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10 circuitos míticos de Fórmula 1 que já não fazem parte do calendário

Portugal já teve três traçados na Fórmula 1. Estes e mais sete constituem a seleção de 10 circuitos míticos de Fórmula 1 que já não integram o calendário atual.

 
10 circuitos míticos de Fórmula 1 que já não fazem parte do calendário
Grandes pistas onde os grandes campeões já não correm

Dos dez traçados míticos que já não integram o «circo» da Fórmula 1 escolhidos para este artigo, o primeiro a ser recordado, por todas as razões para nós portugueses, é o do Estoril.

Foi no Autódromo Fernanda Pires da Silva que Ayrton Senna da Silva, para muitos, o melhor piloto da história da disciplina rainha do desporto automóvel, conquistou o seu primeiro triunfo. Fê-lo ao volante de um Lotus-Renault com a decoração preta e dourada, uma das mais belas de todos os tempos da competição, no já distante e chuvoso domingo, 21 de abril, de 1985.

Foi o primeiro de 41 triunfos do brasileiro, um virtuoso da condução em todas as condições mas que ainda sobressaía mais sob chuva, quando em terreno mais difícil se destacava dos rivais. As 41 vitórias valeram-lhe três Campeonatos do Mundo, mas mais impressionantes foram as 65 pole-positions, que lhe conferiram o epíteto de piloto mais rápido de sempre numa volta só.

A morte retirou-o precocemente das vitórias e dos admiradores, no Grande Prémio de San Marino, em Imola, a 1 de maio de 1994, fez, este 2019, 25 anos. Um dia que ninguém que o viveu esquecerá.

Voltando ao assunto que nos traz aqui, o Circuito do Estoril foi construído, em 1972, por iniciativa de Fernanda Pires da Silva. Mais tarde, de 1984 a 1996, recebeu 13 edições do Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1, e teve logo um feito assinalável no ano de estreia: o austríaco Niki Lauda conquistou cá o tricampeonato; alguns anos mais tarde, em 1993, Alain Prost garantiu aqui também o seu quarto é último título na disciplina.

O traçado do Estoril tem uma extensão de 4.360 metros, está ainda no ativo e é um dos três circuitos permanentes de Portugal, juntamente com o Autódromo Internacional do Algarve e o Circuito Vasco Sameiro, em Braga.

10 circuitos míticos de Fórmula 1 que já não existem no calendário


carros de competição formula 1

Portugal teve três circuitos na Fórmula 1

Mas antes do Estoril, Portugal já tinha albergado três Grandes Prémios de Fórmula 1 em circuitos citadinos, de 1958 a 1960: dois na Boavista, no Porto; e um em Monsanto, em Lisboa. Stirling Moss, outra das maiores lendas da história da F1, sem nenhum Campeonato, mas com 16 vitórias em 66 corridas, venceu as duas primeiras edições, no Porto e em Lisboa, respetivamente. Em 1960, de novo na Boavista, o vencedor foi o australiano Jack Brabham, três vezes Campeão do Mundo (1959, 1960 e 1966), mas curiosamente com menos vitórias do que Moss, apenas 14 em 128 corridas.

Foi também por esta altura que Portugal teve o seu primeiro piloto na Fórmula 1, o «jovem» de 85 anos Mário Araújo «Nicha» Cabral, nascido no Porto, que se estreou em Monsanto (1959), voltando a correr no Porto, no ano seguinte. Fez ainda mais duas corridas, uma, em 1963, na Alemanha, e outras, em 1964, na Itália. Depois da Fórmula 1, teve ainda uma longa carreira em várias disciplinas da Velocidade, até concluir a carreira, em 1975. Antes, tinha sido atleta olímpico de ginástica.

Depois de «Nicha» Cabral, Portugal teve ainda mais três pilotos no «Grande Circo». Falamos naturalmente de Pedro Matos Chaves, Pedro Lamy e Tiago Monteiro, estes dois últimos ainda no ativo, noutras disciplinas. Lamy foi o primeiro português a pontuar na F1, a 12 de novembro de 1995, no Grande Prémio da Austrália.

