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Conduzir de ressaca é perigoso: explicamos porquê

Vários estudos são unânimes e têm provado que conduzir de ressaca é perigoso, pois afeta as capacidades de condução. Fique a conhecer alguns dados relevantes.

 
Conduzir de ressaca é perigoso: explicamos porquê
Se está de ressaca, não arrisque conduzir

Para muitos, conduzir de ressaca não apresenta quaisquer perigos, já que na maioria dos casos, já nem é detetável álcool no sangue. Porém, os efeitos da ressaca são, por si só, capazes de afetar negativamente a performance de condução e, assim, pôr em risco o condutor e todos que com ele se cruzam.

Se, mesmo assim, continua a achar que conduzir de ressaca não oferece quaisquer riscos ou perigos, espreite os dados e resultados de alguns estudos e, provavelmente, a sua opinião irá mudar.

Conduzir de ressaca: por que é perigoso?


ressaca

O que é a “ressaca”?

Antes de mais, comecemos pelo princípio, de modo a perceber o que é, afinal, a ressaca.

Ressaca ou veisalgia são termos usados para descrever os efeitos fisiológicos provocados pela ingestão, em grande quantidade, de bebidas alcoólicas. Os efeitos mais comuns são cefaleia, náusea, sensibilidade à luz e a ruídos, letargia, disforia, diarreia e sede. Além dos sintomas físicos, a ressaca pode também apresentar alguns sintomas psicológicos, como depressão e ansiedade.

Quanto tempo demora o organismo a absorver o álcool?

Não há uma só resposta a esta pergunta. No fundo, é unânime entre especialistas que tal facto depende da velocidade de metabolismo de cada um; da quantidade e diversidade de bebidas alcoólicas ingeridas; e, ainda, se essa ingestão líquida foi ou não acompanhada da ingestão de alguns sólidos.

Porém, de uma forma geral, pode dizer-se que alguns testes de alcoolemia podem detetar a presença de álcool no sangue até 12 horas após a ingestão das bebidas. Contudo, se ao fim de 12 horas a presença de álcool no sangue pode, já, ser nula, os investigadores lembram que os efeitos do mesmo no cérebro persistem, através da chamada ressaca, pelo que é realmente recomendado é que em casos de consumo excessivo de bebidas alcoólicas, só se volte a conduzir passadas 24 horas sobre o referido consumo.

Convém lembrar que apenas 0,02 de álcool no sangue (dg/l) são suficientes para provocar alguns dos seguintes efeitos colaterais na condução de veículos: declínio nas funções visuais e redução na capacidade de realizar duas tarefas ao mesmo tempo.

Conduzir de ressaca ainda acusa álcool?


teste balão

Como vimos, se durante o período de ressaca é improvável ainda acusar álcool no sangue, nos testes de alcoolemia, tal não significa que seja seguro conduzir nessas condições.

Para o provar, foram já feitos alguns estudos, dos quais vamos dar-lhe conta em seguida.

Estudo da Ford-Instituto Meyer-Hentschel

Para comprovar como o mal estar geral e o défice de sono inerentes à ressaca podem afetar os nossos reflexos e tempo de reação, nomeadamente durante a condução, a Ford encarregou o Instituto alemão Meyer-Hentschel da tarefa de produzir um fato que simulasse no corpo os efeitos da ressaca.

O fato concebido pesa 17 kg e tem um colete especial, pesos nos pulsos e tornozelos, gorro, óculos e auriculares. Todos estes elementos são capazes de simular os sintomas da ressaca, tais como cansaço, má disposição, sensação de cabeça a palpitar e dificuldade de concentração. Já os auriculares permitem recriar a maior sensibilidade ao som e as experiências típicas de uma enxaqueca. Finalmente, o gorro e os óculos simulam a sensação de má disposição, tonturas e dor de cabeça.

Estudo da Universidade de Utrecht 

Um outro estudo, desta feita levado a cabo por um psicofarmacologista da Universidade de Utrecht, Joris Verster, chegou a resultados semelhantes, quanto aos riscos de conduzir com ressaca.

A pesquisa teve por base 48 pessoas (24 homens e 24 mulheres). Os participantes foram postos à prova num teste de condução, em dois momentos distintos: um feito sem terem consumido álcool; o outro após uma noite de excessos, mas já sem álcool no sangue.

Nesse teste, foi feita uma simulação de condução, em que os participantes tinham de se manter na faixa de rodagem durante uma hora de condução, em que o limite de velocidade era de 95 km/h. Os resultados mostraram como quem conduz com ressaca apresenta o mesmo padrão de condução do que quem conduz alcoolizado.

Claramente, a falta de descanso e de horas de sono, associada à ingestão de álcool, são fatores prejudiciais para quem vai conduzir.

Estudo da Universidade de Bath

E, porque como costuma dizer-se, não há dois sem três, aqui fica o “estudo dos estudos”, no que respeita a estas matérias.

Esta pesquisa levada a cabo no Reino Unido analisou mais de 700 investigações sobre este tema e compilou dados de onze que considerou, particularmente, aprofundadas. Na mesma linha do já exposto anteriormente, esta investigação mostrou como a ressaca afeta as capacidades de conduzir. Adiantou, por exemplo, que o tempo de resposta dos condutores é 20% mais lento nos condutores com ressaca

Sempre que se senta no banco do seu carro para conduzir tem não só a sua vida nas mãos, como a vida de quem transporta e das inúmeras pessoas com quem se cruza. Por isso, há que fazê-lo com consciência e seguro de que está capaz de assumir essa tarefa.

Como ficou claro, conduzir de ressaca ou, simplesmente, com uma dor de cabeça forte ou enxaqueca causada por outro motivo qualquer, são razões mais do que suficientes para deixar o carro na garagem e recorrer a um transporte público ou à boleia de um amigo.

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