturbação de ansiedade social

Medo ou ansiedade de uma ou mais situações sociais em que está exposta à possível avaliação dos outros. A criança não sente esta ansiedade apenas na interação com os adultos, mas também na interação com as outras crianças.

O medo e a ansiedade podem ser expressos por choro, birras, imobilidade, colar-se aos outros, retraimento ou incapacidade de falar em situações sociais.

Ansiedade Social

e) Perturbação de ansiedade generalizada

Caracteriza-se pela presença de ansiedade e preocupações excessivas e incontroláveis sobre diferentes aspetos da vida. A criança que sofre desta patologia pode também apresentar um ou mais dos seguintes sintomas:

A ansiedade infantil requer tratamento especializado?


Sim! Quando os sintomas acima descritos estão presentes e a ansiedade interfere na vida criança, prejudicando-a, é importante procurar o aconselhamento do pediatra que acompanha a criança.

Estas perturbações devem ser tratadas o mais precocemente possível para aliviar o grande sofrimento que implica para a criança, mas também para prevenir o agravamento do quadro clínico.

A intervenção psicológica está indicada para tratar a ansiedade infantil e, em alguns casos, o recurso à terapia farmacológica pode ser necessário, de forma a melhorar os sintomas, diminuir o sofrimento e permitir que nas sessões de psicoterapia sejam desenvolvidos os recursos pessoais que vão garantir um maior equilíbrio emocional à criança.

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Ana Graça Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Além da Psicologia. é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que traga mais felicidade!