Por seu turno, Monteiro foi o único a conquistar um pódio, com o terceiro lugar no Grande Prémio dos EUA, a 19 de junho de 2005. Uma corrida diferente, na qual a maioria das equipas não pôde alinhar, devido ao risco que os pneus que equipavam os
seus monolugares representavam para os pilotos. Correram apenas três equipas, equipadas com outra marca de «borrachas»: Ferrari, Minardi e Jordan. Michael Schumacher (Ferrari) venceu.

O lendário Nurburgring (Nordschleife)

O Circuito de Nurburgring é um dos mais «lendários» da história da Fórmula 1, que acolheu oficialmente por 40 vezes, a primeira, em 1951, no segundo ano da competição, e a última, em 2013. Albergou, ao longo destes anos, os Grandes Prémios da Alemanha, da Europa e, por duas vezes, em 1997 e 1998, do Luxemburgo. A extensão da versão mais curta do traçado tem 5.182 metros.

Inaugurada em 1927, a pista tinha cerca de 28 km de extensão, recebendo mais tarde um novo traçado de 22 quilómetros, que ainda hoje existe, sendo usado exclusivamente para os conhecidos Track Days, em que as pessoas ali podem guiar os seus próprios carros – com imagens de ultrapassagens e acidentes espetaculares que inundam a Internet -, e para corridas de resistência.

Nestes 82 anos, houve todos os tipos de corridas em Nurburgring: antes da Segunda Guerra Mundial, os grandes prémios alemães de automobilismo e motociclismo foram ali realizados. E no pós-guerra, a pista recebeu também corridas de resistência de Sport Protótipos, como os 1000 km de Nurburgring.

O Nordschleife (anel norte) é também conhecido como «inferno verde», por ser o segundo circuito com o maior número de acidentes fatais (atrás do de Indianápolis, nos EUA). Para além de ter um traçado exigente e extenso, fica no meio de uma floresta, dificultando o acesso dos meios de socorro. Mas é também uma pista que distingue os homens dos meninos…

Circuitos urbanos em decadência

A crescente exigência em termos de segurança tem vindo a pôr fim à tradição de circuitos citadinos na Fórmula 1, com a notável exceção do Grande Prémio do Mónaco, que tem de continuar, noblesse oblige. Mas eles já proliferaram, como exemplos mais
notórios, para além de Portugal, como é lógico, para os traçados americanos de Long Beach (1976-1983), com uma extensão de 3.275 metros, e Detroit (1982-1988).

Com o Grande Prémio de Detroit, cujo traçado tinha 4.023 metros de extensão, os EUA tornaram-se, em 1982, no primeiro e único país a albergar três grandes prêmios numa só época da Fórmula 1: para além do referido Grande Prémio do Oeste (Long Beach), havia também o Grande Prémio de Las Vegas. Técnico, lento e exigente, o traçado de Detroit incluía mesmo a travessia de uma passagem de nível e era ainda mais lento do que o do Mónaco.

Indianápolis esteve no início

Indianapolis Motor Speedway

A pista de Indianápolis (Indianapolis Motor Speedway), onde se correm as «lendárias» 500 milhas, integrou o primeiro calendário do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, em 1950, acima de tudo para que não se dissesse tratar-se de um campeonato exclusivamente europeu, dado que as restantes provas foram todas disputadas no «Velho Continente». Permaneceu no «Circo», numa primeira fase, durante 11 temporadas, até 1960.

É seguramente a mais famosa oval do mundo, mas disponibiliza também a opção de um traçado misto. Foi precisamente com este traçado misto, numa extensão de 4.192 metros, que a pista regressaria à Fórmula 1, para albergar a última corrida ali disputada em 2007, ganha nem mais nem menos do que pelo atual Campeão do Mundo em título, Lewis Hamilton. Ao todo, disputaram-se 19 grandes prémios de Fórmula 1 em Indianápolis.

