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Depressão crónica: quando a tristeza não quer ir embora

Quando os sintomas depressivos são contínuos e se estendem por um longo período de tempo, podemos estar a falar de uma depressão crónica. Saiba mais.

Depressão crónica: quando a tristeza não quer ir embora
A depressão é uma das perturbações psiquiátricas mais comuns

A depressão crónica é comum e representa cerca de um terço de todos os casos de depressão, constituindo um sério problema de saúde pública. É uma perturbação duradoura, devastadora ao longo da vida e responsável por inúmeras doenças associadas.

A depressão crónica existe mesmo?


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Todos os seres humanos atravessam momentos de maior tristeza ou infelicidade como, por exemplo, quando alguém sofre a perda de um ente querido ou a perda do emprego.

Contudo, quando falamos de depressão, estamos perante um quadro clínico de grande sofrimento, e que interfere significativamente na diminuição da qualidade de vida, na produtividade e no desempenho social.

Quando a sintomatologia depressiva permanece num período mínimo de 2 anos, designa-se por perturbação depressiva persistente, quadro que equivale à depressão crónica. Portanto, a depressão crónica é real e pode ser severamente incapacitante.

A causa exata da depressão crónica é ainda desconhecida, embora pareça ser causada por uma combinação de fatores genéticos, bioquímicos, ambientais e psicológicos.

Sabemos que existe uma predisposição hereditária para alguns tipos de depressão, tal como sabemos que na perturbação depressiva estão presentes alterações em algumas substâncias cerebrais (neurotransmissores).

Por outro lado, os acontecimentos traumáticos da vida, problemas familiares, o stress diário, conflitos prolongados, o estilo de vida e o tipo de personalidade podem também contribuir para o aparecimento da depressão.

Como identificar uma depressão crónica?


A depressão crónica pode ser definida como um quadro de diagnóstico de depressão com duração prolongada, que apresenta alguns dos seguintes sintomas:

a) Humor depressivo durante a maior parte do dia, mais de metade dos dias, durante pelo menos 2 anos;

b) Sentimentos frequentes de desapontamento e frustração;

c) Alterações do apetite (apetite diminuído ou aumentado);

d) Perturbações no sono (insónia ou hipersónia);

e) Baixa autoestima;

f) Fadiga elevada ou pouca energia;

g) Dificuldades de concentração;

h) Dificuldade em tomar decisões;

i) Sentimento de ausência de esperança.

Tratamento da depressão crónica


Para muitos pacientes, a combinação, a longo prazo, de medicação, psicoterapia e uma relação sólida e empática com os profissionais de saúde é o tratamento mais eficaz.

Farmacoterapia

Tal como acontece com outras formas de depressão, há uma série de opções de medicação para pessoas com depressão crónica.

Psicoterapia

Muitas pessoas encaram os sintomas da depressão crónica como parte inevitável da vida e aceitam a tristeza como parte do seu dia-a-dia. A psicoterapia é importante para desmistificar esta e outras ideias pré-concebidas acerca da patologia, bem como para providenciar segurança, empatia e conhecimento acerca da doença e capacitar o doente para lidar com ela.

A psicoterapia ajuda a alterar os estilos de pensamento negativos, as atitudes destrutivas e ensina técnicas para melhorar as habilidades sociais, gerir o stress diário e resolver conflitos emocionais.

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Ana Graça Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Além da Psicologia. é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que traga mais felicidade!