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Será o M3 (E30) o melhor BMW alguma vez construído?

A BMW nos seus 103 anos de vida construiu carros verdadeiramente inesquecíveis. O M3 E30 é um deles e tem fortes argumentos para ser o melhor BMW de sempre.

 
Será o M3 (E30) o melhor BMW alguma vez construído?
O BMW E30 é o que podemos apelidar de “gentleman drivers”

1982 foi um ano marcado por diversos acontecimentos mundiais: a Argentina invadiu as Ilhas Malvinas, dando início à designada Guerra das Malvinas; Helmut Kohl substitui Helmut Schmidt como Chanceler da Alemanha; Felipe González torna-se presidente do governo de Espanha; no Brasil, nasce uma série de bandas que marcaram o cenário do rock brasileiro, como “Legião Urbana”, “Titãs” e “Capital Inicial”.

No desporto automóvel Raul Boesel estreia-se na Fórmula 1; Didier Pironi vence o GP de San Marino com Gilles Villeneuve em 2.º lugar; Ayrton Senna é campeão europeu de Fórmula Ford 2000 e também campeão inglês na mesma disciplina automóvel; Keke Rosberg é campeão mundial de Fórmula 1…

E quanto à indústria automóvel, a BMW inicia a produção do M3 E30, um carro que podemos dizer ser intemporal, e quiçá até questionar se não terá sido o melhor BMW de sempre?

BMW M3 E30: Será o melhor BMW de sempre?


BMW M3 E30

Tentaremos dar resposta à questão. De facto, o E30 é por muitos defensores da marca alemã, considerado o melhor BMW alguma vez construído, principalmente, por estar intimamente ligado às versões desportivas “M”, que ajudaram a catapultar este modelo para o sucesso. Outros consideram-no intemporal e de fácil condução. Outros sublinham o design, o conforto, a qualidade de construção, a tecnologia utilizada. Outros ainda elevam a qualidade dos motores utilizados no E30, a fiabilidade e agradabilidade de utilização apelidando este modelo alemão como um verdadeiro “gentleman drivers”.

A verdade é que a BMW é conhecida pela exigência com que constrói os seus automóveis, dotando-os de qualidades ligadas intimamente com performance e o luxo. E o modelo E30 é precisamente um destes casos pois, historicamente, a sua génese está ligada à competição daí o seu DNA desportivo.

Recordemos a génese deste tão apetecido modelo, desenhado por Claus Luthe, e produzido entre 1982 e 1994, com a designação de Série 3, sendo a segunda geração desta bem-sucedida variante. Motor colocado em posição frontal e tração traseira substituiu o modelo E21 e, em 1994, foi substituído pelo modelo E36. O seu sucesso foi tão grande que a marca alemã, mesmo depois de ter introduzido no mercado o seu sucessor E36 continuou a produzir o E30 nas variantes cabriolet, até 1993 e, também, na versão carrinha (designada touring) até 1994.

Estes pormenores são elucidativos do êxito comercial da segunda geração do Série 3, variante de produto da BMW que ainda hoje é uma das mais apetecidas pelo público, sem desprimor para todo o restante portfólio de produtos que integra, igualmente, os bens sucedidos Série 1, Série 2, Série 4, Série 5, Série 6, Série 7 e Série 8 (o topo da gama), bem como as gamas X ou Z ou a mais ecológica “i”.

E30: o “pai” dos M.

M3

Voltando ao E30, acrescentar que a BMW equipou-o com uma linhagem de motores de gabarito de quatro e seis cilindros em linha, dois a gasolina e dois a gasóleo, também de seis cilindros em linha, sendo um destes de aspiração atmosférica e, outro, turbo comprimido. A tração, como já referimos era traseira, existindo ainda uma versão com tração às quatro rodas, designada 325ix. Esta utilizava três diferenciais, um frontal, um traseiro e um central.

Mas, se a versão mais civilizada reuniu o agrado de muitos clientes, houve outra que marcou definitivamente este modelo e que catapultou o E30 para o êxito comercial: a variante “M3”. Uma família de automóveis que teve início precisamente com esta geração do Série 3 e que ficou intimamente ligada à veia desportiva da BMW a “M”. Atualmente, quando se fala das versões “M” da marca alemã sente-se um momento de silêncio, como se se engolisse em seco. Tal é o respeito que a sigla impõe no mundo automóvel, principalmente, na área desportiva.

E a linhagem inicial “M3” destacou-se com o E30 porque a BMW, à época, precisava de uma máquina capaz de destronar o ascendente de vitórias da Mercedes-Benz na competição desportiva DTM, campeonato alemão de turismo. A marca bávara tinha sede de vitórias nesta classe onde só podiam competir marcas alemãs e a resposta chegou em 1985, com o M3 E30. A receita foi a criação da linha desportiva “M” cuja primeira motorização foi um quatro cilindros, com 2.3 litros que debitava 200 cv e, na última versão da série M3 E30 registava os préstimos da versão Sports Evolution equipada com motor 2.5 litros que debitava possantes 238 cv. Os carros homologados para o DTM disponibilizavam motores com cerca de 300 cv.

Uma das exigências, segundo a FIA, para poder competir neste campeonato era a venda de 5 mil automóveis à sociedade civil, para que fosse possível a homologação para participar nas corridas.

BMW Engine

A curiosidade do processo de produção da BMW Motorsport (“M”) é que construiu primeiro a versão de competição e, depois adaptou-a ao modelo comercial, com o objetivo de conseguir a homologação. O que foi obtido muito graças à forte aceitação do E30. O design vincadamente desportivo e os motores “possantes” ainda que com menos cavalos que na versão desportiva não constituiu óbice ao sucesso.

De destacar, que ao longo do período de vida desta Série 3, a versão “M” sofreu várias melhorias tornando-a, a cada série, um modelo cada vez mais apetecido. A Evolution 2 (janeiro de 1987 a junho de 1988) do M3 E30 foi constituída por apenas 500 exemplares o que atesta a raridade do modelo e a apetência que ainda hoje desperta no mercado de automóveis clássicos, onde com facilidade um destes modelos pode obter cotação na ordem dos 70 mil euros.

A versão mais potente do Evolution 2 recebia motor de 2,3 litros, com 220 cv às 6.750 rpm (com catalisador, a potência era de 215 cv). Depois desta ainda surgiu a Sport Evolution, Evo3 (1986) que recebia motorização 2,5 litros que debitava 240 cv.

Durante a sua comercialização o E30 foi disponibilizado nas versões: sedan de quatro portas, coupé de duas portas, carrinha e Baur. Um sucesso. Desde que iniciou a comercialização foi sempre comparado com o rival Mercedes-Benz 190E e com outros adversários, mas a tecnologia utilizada  nos motores de seis cilindros que apesar da potência conquistavam pela suavidade de funcionamento e o habitáculo bem construído e confortável que constituiu as linhas do que hoje se conhece da marca, foram os trunfos da BMW para o sucesso do E30. E com propriedade pode dizer-se que este será um dos melhores BMW de sempre.

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Valdemar Jorge Valdemar Jorge

No seu ADN encontramos a paixão pelos automóveis enrolada no gosto por contar histórias. Profissionalmente conta com 34 anos de jornalismo, praticamente os mesmos que o hobby que escolheu – a fotografia. O seu lugar favorito, hoje, é na estrada, sentado ao volante de um carro que vai ser apresentado amanhã, a fazer um teste drive para escrever a crónica que o prezado leitor poderá ler esta noite.

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