Saudades também em Espanha e no Brasil

Outros dois circuitos «míticos» já há muito saídos da Fórmula 1 são os de Jarama, em Espanha, e de Jacarepaguá (ou Autódromo Internacional Nelson Piquet), no Brasil. Este último, assim denominado comummente por ter sido construído nas margens da Lagoa de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, já nem sequer existe, porque foi desativado e demolido, em 2012, para as obras dos Jogos Olímpicos 2016.

Com uma extensão de 5.031 metros, ali se disputaram 10 grandes prémios de Fórmula 1, em 1978 e de 1981 a 1989. O francês Alain Prost venceu cinco delas, o brasileiro Nelson Piquet e o argentino Carlos Reutmann, duas cada, e a restante foi para as contas do inglês Nigel Mansel.

Ainda no ativo, mas longe do fulgor dos tempos no «Grande Circo» está Circuito Permanente de Jarama, um autódromo construído, em 1967, cerca de 20 km a norte de Madrid, com uma pista com 3.404 metros de extensão. Ali se disputaram nove Grandes Prémios de Espanha de Fórmula 1, entre 1968 e 1981, numa sequência intercalada com quatro corridas no traçado barcelonês de Montjuic, curiosamente também já fora do «Grande Circo», mas sem contar para esta seleção.

Foi em Jarama que o canadiano Gilles Villeneuve venceu pela última vez na carreira, na época de 1981, antes da morte precoce, num acidente nos treinos do Grande Prémio da Bélgica, em Zolder (outra pista abandonada, mas igualmente fora desta seleção), a
8 de maio de 1982.

Villeneuve disputava a «pole» com o colega de equipa na Ferrari, Didier Pironi, outro dos mais amados pilotos da história, pela sua «loucura» e irreverência, com uma incrível legião de fãs, mesmo se nunca chegou a ser Campeão do Mundo. Esse sonho realizá-lo-ia anos mais tarde, em 1997, o filho Jacques Villeneuve. O Canadá homenageou-o ao chamar Circuito de Gilles Villeneuve à pista que alberga atualmente o Grande Prémio do Canadá de Fórmula 1.

E com Kyalami são 10

circuito Kyalami

A última das pistas escolhidas para esta seleção de 10 com um critério perfeitamente arbitrário e sem nenhuma ordem pré-definida, depois de colocar os circuitos de Portugal em primeiro lugar, naturalmente, é uma das mais austrais de todas: Kyalami.

A pista sul-africana de Joanesburgo é uma das duas únicas que receberam Grandes Prémios de Fórmula no continente africano, depois da sua antecessora, também na África do Sul, o Circuito do Príncipe George (1962, 1963 e 1965), situado na cidade de
East London.

O traçado de Kyalami (que significa “a minha casa”, na língua Zulu), tem 4.261 metros de extensão e recebeu 20 grandes prémios de Fórmula 1, entre 1967 e 1993. Ali aconteceu um dos mais bizarros e trágicos acidentes da história da competição, no dia 5 de março de 1977.

O piloto italiano da Shadow, Renzo Zorzi, parou na berma do circuito com um princípio de incêndio no seu monolugar. Quando os comissários atravessaram a pista para o apagarem, o colega de equipa de Zorzi, o galês Tom Pryce, que rodava a cerca de 280 km/h, não conseguiu evitar um deles e atropelou-o.

No impacto, o extintor do comissário atingiu a cabeça de Pryce, arrancando-lhe o capacete. Morreram ambos instantaneamente. O corpo do comissário de 19 anos ficou tão irreconhecível, que só o identificaram depois do diretor de prova reunir toda a equipa para descobrir quem faltava.

Mas Nelson Piquet tem boas recordações da pista, porque ali se sagrou bicampeão do Mundo, em 1983. Foi também em Kyalami que Ayrton Senna conquistou o seu primeiro ponto na disciplina, no ano seguinte.

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