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Cabo da Roca: o princípio e o fim de tudo

Se for a Sintra, deverá mesmo visitar o ponto mais ocidental da Europa Continental: o deslumbrante Cabo da Roca, onde a terra acaba e o mar começa.

Cabo da Roca: o princípio e o fim de tudo
Saiba mais sobre este local de beleza imperdível

“Aqui…onde a terra se acaba…e o mar começa…” – é assim o Cabo da Roca, o local descrito por Luís Vaz de Camões, nos Lusíadas, dizeres esses que lá permanecem gravados em pedra e que nos provocam arrepios só de ler. O Cabo da Roca é uma coordenada importante para quem navega ao longo da costa, dada a sua posição extrema, sendo também conhecido como “Focinho da Roca”, “Cabo da Serpente” e “Promontório da Lua”.

Ergue-se a 150 metros de altura sobre o mar, sendo um local onde se pode ter uma vista abrangente sobre a Serra de Sintra e sobre a costa e percebe-se a importância do espaço enquanto ponto de vigia no continente, tendo sido ali que se formava  uma linha defensiva ao longo da costa, sobretudo durante as Guerras Peninsulares.

O Cabo da Roca está integrado no Parque Natural de Sintra-Cascais e é interessante e robusto, o percurso pedestre da região. Quando lá chega, parece que a respiração abranda e custa, como se todo o peso da responsabilidade do local fosse colocado nos nossos ombros, e os nossos olhos fossem vigias de proteção. Ou então, será dominado por um sentimento de nostalgia, olhando a imensidão de um oceano que tantas vezes foi percorrido pelos nossos antepassados que em tanto enalteceram o nome de Portugal.

Cabo da Roca: o símbolo do fim do mundo


cabo da roca

Fonte: Max Pixel

Portugal, pela sua localização, é uma “finis terræ”, ou seja, o local onde a terra acaba e o mar começa, a simbologia do fim do mundo. Isto porque, no passado, acreditava-se que, assim que o mar começava mais nada existia, ali terminava a terra e pela frente só havia imensidão de água. Nesta perspetiva, o Cabo da Roca, enquanto ponto mais ocidental da Europa, é mesmo o último pedaço de terra.

Essa energia impactante sente-se bem no local, assim que se chega a Azóia em direcção ao Atlântico. Depois da povoação, surgem pequenos relevos verdejantes, começando a preparar os olhos para algo que todo o nosso ser irá sentir. A estrada vai descendo, ondulante, até que a serra se endireita e anuncia o farol que se ergue na ponta do Cabo da Roca e que tantas almas continua a iluminar.

Cabo da Roca: local de culto

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Fonte: Pixabay / robiweber

Com toda a magnanimidade do local, seria mesmo de esperar que a simbologia religiosa exercesse a sua influência. Aliás, toda a Serra de Sintra é célebre pelos mais variados cultos que lá se fazem, alguns de um esoterismo duvidoso, mas que ainda assim adensam o volume misterioso de um monte que se acreditava ser dedicado à lua.

Há vários testemunhos de que lá perto se praticavam exercícios de adoração à Deusa-Mãe, à Lua e até a Saturno, Deus do Tempo para os romanos. É precisamente esta devoção ao tempo que marca o local e a sua associação à lua e aos ciclos lunares, dado que a visibilidade do local permitia uma compreensão profunda de como os astros ajudavam a reconhecer as redundâncias cíclicas, isto é, as estações.

Mesmo o nome do local aponta nesse sentido: a roca é também uma alusão ao tempo, já que é simbologia do fio que vai desenrolando a vida.

A lenda do Cabo da Roca

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Fonte: Pixabay / pcdazero

Não sendo consensual de que esta lenda se refira exatamente a este local, os populares contam que uma mãe deu pelo desaparecimento do seu filho e que não o conseguia encontrar em lado algum. Um dia, uns pastores ouviram um choro de rapaz, encontrando-o no sopé de uma falésia. Rapidamente todos ajudaram e o menino voltou para os braços de sua mãe, com aspeto saudável, como se nada tivesse acontecido.

Quando questionado sobre tal façanha, o menino relata que “umas mulheres que voavam o tinham vindo buscar e pelo ar atiraram-no desfiladeiro abaixo”, mas havia uma senhora que todos os dias lhe dava uma sopa de cravos da serra. Decidiu-se, então, fazer uma missa de agradecimento a essa senhora. E foi quando entrou na igreja que o menino reconheceu quem lhe dava comida: a Virgem Maria.

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